30 anos de PC. Ascensão e queda do computador pessoal

Na última sexta-feira, dia 12 de agosto de 2011, se comemorou o aniversÁrio de 30 anos do primeiro computador pessoal da história. Coube à International Business Machines, mais conhecida mundialmente pela sua sigla, IBM, a honra de fabricar o 5150 PC.

Na época, o 5150 PC – que tinha memória RAM de "apenas" 16KB e não possuía disco rígido nem monitior – representou um verdadeiro marco para a indústria da computação, e uma mudança de paradigma no setor, revolucionando o modo como as pessoas interagiam com mÁquinas computacionais, até então, algo extremamente restrito e distante da população.


(IBM 5150 PC)

Ainda que custasse US$ 1.565,00 – valor considerado muito caro para a época – o 5150 PC representou uma proposta de "popularização" do computador para os usuÁrios domésticos e pequenos e médios empresÁrios. O sucesso do primeiro PC da IBM foi tamanho, que as projeções de vendas de 240 mil unidades em 5 anos foram atingidas jÁ no primeiro ano de lançamento do computador.

Vale, no entanto, frisar que o 5150 PC não foi exatamente o primeiro computador pessoal do mundo. Ele foi precedido por muitos sistemas com formato de desktop, como foi o caso do Apple II, família Atari de 8 bits, o próprio IBM 5100, Commodore PET, Osborne 1, Tandy TRS-80 e outros. Contudo, o IBM PC, que utilizava microprocessador Intel i8088 (4.77MHz), sistema operacional de disco da Microsoft (DOS) e uma arquitetura que permitiu reduções nos custos de produção, possibilitou, não apenas se tornar um hardware popular no início dos anos 80, mas definir um padrão para a multitrilionÁria indústria da computação pessoal.


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A ideia principal por trÁs do IBM 5150 PC foi a da modularidade, permitindo o estabelecimento de uma rÁpida configuração de sistemas de acordo com as demandas dos usuÁrios, algo que reduziu os preços de tais computadores pessoais em comparação com as ofertas da concorrência. No entanto, outra estratégia que revelou-se fundamental para o sucesso do PC – e que é atualmente utilizada até os dias de hoje – foi a permissão para que empresas terceiras desenvolvessem mÁquinas "clones" – ou baseadas em seu padrão, além da fabricação de softwares para as mÁquinas.


Podemos afirmar, sem medo de errar, que nos últimos 25-27 anos, o segmento da indústria da computação ficou em uma espécie de "estagnação" no que se refere à inovação e novos paradigmas. O mercado chegou a "ensaiar" uma mudança no final dos anos 90 com o surgimento dos primeiros PDAs, mas a iniciativa fracassou no início dos anos 2000, com o advento dos modernos celulares.


(Palm Pilot 1000)

Em 2007, com o advento do lançamento do primeiro iPhone, a indústria da computação passou por um novo turbilhão. O "celular" da Apple era muito mais do que um "simples" aparelho para estabelecer comunicação de voz: tratava-se, sem dúvidas, de um novo paradigma da computação pessoal.

Atualmente passamos por uma "era" de transformação onde é impossível dizer com precisão aonde que iremos chegar. A cada dia surgem novas idéias e conceitos para a computação pessoal. Um claro exemplo disso se deu com os processadores ARM, que inauguraram um novo segmento da computação, com o advento dos tablets e dos superphones (ou se preferirem, das novas gerações de smartphones).


(Apple iPhone)

Embora o segmento dos "PCs" ainda continue amplamente presente em nosso dia a dia, inúmeras pesquisas apontam que o mercado dos computadores pessoais estÁ diminuindo. Segundo o IDC, houve uma redução de 4,4% nas vendas de PCs no primeiro trimestre de 2011 na comparação com o mesmo período de 2010.

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Em artigo publicado nesta semana no blog "Building a Smart Planet", Mark Dean, diretor tecnológico da IBM para Oriente Médio e África, disse que 30 anos após trabalhar no primeiro PC da companhia, esses equipamentos ficaram defasados.

O executivo disse ainda estar orgulhoso de a IBM ter decidido abandonar, em 2005, o segmento dos computadores pessoais, e vendido a divisão de PC para a Lenovo. Dean se disse surpreso em poder vivenciar a "queda" dos computadores pessoais – prevendo que estes terão o mesmo destino dos discos de vinil e das mÁquinas de escrever – apesar de confessar que os desktops continuarão com um papel muito importante nos próximos anos.


(Samsung Galaxy Tab)

Embora utilize atualmente um tablet, Dean prevê que o futuro da tecnologia vai além dos PCs, tablets e dos smartphones. Para o executivo, estÁ claro que a inovação aponta não para os dispositivos, mas nos ambientes sociais que hÁ neles, onde as pessoas e as ideias se encontram e interagem.

Termino este breve "ensaio" tecnológico, provocando a manifestação de nossos leitores. Para você, serÁ mesmo o fim dos computadores pessoais (desktops/notebooks)? Onde que o futuro nos levarÁ?!

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  • Redator: Filipe Braga

    Filipe Braga

    Filipe Braga é um cearense extremamente simpático formado em Ciências da Computação e apaixonado por computadores e tecnologia em geral. Também participa de reviews de hardware, especialmente placas de vídeo, processadores e placas mãe.

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