Windows Phone ganha mais uma chance de se popularizar na MWC 2012

A Microsoft tem se dado mal no mercado de smartphones hÁ anos, desde os tempos de Windows Mobile. Recentemente, a empresa investiu pesado no Windows Phone, fechou acordo com a "ex-principal fabricante" de smartphones Nokia e arrancou elogios da mídia internacional com seu novo sistema operacional, o Windows Phone 7.5. Por que não comemorar? Porque o WP7 continua, junto com o navegador Opera, no hall das melhores coisas do mundo que ninguém usa.


Lumia 800, primeiro aparelho Nokia com Windows Phone 7

A verdade é que, falando em fatia de mercado, o pedaço do bolo da Microsoft é ainda menor que antes. Voltando pra 2006, quando o sistema utilizado ainda era o Windows Mobile, a Microsoft possuía 11% do mercado de smartphones (e a briga era com o Symbian). Hoje, com o Windows Phone, a participação de mercado beira os 2%, bem próximo do Bada e precisando de um binóculo para ver os distantes Android e iOS, com 50% e 25% respectivamente. 2% não é um número que costuma arrancar sorriso de investidores.

Onde estÁ a esperança para o sistema deslanchar? Um caminho é seguir o que a Google fez com o Android, e uma das razões de seu sucesso: o sistema Android cobre desde os smartphones "top" até os quase-dumbphones. E é exatamente isto que parece estar a caminho, com a versão Tango do Windows Phone, desenvolvida para ser compatível com aparelhos mais "fraquinhos", e o rumor é que a Nokia irÁ lançar o Lumia 610 na Mobile World Congress, um smartphone de entrada.

Investir neste segmento de entrada pode ser uma boa saída, pois cria outro mercado para o Windows Phone ganhar mais espaço, e pode inclusive trazer produtos muito promissores. Digo isto porque se a Microsoft zomba dos processadores multi-core, dizendo que seu sistema "top" só precisa de uma CPU single-core, um sistema ainda mais otimizado deve rodar muito bem em smartphones mais modestos. CÁ entre nós, o Android não traz uma experiência de uso muito boa quando falamos de smartphones com especificações mais leves, e as atualizações do sistema muitas vezes deixa os aparelhos piores (e fazem o pessoal que chiou pelos updates se arrepender do que pediram). JÁ vi Xperia Mini que precisou fazer downgrade para o despertador voltar a funcionar.

O que a Microsoft não deve fazer, se baseando na Google, é adotar a liberdade excessiva dada às fabricantes e às operadoras para modificarem o sistema. Considero esta a maior falha do SO Android, e o resultado disso são aberrações como aparelhos da Claro sem Gmail ou smartphones com plenas condições de receber updates, mas que ficarão estacionados em algo obsoleto. Sempre fica a sensação que a fabricante prefere te empurrar um aparelho novo, para que você possa usar as novas versões do Android. Não raro, dizer que virÁ com Ice Cream Sandwich parece ser um dos poucos "features" de aparelhos lançados recentemente, comparado-os com a geração anterior.

Hoje, a Microsoft possui critérios mais rígidos para as fabricantes, determinando as especificações do aparelho. Não chega a ser como a Apple, que segue o estilo Henry Ford: "vendo carros de todas as cores contanto que sejam pretos", mas também não pode descambar para o carnaval que é o Android, que paga o preço da diversidade na incompatibilidades de aplicativos em alguns aparelhos. Não é a toa que, no Android Market, todo comentÁrio de aplicativo é do tipo "ótimo programa, rodou bem no meu Motorola Galaxy Play" (aparelho Frankstein meramente ilustrativo). A empresa do Bill Ballmer pode criar uma filosofia intermediÁria entre os dois sistemas, e criar o tal do "terceiro cavalo" na corrida dos sistemas para smartphones que a Nokia se referiu ao bancar a criança birrenta e não adotar o Android, como até o pessoal aqui do site pedia para que ela fizesse.

Vejamos o que teremos na MWC, quem sabe enfim a Microsoft saia desta participação de mercado que, considerando o investimento e todo o peso da empresa no mercado de tecnologia, ainda beira o patético. Por hora, três coisas difíceis de se ver por aí: unicórnios, smartphones com Windows Phone e um Android rodando a versão Ice Cream Sandwich (também gostaria de saber onde vendem o sanduíche de sorvete, não o sistema, mas o doce, que é muito bom mas não se acha em qualquer mercado por aí...)

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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