Eu juro que queria falar bem de Resident Evil 5: Retribuição

Dessa vez, Alice enfrenta SUBMARINOS RUSSOS MORTOS-VIVOS. Não, brincadeira. Mas seria bem mais legal, né?

Eu queria, é verdade! Depois do meu último post por aqui, eu realmente não queria passar a imagem daqueles críticos frustrados que sempre acham falhas nos filmes, porque na verdade queriam ser diretores e não conseguiram. Nunca tive essa vontade, a de estar atrÁs das câmeras. Meu tesão sempre foi sentar na poltrona e curtir os filmes em si, de preferência com um balde de pipoca regada na manteiga. Antes de me acusarem de ser um simples hater, eu gostei muito de Vingadores e O Cavaleiro das Trevas Ressurge - o qual, pra mim, qualquer falha do roteiro pode ser explicada com "HE'S THE MOTHERF*CKIN BATMAN". Bem, voltando à questão, eu resolvi que veria Resident Evil 5: Retribuição após ler algumas críticas boas, que até diziam se tratar do melhor filme da série. Poderia assim me redimir e passar uma boa dica aos leitores Adrenalíticos que, tenho certeza, curtem a franquia da Capcom - apesar das frustrações com os mais recentes lançamentos nos consoles. Dito isso, adianto: a produção é bem ruinzinha.

O quinto capítulo da série conta, novamente, a luta da protagonista Alice (Milla Jovovich) para fugir de uma estação de testes da terrível corporação maligna do mal Umbrella, agora sob o controle da inteligência artifical Rainha Vermelha (aquela menininha rubra do primeiro filme). Uma história simples, que realmente remete ao início da franquia do cinema, não apenas pelo uso da mesma ameaça, mas também da fuga do complexo assassino e da utilização de personagens e atores presentes no filme de 2002. O diretor também é o mesmo, Paul W. S. Anderson, que comandou ainda o capítulo anterior, Resident Evil 4: Recomeço (2010), e outras produções do calibre de Corrida Mortal (2008), Alien vs. Predador (2004) e Mortal Kombat (1995). Fica claro, assim, que a maior realização de Anderson foi seu casamento com Jovovich, quem ele sabe usar muito bem. Nas câmeras, eu digo. - TÁ, eu sei que MK não é tão ruim (Raiden Lambert, cara!), mas eu queria fazer essa piada. Julguem-me.

ELES estão de volta. Vocês sabem do que eu estou falando

A narrativa lembra a de um game, com as diferentes Áreas atravessadas por Alice fazendo o paralelo com fases, e os inimigos tomando o papel dos chefões, uma linguagem tradicional para quem é familiarizado com os controles, e que serve para simplificar a história. Infelizmente, fica a sensação de que jÁ é tarde demais para a tentativa, e o legado deixado pelos filmes anteriores contrastam com a simplicidade apresentada. Assim, quando você acha que estÁ finalmente entendendo alguma coisa, algum fator antigo e bizarro - Clones! Em um filme com zumbis, clones nunca são demais, cara. Eu consigo ver algum produtor sentado numa sala de projeções, baforando um charuto fedido e falando: "Muito legal, Anderson. Tua mulher estÁ demais nesse filme, ela realmente chuta traseiros zumbis. Mas serÁ que cabe mais CLONES?" - surge para acabar com essa ilusão.

A produção foi rodada em 3D, o que serve como um de seus pontos fortes. O recurso é bem utilizado em grande parte das cenas e encaixa na história. Isso jÁ é dizer muito, se você considerar que este tem sido um dos maiores problemas nas produções ruins mais recentes. Fica evidente a diferença e vantagem que é realizar as filmagens jÁ com equipamentos para 3D, e não a simples conversão corrida na pós-produção. HÁ pouco espaço para críticas nesse quesito, assim como nas cenas de ação em si, que são muito bem dirigidas por Anderson.

Por que NÃO invadir um complexo maligno com um vestido fabuloso?

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Claro que isso não é suficiente para redimir os diversos defeitos do filme, que segue a tradição maldita estabelecida em seus capítulos anteriores: falhar com os fãs do game. Desde o começo, todos sabem que as franquias tomaram caminhos muito distintos nas diferentes mídias, e isso vinha funcionando - monetariamente - até o momento. Ninguém mais vai a uma sessão da saga esperando aquela tensão inerente aos games, aquela sensação de urgência constante presente em um ambiente com perigo iminente. Não. A protagonista dos filmes (que não existe nos games e que é um dos principais foco da fúrias dos fãs) é superhumana e nunca chega a realmente correr perigo - ou ficar sem balas. Ou despentear o cabelo. Eu realmente tinha a esperança de encontrar algo mais próximo à inspiração original, pela primeira vez desde 2002. Talvez por isso tenha saído tão desapontado.

Aparentemente, não fui o único, considerando que o filme estreou com bilheteria de 21 milhões de dólares nos EUA, caindo para 6,7 milhões no segundo fim de semana. Uma queda drÁstica de 68% que pode comprometer a realização de um Resident Evil 6, jÁ que o custo da produção foi de 65 milhões de dólares. Claro que ainda estamos na segunda semana de exibição e isso não leva em conta as bilheterias internacionais, mas é um forte indicativo que os zumbis estão perdendo o gÁs. Pelo final de Retribuição, talvez seja uma boa hora mesmo.

P.S.: Não, o filme não é tão ruim quanto O Espetacular Homem-Aranha. Nem de longe.

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  • Redator: César Massaki Teshima Soto

    César Massaki Teshima Soto

    Graduando de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, ganhou um Mega Drive aos 5 anos, mas nunca conseguiu fazer final em Sonic 2. Navegava pelas salas de bate papo nos tempos da internet discada e até hoje procura o disquete perdido com seu jogo salvo do América-MG no Elifoot 98.

Deve ter lançamentos como leve melhorias na mesma arquitetura

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