Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)
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Monitor com MAIS Hz ganha jogo? Fizemos o experimento!

Colocamos uma tela de 360Hz para ver se jogamos melhor!
Por Saori Almeida, Diego Kerber 23/01/2022 14:05 | atualizado 23/01/2022 14:29 Comentários Reportar erro

Faz tempo que os monitores de 60Hz se tornaram passado em setups para games competitivos, enquanto as configurações de 120Hz, 144Hz e até 240Hz já estão começando a ficar mais comuns de passar por aqui no Adrenaline. Mas, mesmo com tantos modelos entusiastas passando aqui pela redação, um monitor impressionou ao trazer um recurso que nunca havíamos testado antes: uma taxa de atualização de 360Hz!

 

Página oficial ROG Swift 360HZ PG259QNR

O primeiro monitor capaz de atualizar sua imagem 360 vezes por segundo a chegar por aqui é o ROG Swift 360Hz PG259QNR. Estamos falando de um modelo extremamente entusiasta, desde seu design bastante diferenciado atpe o suporte a tecnologias como G-Sync, tempo de resposta de 1ms, tela HDR10 e recursos avançados como o Nvidia Reflex Analyzer que, combinado a periféricos compatíveis, pode entregar relatórios detalhados sobre as latências do seu setup gamer.

Especificações técnicas ROG Swift 360HZ PG259QNR

- 24.5 polegadas
- Painel IPS
- Resolução FHD (1920 x 1080)
- Saída Full HD (1920 x 1080) de 120Hz no PS5 e Xbox Series X/S
- Taxa de atualização 360Hz
- Tempo de resposta 1ms
- Nvidia G-Sync
- Suporte NVIDIA Reflex Latency Analyzer,
- Suporte HDR10
- Proporção 16:9
- Densidade de pixel 0.2830mm
- Relação de contraste 1000:1
- Ângulo de visão 178°/ 178°
- 16.7M de cores
- Brilho 400cd/
- 1x DisplayPort 1.4
- 1x HDMI 2.0
- 2x USB 3.0
- LEDs traseiros

 

NVIDIA Reflex Latency Analyzer - como ativar e  configurar

A metodologia

Nosso foco hoje vai ser dar uma olhada na configuração de tela de 360Hz. Ou melhor, o quanto ela importa na experiência e na performance dos games. Para isso, transformamos o Adrenaline e seus profissionais em cobaias de um grande experimento: fizemos a galera jogar em diversas configurações e tentar encontrar as diferenças que elas trazem para a jogatina!

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Usamos o software Aim Lab, um aplicativo gratuito disponível na Steam e que serve para treinar a pontaria em games de FPS, com direito a vários cenários para praticar e também uma boa quantidade de dados estatísticos de desempenho.

Link para o Aim Lab

Testamos três cenários, buscando situações que desafiam o reflexo e a precisão da equipe do Adrena:

Teste 1 - Encalço de movimento -  o jogador precisa manter a mira em uma bola deslizando horizontalmente pelo mapa de forma aleatória
Teste 2 - Ninja - o jogador precisa atirar em uma bola que se move rapidamente pelo mapa em um padrão aleatório
Teste 3 - Reflexo - o jogador precisa atirar em bolas estáticas que surgem aleatoriamente em seu campo de visão

Fizemos os testes em quatro configurações do monitor:  os 360Hz do modelo ROG, 240Hz que é uma configuração high-end, 144Hz que está entre uma das mais populares entre os modelos gamers e por fim 60Hz, a tradicional dos monitores mais básicos para PC. Todos os participantes fizeram uma rodada completa em que os dados foram descartados, onde puderam aprender como é cada teste, além de fazer ajustes como configuração de DPI e até trocar o mouse de lugar, afinal temos dois canhotos na nossa amostragem.

Para evitar que o ganho de experiência dos participantes influenciasse no teste, tivemos três trajetórias para os participantes, separados entre:

Os com melhoria no ajuste: a cada rodada progridem - de 60Hz para 144Hz para 240Hz e, por fim, 360Hz;
Os com piora no ajuste: a primeira rodada de testes é em 360Hz, progredindo para 240Hz, 144Hz e por fim 60Hz;
Os com ajuste aleatório: começa em 144Hz, reduz para 60Hz, progride para 240Hz e por fim 360Hz.

Os testes devolvem uma pontuação baseado nas estatísticas mais relevantes para os testes, e ao longo de nossa bateria também salvamos outras informações e vamos exibindo ao longo do artigo, quando acharmos pertinentes. Começando pela pontuação:

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Nosso primeiro gráfico mostra uma tendência clara de melhoria dos participantes com a evolução das taxas de atualização da tela. A melhoria chega a superar os 10% quando comparamos os 60Hz versus as configurações mais altas. Aqui entra um elemento crítico: a redação está ficando melhor no game porque a frequência é mais alta, ou porque estamos melhorando a cada rodada? Aí entram nossos grupos de controle - abaixo temos a evolução por rodada do teste:

 

Aqui vemos que sim, nossos participantes também se tornaram jogadores melhores a cada nova rodada do teste. Aqui é importante destacar que nem sempre a taxa de quadros na última rodada era melhor que nas anteriores, mas vemos que as pontuações melhoram nos 240Hz e 360Hz mesmo considerando que alguns jogadores tiveram piora em sua configuração nas últimas rodadas.

Assim, podemos concluir que taxas de atualização mais altas subiram a performance dos participantes, assim como o aumento da experiência com o game. O teste 2 foi mais afetado pelas taxas de atualização do monitor, enquanto o teste 1 foi onde a curva de aprendizado da redação foi mais relevante. O teste 3 foi mais impactado pelo aumento dos Hz da tela, enquanto a experiência dos participantes no teste fez praticamente nenhuma diferença.


Mais Hz quer dizer mais kills?

No próximo critério, analisamos o tempo de resposta dos jogadores, considerando o tempo médio para realizar cada "kill" nos testes 2 e 3. Novamente, temos os testes agrupados pela evolução na taxa de atualização do monitor e também no progressivo ganho de experiência da redação em jogar o game.

 

 

 

 

 

 

Novamente temos uma evolução perceptível em favor da taxa de atualização, com frequências mais altas entregando resultados até 10% melhores. Como estamos falando de tempo médio necessário para cada eliminação, menor é melhor. No teste 2, tivemos em média de 2 décimos de segundo de redução comparando 60Hz e os melhores resultados em altas taxas de atualização. No teste 3, também houve uma melhora, mas o ganho é bastante baixo, lembrando que nele os alvos estão estáticos, versus o testes 2 em que temos alvos em alto movimento, um cenário onde a taxa de atualização mais alta também ajuda no entendimento do movimento do alvo.

Dessa vez, o ganho de experiência não impactou positivamente no resultado e houve até mesmo uma leve piora no Teste 2 ao longo das múltiplas rodadas.

 


Mais Hz melhora pontaria?

Analisamos também a precisão dos jogadores ao longo dos testes, e quando comparamos a evolução com frequências mais altas e a evolução com o ganho de experiência dos participantes, vemos leves tendências de aumento em ambos os cenários.

 

 

 


Ser bom ou ruim modifica os resultados?

Isolamos também as pontuações dos dois melhores e os dois piores participantes de nossos testes, buscando ver se há uma influência maior ou menor da configuração dos monitor dependendo do nível de performance do jogador. Aqui novamente temos uma tendência perceptível de evolução tanto nos melhores quanto nos piores.

 

Sem dúvidas o Teste 2 foi o mais impactado, lembrando que aqui nossa base amostral é bem menor (só dois participantes), com as frequências mais altas fazendo toda a diferença quando temos um alvo muito rápido se deslocando pela tela. Curiosamente, nossos dois melhores participantes fizeram uma trajetória invertida, com um indo dos 60Hz aos 360Hz, e o outro o oposto.

Nesse cenário, quem recebeu uma taxa de atualização mais alta evolui de forma progressiva, fazendo os scores 65.950 (60Hz), 92.820 (144Hz), 96.142 (240Hz) e 111.649 (360Hz), enquanto o participante que recebeu a piora no ajuste não conseguiu manter uma boa pontuação em sua última rodada, em que jogou em 60Hz, pontuando respectivamente 88.393 (360Hz), 109.268 (240Hz), 110.277 (144Hz) e 85.014 (60Hz).

 

Olhando os nossos dois piores jogadores, temos novamente o Teste 3 trazendo resultados pouco impactados pela taxa de atualização, o Teste 2 com uma melhora progressiva graças a tela com mais Hz e, claro, o que saltou aos olhos foi o Teste 1 e a variação dos 360Hz. Como estamos com uma amostragem muito menor, uma variação grande de um participante impacta muito mais no testes, e depois de revisar várias vezes, é isso mesmo. Um dos participantes saltou de 19.203 (144Hz), para 18.425 (60Hz), para 16.083 (240Hz) e por fim 54.207 (360Hz), uma variação de quase 3 vezes!  O outro participante usado nessa amostragem também evoluiu junto com o aumento da taxa de atualização, mas bem menos, seguindo em: 30.558 (60Hz), 42.785 (144Hz), 50.850 (240Hz) e 64.428 (360Hz). Mesmo sendo menor, ainda foi um incremento de 2x.

O Teste 2 é o mais desafiante, já que a bolinha se esquiva mais rapidamente, e foi o que apresentou a maior variação no número de elimições alcançadas pela redação. Abaixo vemos novamente uma evolução dos participantes em frequências mais altas, até mesmo entre aqueles que jogaram com alta taxa nas primeiras rodadas.

 

 

Ganha jogo ou não?

Olhando todos os dados, fica claro que a taxa de hertz do monitor trouxe um impacto na performance dos participantes do experimento, e é impressionante ver que surgiu um padrão mais perceptível de melhora com a taxa do monitor do que outros fatores como o ganho de experiência dos participantes. Em alguns testes, vemos em média a redação ganhando alguns décimos de segundo na velocidade que eliminou os alvos, bem como um aumento no número de alvos eliminados. 

Em geral, vemos melhores resultados dos participantes com monitores de taxas mais altas de atualização

Talvez o padrão mais inesperado foi descobrir que 240Hz é o número mágico da redação Adrenaline. Claramente os participantes da pesquisa jogam melhor nessa frequência. Curiosamente os 360Hz não trouxeram de forma constante um incremento, com teste trazendo leve ganho, outros piorando a performance dos participantes. Não temos certeza do que causa esse efeito, apenas podemos teorizar: como é uma frequência que ninguém teve contato ou tem o hábito de usar, pode ter acontecido um estranhamento com a nova configuração. Um bom exemplo desse efeito é o filme Hobbit, um filme que ganhou a atenção por rodar a 48 quadros por segundo ao invés do tradicional 24 quadros. Em teoria, o ganho de fluidez é uma vantagem, mas na prática, muitos estranharam o efeito:

O nosso experimento mostrou como os hertz da tela não são apenas uma questão de performance. Foi praticamente uma unanimidade dos participantes o incômodo de jogar em 60Hz, com efeitos como a falta de fluidez dos movimentos e a sensação de atraso nos comandos. A tela de 144Hz já se mostrou bastante positiva, com o ganho para 240Hz perceptível para alguns, mas pouquíssimos diferenciaram claramente 240Hz de 360Hz, tornando as configurações entre 144Hz e 240Hz os "sweet spots" para quem vai montar um PC Gamer, e inclusive deve estar entre as prioridades de quem quer jogar competitivamente.

Um monitor de 144Hz ou 240Hz devem ser o sweet spot em ganhos de desempenho e custo

Mas um fator importante a ser considerado é o hardware para jogar em alta taxa de quadros. Mesmo com um bom hardware, equipado com Ryzen 7 3800X, memórias DDR4 @3200MHz e GeForce RTX 3060, o Aim Labs rodou abaixo dos 360fps mesmo em configurações gráficas intermediárias. Altas taxas de quadros demandam poder computacional enorme, e não é fácil ultrapassar a barreira dos 300fps em muitos títulos, mesmo os competitivos.

Um hardware melhor dão alguns milissegundos de vantagem, mas que não vão fazer diferença nenhuma se o jogador não for capaz de aproveitá-los

Com o aumento de kills e reduções nos tempos de resposta, dá pra ver como há margens de performance que podem ser incrementadas com o uso de um equipamento melhor, mas obviamente isso é longe de ser um fator definitivo para uma vitória. Para quem joga competitivamente, esses números com certeza são positivos, mas ainda é o jogador quem realmente faz a diferença. Não adianta o monitor te entregar mais um décimo de segundo de tempo para reagir, se você vai "moscar" e perder essa chance.

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  • Redator: Saori Almeida

    Saori Almeida

    Saori Almeida é natural do Rio Grande do Sul, técnica em administração formada pelo Centro Tecnológico de Caxias do Sul (CETEC) e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Gosta da cultura asiática e nerd no geral e tem interesse crescente por tecnologia e games desde pequena - gosto que se intensifica diariamente na redação.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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