A iniciação com as revistas de CD-ROM

Conexão Geek

Risa Lemos Stoider

Nada como uma boa sessão nostalgia, prÁtica bem apreciada pelo nosso querido e mais bem-vestido estagiÁrio @zehuntemann. Inspirada pela sua coluna de sexta-feira, "E o Jornalismo apresenta a informÁtica", lembrei-me de algo que foi companhia inseparÁvel de muitos geeks nos anos 90: as revistas com CD-ROM de "brinde".

Coloco a palavra "brinde" entre aspas porque, em uma época que uma revista convencional custava módicos R$5, desembolsar R$15 em uma publicação de poucas pÁginas me dava a entender que – sim, eu estava pagando pelo CD. E pagando muito bem, inclusive.

OMG!! 38 "programas interativos", dicas de DOS e... o Corel jÁ custava R$679 O____O


Em uma época em que nem sonhÁvamos com a banda larga e os torrents, essas revistinhas eram uma das nossas poucas fontes de aplicativos e até mesmo jogos completos. Sério, eu fiquei MUITO FELIZ quando consegui comprar "MDK", "Afterlife" e "Sim City" pelos tais 15 pilas, por mais que não fossem games tão novos assim.

Uma dessas publicações era a "Bigmax", que se gabava de ser a pioneira a oferecer não um, mas DOIS Cds (uau!). Um com os melhores (in)utilitÁrios para o seu recém-adquirido PC – screensaver do Dancing Baby... quem nunca? – e outro com um jogo completo. Um dos clÁssicos dessa era é o adventure "Prisioner of Ice", que guardo até hoje. Outro diferencial da Bigmax eram as charges sobre temas relacionados ao mundo dos PCs, sempre na última pÁgina. Eu morria de rir com pérolas como "Troco meu 386 por um pacote de bolacha Maria, volto a diferença." TÁ...


Sim, essa era a interface do CD da Bigmax


Outra publicação tinha um nome auto-explicativo: "Revista do CD-ROM", da editora Europa, hoje responsÁvel por grandes nomes da imprensa gamer do Brasil, como as revistas "PlayStation", "Xbox 360" e aquela feita sob medida para velhinhas como eu, a "OLD!Gamer". Inicialmente, ela vinha apenas com um CD que, diferente da BigMax, tinha uma interface bem legal. Na verdade, ela mudava a cada edição e apresentava um cenÁrio interativo, no qual cada elemento era uma categoria de aplicativos. Nada muito incrível aos olhos de hoje, mas, acredite, em 1998 era impressionante. Posteriormente, ela passou a embutir também um CD extra com um jogo completo. Foi daí que veio meu "Afterlife" em português (s2s2s2 amor eterno).


TODAS as revistas traziam isso. É praticamente o "meme" mais velho da história


Apesar de serem relativamente ricas em softwares, ambas sofriam de um probleminha comum à maioria das revistas semelhantes da época (como a CDRom Today, CDRom Mania e outras): conteúdo fraco na parte editorial. Sério, alguém de fato aprendeu algo com alguma delas? Qualquer coisa útil, que não seja fazer um slideshow com fotos da princesa Diana...

Aí surgiu a ala mais "Cult" das revistas de informÁtica. A PC Master, por exemplo, tinha matérias bem completas e interessantes para a época, sem contar os comparativos entre hardwares, algo que nós aqui do Adrenaline fazemos com maestria hoje (a caixa de comentÁrios tÁ aí embaixo para vocês concordarem. Obrigada, muito obrigada!). A CD Expert, inicialmente, seguiu um ramo parecido. Tanto que foi com ela que aprendi o que era e como fazer um overclock – mas nunca cheguei a tentar. Depois, focou demais na oferta de demos e deixou de publicar um bom material.


E sempre vinha com cocotas na capa


Fato é que com a popularização da Internet e, principalmente, da banda larga, essas grandes companheiras morreram. E deixaram boas lembranças, como meu "Afterlife", guardado até hoje. As outras revistas da coleção (quase uma centena), mandei todas para o Sebo para ganhar uns trocados, o suficiente para comprar um pastel com laranjinha.

Hoje, olhar para essas revistas deixa uma impressão de breguice e até amadorismo com a computação. Foi, porém, um recurso necessÁrio, que "educou" muita gente em uma era pré-Google/Wikipedia. Em anos, porém, constatei que, de fato, pouquíssimas demos eram de softwares que realmente valiam a pena. Mas tudo bem. Sempre tem algum parente chato para se encantar com o Macarrão que dança a Macarena.


Felizmente, não conseguimos achar um vídeo disso. Mas a música deve estar tocando na sua cabeça agora. ÊEee Macaroni. AI!

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

Qual vai ser o melhor game de abril de 2020?

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