Público feminino? Não, obrigada.

Conexão Geek

Risa Lemos Stoider

JÁ tentaram me empurrar de tudo que fosse considerado "fofo". Desde HD externo rosa, hÁ poucos meses, até "um jogo mais feminino, porque esse Tômbi RÁiderr aí não é coisa de menina", quando eu tinha lÁ meus 12 anos. Não rola. Acontece que, só por ter dois cromossomos X, estou automaticamente enquadrada no que as empresas e, consequentemente, as assessorias de imprensa, chamam de "público feminino".

O problema é que esse tal público é composto por um tipo muito bem definido de pessoa, e não apenas por mulheres em geral. Como eu. Não. São normalmente peruas, meio bobas, sem conhecimento nenhum de tecnologia ou games e que, invariavelmente, A-DO-RAM rosa.


POR QUÊ??


Esse estereótipo é tão velho e ultrapassado, mas pouca gente percebe isso. Não sei de onde tiraram que mulheres não se interessam por games ou eletrônicos. É como, sei lÁ, eu dizer que todo homem gosta de futebol. Conheço vÁrios que não gostam, assim como conheço muitos que não ligam pra tecnologia ou games. E muitas mulheres que estão por dentro das novidades e não querem um espelhinho para retocar a maquiagem, mas sim um smartphone de verdade.

Os produtos comumente anunciados para "O público feminino", essa entidade misteriosa que se constitui de uma massa homogênea e cor-de-rosa provavelmente com detalhes felpudos, são sempre horríveis. De muito mau gosto, mesmo, e com utilidade questionÁvel. Duvido muito que vão atrair mulheres para o lado geek da Força assim. Quem é geek curte especificações, novidades e, enfim, vai realmente usar aquele aparelho para alguma coisa (bem diferente de exibir combinando com o sapato).


Isso aqui não tem nada a ver com ser mulher. É unicamente uma questão de (falta de) bom senso


Ok, talvez a ideia seja só aumentar a base de consumidores comuns mesmo. Mesmo assim, o estereótipo incomoda. Porque ninguém anuncia "produtos para o público masculino". Soltam o release, descrevem o negócio, e pronto. Quer lançar um dispositivo feioso e de mau gosto? TÁ bom. Mas não vem dizer que é pensando nas mulheres, porque, para muitas, soa até meio ofensivo.

JÁ vi alguns comentÁrios aqui mesmo no site, generalizando as mulheres. Dizendo que só usam celular de tal jeito, que gostam de frescuras e coisas do tipo .Generalizar é, no mínimo, ingenuidade, gente. Nem todo mundo é assim e definir toda a metade da população do mundo como tendo apenas um gosto e um único tipo de comportamento é bem preconceituoso.


Dizem que isso foi feito apra combinar com os sapatos das mulheres. Agora me diz: por que alguém iria se preocupar em combinar o notebook com o sapato?



Como quando vou comprar um game pra mim e levo meu noivo junto. Eventualmente, os lojistas se dirigem a ELE, mesmo quando sou eu a interessada. E preciso deixar isso claro. E aí, me sugerem jogar "Crash". Desculpa, jÁ conheço e não gosto. Eu SEI o que quero jogar e não é meu sexo que vai determinar minha preferência nesse ramo.


A "estratégia" nem costuma dar muito certo. Ou alguém aí se lembra do Master System Girl?


E, tendo em vista essa divulgação de produtos para esse tal "público feminino", sempre que vou procurar algum equipamento para mim, tentam me empurrar algo rosa ou super enfeitado, falando apenas da aparência como se fosse a única qualidade do produto. E eu realmente me importo com outras coisas. Preciso insistir para que desistam da ideia e me tratem como alguém que realmente sabe o que procura.

Enfim, esta é uma coluna de OPINIÃO (algo que muita gente ainda não entendeu), então tomei o espaço para deixar meu manifesto. Para as empresas, para deixarem de associar produtos medonhos às mulheres, como se fossem todas fúteis e com extremo mau gosto. E, para as pessoas comuns, que deixem o preconceito de lado e não tentem determinar do que uma mulher deve gostar. E, comerciantes, eu não usaria um HD externo rosa ou qualquer coisa parecida só por ser mulher. Então não tentem empurrar para mim o estoque encalhado.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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