Ted, cadê você? Protógenes veio aqui só pra te ver

Ontem eu assisti Ted, o filme do criador de Family Guy, Seth MacFarlane. Curti o filme, porque curto o estilo de humor que jÁ vem do desenho, uma comédia bem nonsense com centenas de piadas em referência à cultura pop. Não é uma obra fÁcil para qualquer um, com citações muito profundas e às vezes obscuras, e eu entendo bem as críticas que tem sofrido, principalmente no Brasil. Não é todo mundo por aqui, por exemplo, que tem que saber que Joan Crawford era uma péssima mãe e batia nos filhos, o que explicaria uma das piadas mais engraçadas do longa.


Fofo

Em meio a todas as pessoas que não gostaram do filme, no entanto, existe uma que reagiu um pouco mal demais, talvez se exaltando um pouco além do que deveria - e do que exigiria o bom senso. O deputado federal Protógenes Queiroz declarou no twitter - que tem sido utilizado por políticos frustrados, assim como fãs da banda Restart, para veicular sua indignação - que era um absurdo que um filme desses fosse exibido em terras tupiniquins, por se tratar de um ursinho de pelúcia fazendo apologia às drogas, falando palavrões, etc, e que tomaria providências para impedir que o mesmo continuasse nas salas de cinema.


P*ta falta de sacanagem, cara

O mais interessante do caso não é a clara iniciativa de censura do deputado, mas é que todo o problema se originou quando ele levou o filho, de 11 anos, para assistir ao longa, cuja classificação indicativa é de 16 anos. Não bastasse isso, A PUBLICIDADE DO FILME SE APROVEITA DA RESTRIÇÃO, JÁ MOSTRANDO QUE "CONTÉM CONTEÚDO SEXUAL, LINGUAGEM OFENSIVA, PROSTITUTAS E USO DE DROGAS". Ou seja, caso ele, como pai, tenha falhado em consultar a indicação feita pelo Ministério da Justiça antes de ir ao cinema, como pode também ter ignorado o urso gigante segurando uma placa avisando dos perigos?

- Continua após a publicidade -


Na imagem, Ted tieta um amigo meu. O urso é aquele segurando a placa (Valeu, Volps! Beijo, gato!)

Podem ficar tranquilos que essa ameaça do deputado provavelmente não darÁ em nada. O próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, jÁ declarou em entrevista à Folha que não cabe ao ministério censurar nada. Não imagino que serÁ Protógenes quem conseguirÁ.

Declaração louvÁvel do ministro, não fosse por outros casos recentes que botam em cheque a questão da censura no Brasil. Todos devem se lembrar da batalha que a justiça brasileira vem travando com o Google, por causa de dois vídeos hospedados no YouTube. Primeiro decidiram que a empresa deveria retirar um vídeo que ridicularizava um candidato à prefeitura de Campo Grande. Quando a decisão não foi acatada, mandaram prender o executivo com o cargo mais alto da companhia no país. Apenas para liberÁ-lo depois. Não é o caso apenas de uma atitude um pouco descabida e desproporcional, mas que também acaba por lesar a credibilidade da instituição. Afinal, como respeitar alguém que manda prender para soltar logo em seguida?

Não bastasse o episódio, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou também que o YouTube retirasse o trailer do filme "A inocência dos muçulmanos", aquele que gerou diversas revoltas em países Árabes, com ataques a embaixadas norte-americanas e protestos das comunidades islâmicas. Não quero discutir aqui exatamente se a ordem é correta ou não, mas não muda o fato de se tratar de censura. Em pouco tempo o caso chamou atenção de toda a comunidade internacional, seja para o bem, seja para o mal. Pior, uma reação como essas abre precedentes. Amanhã mesmo podem determinar que alguma obra que fala mal do governo incita ódio e, por isso, deve ser retirada do ar. É assim que funciona com a censura. - o autor desta coluna não se importaria, no entanto, se tirassem do ar aquele clipe do camaro amarelo. Pela honra de Bumblebee!


O probrezinho jÁ sofre demais com cosplays idiotas

Nos dois casos podemos observar como o ataque aos vídeos acabou saindo pela culatra. Se o primeiro se tornou conhecido em todo o país por causa da ação contra o Google, transformando o candidato em uma espécie de inimigo da liberdade de expressão, a revolta muçulmana, como bem destaca o blog "para entender Direito", os transferiu do papel de vítima para o de algoz.

- Continua após a publicidade -

Assim como Protógenes. Aposto que hÁ uma boa parcela de pessoas que só ouviram falar do filme, ou sentiram vontade de assisti-lo por causa das declarações do deputado. Ou seja, ao demonstrar sua total falta de bom senso ao levar o filho de 11 anos a um filme de classificação 16, ele conseguiu apenas fazer com que a bilheteria de Ted aumentasse no Brasil. Continue atacando, senhor deputado. Tenho certeza de que Seth MacFarlane agradece. Quem sabe o senhor não ganha uma piadinha em algum próximo filme?


Assuntos
Tags
  • Redator: César Massaki Teshima Soto

    César Massaki Teshima Soto

    Graduando de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, ganhou um Mega Drive aos 5 anos, mas nunca conseguiu fazer final em Sonic 2. Navegava pelas salas de bate papo nos tempos da internet discada e até hoje procura o disquete perdido com seu jogo salvo do América-MG no Elifoot 98.

Deve ter lançamentos como leve melhorias na mesma arquitetura

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.