O golpe do Playstation 3

Uma prÁtica que vem acontecendo desde meados de 2010 ainda acontece sem que nada seja feito. Trata-se de um "golpe" de vÁrias empresas ditas importadoras, na venda do PS3.

Em 2010 a Folha fez uma reportagem para o UOL e um vídeo explicando bem o problema, inclusive afirmando ser fraude, ou seja, crime contra o Código de Defesa do Consumidor, além de crime de sonegação de impostos e falsificação de CNPJ, o que dÁ cadeia.

Mas... Estamos no Brasil. Enfim.

Bom, resolvi pesquisar a fundo sobre isso e ouvir todas as partes porque esse "golpe" aconteceu comigo e com mais um amigo meu.

Um Playstation 3 foi adquirido no Shoptime com desconto de R$ 400,00, vinculados através da TV, onde informava garantia de 1 ano, o que fica implícito ser Sony do Brasil. A atendente no telefone também informava o mesmo. Até aqui, tudo normal.

Antes de fazer o pedido pelo telefone, o site foi verificado e encontrado o Playstation 3 com mesmo valor, modelo idêntico, e dizendo ser a Sony do Brasil como fornecedor. Além disso, no anúncio dizia ter 1 ano de garantia.

O produto chegou e tudo estava dentro da normalidade. A Caixa é de fato da Sony do Brasil, totalmente em português do Brasil, inclusive com carimbo impresso dizendo ser importado, distribuído e garantido por Sony DADC Brasil, com endereço de São Paulo na Barra funda.


O modelo impresso na caixa dizia ser CECH 2511A com região 4, normal para os padrões brasileiros, que permite ler qualquer DVD fabricado no Brasil.


{break::A descoberta}

Depois de 20 dias, pesquisando na Internet descobri que havia uma fraude do Playstation 3. Resolvi, apenas para tirar a dúvida que ficou na minha cabeça, ligar para a Sony e perguntar sobre a garantia do aparelho.

Informei o modelo (CECH-2511A) e como era a caixa. A atendente disse que sim, era a versão nacional. Mas para ter plena certeza, ela pediu o número serial do aparelho. Foi difícil achar porque ele não estava onde me foi informado. Consegui achar e passei o número para a menina, que na mesma hora disse que esse aparelho não é da Sony Brasil.

Ela questionou a caixa, pedindo informações sobre ela, após verificar que a caixa seria de fato da Sony Brasil, ela entrou em contato com um setor mais avançado e informou, pasmem, que esse modelo do Playstation que veio nessa caixa não é nem o CECH2511A, mas sim o CECH 3001A e que nem era para esse aparelho estar no Brasil. Ele é designado para outro país.

Após 1 hora de conversa e esclarecimentos, a Sony informou que é fraude o uso da caixa nacional em um produto importado. Informou ainda que caracteriza produto falsificado, que mesmo que seja um Playstation 3 original da Sony, ele não teria autorização legal para estar no Brasil, e muito menos dentro de uma caixa nacional.

Além disso, a Sony chegou à conclusão que até o manual é falsificado. Foi "copiado" e impresso pela "importadora" que, inclusive, adicionou mais quatro folhas no final com nome dela e termos de garantia dizendo ter três meses no aparelho e um mês nos acessórios. A Sony na mesma hora informou que não autoriza a reprodução nem a modificação do manual, pedindo inclusive o nome da Importadora para tomar providencias.


Para piorar alguns DVD's meus não leram no aparelho e deram erro de região. JÁ outros funcionaram normalmente.

{break::O outro lado}

Com a palavra da Sony em mãos, liguei para o Shoptime e informei tudo isso. O atendente disse que devia ser algum engano porque o Playstation 3 tem sim 1 ano de garantia, garantidos pela Sony do Brasil. Me pediu 5 dias para resolver o problema.

Ninguém entrou em contato comigo após os 5 dias. Reclamei de novo com o Shoptime, acreditando ser uma empresa idônea, e novamente me foi informado que teria 1 ano de garantia sim, mas que seria registrada outra reclamação porque eu exigia o produto nacional e não o importado. Queria o que me foi vendido, produto Sony Brasil com garantia de 1 ano.

No mesmo dia recebi um e-mail do Shoptime informando que o que comprei foi o que eu recebi. Óbvio que não foi. Respondi ao e-mail e até hoje não responderam de volta. Isso foi no dia 28 de Fevereiro.

No dia seguinte liguei de novo e dessa vez, depois de me identificar dizendo o que eu fazia e que ainda estaria escrevendo um artigo sobre essa fraude toda, me transferiram para outro setor. Fui atendido com mais delicadeza e mais transparência.

A atendente me informou que iriam investigar novamente o que estava acontecendo porque a distribuidora não retornou o contato deles. E que se fosse preciso, me devolveriam o que foi gasto ou trocaria por outro produto no mesmo valor. Informou ainda que todos os produtos que vendem lÁ, leia-se Playstation 3, são importados. Mostrei alguns anúncios do site deles onde dizia ser Sony do Brasil com garantia de 1 ano. Ela então disse que entraria em contato com o setor de vendas para confirmar isso e que se caso seja o nacional, me mandaria um vale compras no valor gasto pra "comprar" o nacional, e o mais absurdo, eu teria que pagar a diferença de R$ 400,00. Isso no dia 29 de Fevereiro. Até hoje não retornaram.  Totalmente fora de questão.

Apenas para confirmar o que eu jÁ sabia, liguei para uma entidade civil de advogados sem fins lucrativos da qual sou filiado, chamada Proteste (http://www.proteste.org.br), e me informaram que o Shoptime estaria fazendo propaganda enganosa, que eles são obrigados a me enviar o produto que comprei, e não um similar, no caso o importado.

Nesse dia finalmente consegui falar com a distribuidora desse Playstation 3, a SAF Genesis através do 0800. Vale lembrar que fiquei mais de duas semanas ligando e só dava ocupado.

A atendente disse que o produto "deles" são todos importados e que a caixa jÁ vem assim toda em português de fora do Brasil. Na mesma hora eu informei que a Sony disse que seria fraude e falsificação. Prontamente a atendente me disse que iria investigar com outra empresa que importa o produto.


Falei do manual onde ele foi alterado e re-impresso com o logotipo da SAF. Informei que a Sony não autoriza esse tipo de coisa, que caracteriza crime de violação de direitos autorais. Novamente a atendente disse que jÁ vem tudo assim de fora do Brasil, e em seguida desligou o telefone.

{break::Conclusão... Que conclusao?!?}

É bom que se diga que isso acontece com todas as lojas virtuais e físicas. Se você comprou um Playstation 3 recentemente achando ser a versão nacional e que ainda estÁ dentro da garantia de 1 ano, entre em contato com a Sony e peça informações sobre o aparelho. Na mesma hora a atendente informa se é de fato o nacional. Se for, sorte sua, você não foi enganado. Mas se não for, tome suas providências, ligue para onde você comprou e exija o produto nacional. Não importa o tempo de uso, se o consumidor descobrir que foi enganado dentro do prazo da garantia, ele pode exigir a troca pelo produto original comprado. A lei dos 7 dias não vale nesse caso, ou seja, pode pedir a troca com 1 semana, 1 mês, 6 meses, etc.

É importante informar que o Playstation 3 Slim 160Gigas, nacional com garantia de 1 ano é tabelado em R$1.399,00. JÁ a versão importada custa entre R$750,00 e R$1.000,00.

Até agora estou aguardando um posicionamento oficial e final do Shoptime. Esta semana entrarei em contato novamente com eles. Pelo visto essa história estÁ longe de acabar.

Existe um lado pior ainda: caso seu produto importado apresente algum defeito, você deverÁ enviar o Playstation 3 para a distribuidora em São Paulo, pagando todos os custos, o que pode chegar a ser mais caro do que mandar consertar em uma assistência qualquer.
No caso do produto nacional, não importa onde você more, a Sony é que vai até a sua casa, através dos correios, retirar o produto. O consumidor não gasta absolutamente nada.

Prova de que a caixa é adulterada, com etiqueta de outro produto por cima do que estÁ impresso:

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Como disse no início do artigo, enfim, estamos no Brasil.

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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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