Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)

DDR4 vs DDR5: qual é melhor? (mais de 100 testes!)

Testamos múltiplas configurações das tecnologias pra ver o quanto muda
Por Diego Kerber 19/12/2021 14:28 | atualizado 20/12/2021 11:40 Comentários Reportar erro

Com a introdução das memórias DDR5 em computadores domésticos, junto com a chegada da 12ª geração Intel Core, codinome Alder Lake, surge a curiosidade dos efeitos que esse novo recurso traz. Nós já fizemos um artigo detalhado falando da parte técnica, mas aqui o enfoque será outro: vamos colocar as memórias DDR5 para trabalhar, comparando vários módulos equipados com a nova tecnologia comparado com diferentes módulos baseados no DDR4.

Para nosso comparativo, felizmente temos uma geração de transição: os Alder Lake possuem controladoras capazes de operar tanto com memórias DDR4 quanto DDR5, dependendo de qual opção a mainboard traz em seus slots. Assim dá para montarmos uma bancada essencialmente igual, mudando apenas a memória RAM usada, e assim comparar os resultados que somos capazes de obter com cada uma.

Sistema utilizado:

- Intel Core i9-12900K - link de compra - análise
- Nvidia GeForce RTX 3080 Ti Founders Edition - análise - link de compra
- Fonte Cooler Master V850
- Bancada aberta

Para DDR4:

- Gigabyte Z690 Aorus Elite - site oficial

- 1x16GB Kingston Fury Beast @3200MHz CL16
- 2x16GB Kingston Fury Beast @3200MHz CL16
- 2x16GB Kingston Fury Beast @4800MHz CL19
- 2x8GB Kingston Fury Beast @5333MHz CL20

Para DDR5

- Gigabyte Z690 Aorus Master - site oficial

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- 1x16GB Kingston Fury Beast @4800MHz CL 38
- 2x16GB Kingston Fury Beast @4800MHz CL 38
- 2x16GB G.Skill Trident RGB @5600MHz CL 38
- 2x16GB T-Force Delta @6400MHz CL 40

Para os testes vamos usar duas mainboards Aorus da Gigabyte, modelo Z690 Master, que possui suporte a DDR5, e a Aorus Z690 EliteAX DDR4, que é compatível com DDR4. A exceção é o testes com as memórias T-Force Delta, pois a Aorus Master não "subiu" ela com frequência de 6400MHz , então para testar em 6400MHz entrou em ação a ASUS ROG Maximus Z690 Hero que conseguiu estabilizar.

Rodamos uma bateria que inclui desde testes sintéticos, passando por aplicativos profissionais e também testes em games, tanto combinando essas memórias com uma placa de vídeo dedicada Nvidia GeForce RTX 3080 Ti Founders Ediiton quanto usando os gráficos integrados Intel UHD 770.

Testes sintéticos e profissionais

Começando pelos testes sintéticos, as latências ainda mostram uma clara vantagem para as memórias DDR4, que ficam à frente de praticamente em todas as configurações de DDR5, um impacto dos timmings mais altos das memórias DDR5 disponíveis hoje no mercado. Na frequência de 4800MHz, o DDR4 e seu timming CL19 é 20% mais rápido que o CL38 do DDR5. 

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Mas quando analisamos os tempos de leitura e escrita, a situação se inverte. Os testes em DDR5 ficam em clara vantagem, com o DDR4 e DDR5 empatados quando ambos estão a 4800MHz, mostrando como a latência não impacta tanto quando temos um fluxo constante de dados sendo movidos. Como o DDR5 tem as frequências mais altas, o resultado é uma vantagem geral para os módulos na nova tecnologia.

Na descompressão no 7-zip temos novamente uma clara vantagem para as frequências maiores, mas também surge outro diferencial. Em 4800MHz temos um empate técnico entre o DDR4 e o DDR5... em single-channel. Aqui a nova arquitetura que divide cada canal em dois novos canais de 32-bit do DDR5 parece mostrar seu valor, e operando na mesma frequência um dual-channel DDR5 entrega 53% mais performance que um dual-channel DDR4, enquanto o single-channel DDR5 tem o mesmo desempenho que um dual-channel DDR4. 

No modo descompressão temos resultados bem menos empolgantes, com algo como 5% separando os melhores dos piores resultados, algo bem pouco interessante.

Fechando os testes profissionais e sintéticos vemos um salto respeitável no render do Premiere. Aqui não foi usado a placa de vídeo no render, e o single-channel tanto do DDR4 quanto o DDR5 claramente limitaram a performance do sistema, mas novamente vemos como a nova arquitetura das memórias é mais eficiente mesmo quando temos apenas um canal de comunicação. Enquanto as memórias DDR4 mais que dobram o tempo de renderização quando estão apenas com um canal, a perda de performance no DDR5 é bem mais modesto, ficando apenas 30% mais lento. Tirando esse fator, as memórias mais rápidas DDR4 e DDR5 se embolam, dependendo do balanço de timmings e frequências trazendo vantagem para uma ou outra.

Games (RTX 3080 Ti)

Os testes em games são um tédio. Counter Strike a variação são de míseros 6% da melhor para a pior memória. Quando analisamos Rainbow Six Siege, a diferença aumenta um pouco mais, mas nada significativo, só uma progressão natural das melhores memórias ficando acima das configurações mais lentas. Curiosamente o DDR5 se saiu levemente melhor em single-channel, algo que pode ter sido causado pela menor latência da configuração single-channel. E a diferença é de pouco mais de 1%, então longe de ser algo relevante. 

Mas é em Red Dead Redemption 2 que vemos as maiores mudanças, com o single-channel do DDR5 entregando performance melhor ou igual a todas as configurações do DDR4, inclusive empatadando com a configuração em 5333MHz, ou seja, com o DDR4 operando em uma frequência mais alta e com timmings mais baixos. Com ambas em 4800MHz e em dual-channel, o DDR5 foi 7,5% mais rápido que o DDR4. Foi a diferença mais significativa, mas não chegou aos dois dígitos percentuais.

Games (Intel UHD 770)

Com os gráficos integrados limitamos nossos testes às frequências de operação suportadas. Como bancadas limitadas aos gráficos integrados costumam ser builds mais econômicas, testamos o cenário onde a maioria dos consumidores, que vão apostar em mainboards de entrada, vão poder usar suas memórias.

Deopis de um empate em Rainbow Six Siege e leve vantagem para o DDR4 no 3DMark, pela primeira vez temos mais claramente uma diferença de mais de dois dígitos percentuais. O DDR5 de entrada (4800MHz) bateu a configuração padrão do DDR4 (3200MHz) por 11% em Counter Strike.

Conclusão

Olhando os testes como um conjunto, definitivamente ainda não vemos aqueles saltos que são o sonho de consumo entre gerações. Não que não existam bons momentos, como o salto no 7-zip e também em testes sintéticos de leitura e escrita do AIDA64. Mas na prática essas diferenças caem para um mundo entediante de diferenças pífias, com alterações com que várias vezes nem chegam aos dois dígitos percentuais. 

Mas as coisas mudam um pouco de figura quando colocamos o preço e a disponibilidade na balança. Uma memória DDR4 @ 3200MHz é bastante acessível, ou até mesmo configurações em 3600MHz podem ser adquiridas por valores baixos. Já o DDR5 não é nem uma questão de preço: no momento temos um grande desabastecimento desse componente. As memórias DDR5 trazem os controladores de energia integrados, os PMIC, que atualmente estão escassos. O resultado é a clara inexistência de kits DDR5 para compra no mercado.

O suporte a frequências mais altas e a maior eficiência da nova distribuição dos canais de comunicação mostram um potencial alto para o DDR5 no futuro, especialmente quando chegarem memórias estáveis em timmings menores. Mas no momento focar na atualização para o DDR5 não deve ser uma prioridade nem mesmo para quem possui uma plataforma compatível, como a 12ª geração Intel Core. O DDR4 não apenas é capaz de entregar um nível semelhante de performance aos módulos DDR5 atuais como tem uma enorme vantagem de, diferente do DDR5, ser possível achar para compra.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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