Nokia: deitada em berço esplêndido

O que parecia impossível hÁ apenas alguns anos virou realidade em 2012: a Nokia jÁ não é mais a número 1 em se tratando de celulares. Pelo menos é o que aponta os números divulgados pela empresa de anÁlise de mercado IHS iSuppli.

De acordo com as previsões do IHS iSuppli, a Samsung deverÁ fechar o ano na liderança da telefonia móvel com 29%, contra 24% da Nokia. Em igual período de 2011, a multinacional finlandesa detinha 30% da fatia do mercado, contra 24% da gigante sul coreana.


(Projeções do IHS iSuppli para o ano de 2012 - com os dados de dezembro)

 

Outro grande feito da Samsung diz respeito ao segmento dos smartphones. Conforme apontavam os últimos levantamentos do IDC, a proprietÁria da linha Galaxy obteve uma forte expansão no segmento, ampliando a sua liderança em relação à Apple de um para oito pontos percentuais, ou seja respectivamente de 20% contra 19%, para 28% contra 20%.



(Calma Jackie, a Nokia ainda continua no jogo!)

Esta é a primeira vez em 14 anos que a Nokia é "destronada" de sua posição de número 1 em celulares. AliÁs, jÁ hÁ bastante tempo a companhia finlandesa deixou de ser referência no ramo. Muito dificilmente alguém com mais de 25 anos não teve algum aparelho da companhia. AliÁs, quem não se lembra do famoso Nokia 6160, que ficou mundialmente conhecido nas mãos do personagem Fox Mulder da série coqueluche dos anos 90, Arquivo X?  E o que dizer do 8210? Tido como celular de gente "bacana" no início dos anos 2000, ou mesmo do mais recente N95? 


(Agente do FBI Fox Mulder - da série Arquivo X, fazendo uma ligação com o seu Nokia 6160)

Não se sabe exatamente o motivo, mas o fato é que a Nokia ficou vendo a "carruagem tecnológica passar". Vieram Apple e Samsung com propostas inovadoras, além da Google com o Android, mas nem isso foi suficiente para a gigante finlandesa "acordar" de seu sono letÁrgico. Para piorar a situação, a companhia acumulou alguns "fiascos" tecnológicos ao longo dos últimos anos, como foi o caso do emblemÁtico N-Gage.


Da esq. para a dir.: Stephen Elop - CEO da Nokia e Steve Ballmer - CEO Microsoft,
aparentemente falando dos resultados financeiros da Nokia

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Apenas mais recentemente - mais precisamente em fevereiro de 2011 - após enfrentar uma série crise financeira (que aliÁs, perdura em 2012), foi que a Nokia resolveu se mexer, fechando uma parceria estratégica (ainda que discutível por parte do mercado) com a Microsoft, onde – entre outros pontos – a Nokia passaria a adotar o sistema operacional Windows Phone em seus aparelhos. AliÁs, analistas de mercado apontam os SOs adotados pela fabricante finlandesa (Symbian e MeeGo) como os grandes responsÁveis pelo fracasso da companhia nos últimos anos, além, é claro, da falta de um plano estratégico de médio e longo prazo.


(Nokia Lumia 900)

A companhia chegou a ensaiar uma reviravolta com o lançamento da linha Lumia, mas apesar dos esforços, a linha nunca chegou a "deslanchar" entre os consumidores, apesar de todo o apelo visual e tecnológico (além do preço) dos smartphones.

O que os chefões da Nokia devem tirar de lição nessa história toda é que, no ramo da alta tecnologia, em um mundo cada vez mais globalizado e dinâmico, o famoso ditado "em time que estÁ ganhando não se mexe", não funciona. Ditar tendências de mercado é hoje, talvez, o principal fator de sucesso na indústria. Que diga a Apple.

Caso tenha interesse em saber um pouco mais sobre a evolução da telefonia móvel, basta conferir o artigo "Evolução dos celulares: do tijorola ao smartphone" da Adrenaline.

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  • Redator: Filipe Braga

    Filipe Braga

    Filipe Braga é um cearense extremamente simpático formado em Ciências da Computação e apaixonado por computadores e tecnologia em geral. Também participa de reviews de hardware, especialmente placas de vídeo, processadores e placas mãe.

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