Créditos: Alienware

Este PC gamer consome tanta energia que a Califórnia proibiu sua venda; e não será o único

Outros estados norte-americanos também têm leis que restringem a venda de máquinas "de alto consumo" em prol da eficiência energética
Por Wikerson Landim 27/07/2021 18:20 | atualizado 30/07/2021 11:57 Comentários Reportar erro

Se você estiver no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e quiser comprar um Alienware Aurora Ryzen Edition R10 Gaming Desktop, isso não será possível. Devido ao alto consumo de energia de uma máquina como essa, a venda está proibida.

Além da Califórnia, outros cinco estados também proíbem a venda desse tipo de equipamento: Colorado, Hawaii, Oregon, Vermont e Washington. Essa é uma medida benéfica para os consumidores ou esse tipo de restrição não deveria existir? O tema, é claro, ainda dará margem para muitos debates.

Por que a venda de PC gamers de alto consumo está proibida?

Antes de entender o motivo da proibição, precisamos conhecer um pouco mais sobre a legislação local que deu origem a esse empecilho. A California Energy Comission (CEC) tornou obrigatório um padrão de eficiência energética nos PCs que são vendidos no estado. A lei é ampla e inclui desktops, all-in-ones e sistemas mobile nas mesmas especificações.

Qualquer máquina fabricada após 1º de julho de 2021 ficará restrita a 50, 60 ou 70 kWH por ano

O texto entrou em vigor em 1º de julho de 2021 e, em linhas gerais, determina o seguinte: “Máquinas fabricadas entre 1º de janeiro de 2019 e 1º de julho de 2021 não podem utilizar mais de 50, 80 ou 100 kWH por ano. Qualquer máquina fabricada após 1º de julho de 2021 ficará restrita a 50, 60 ou 70 kWH por ano”. O texto completo pode ser lido aqui e engloba diversas outras especificações técnicas até que se chegue no valor limite de cada máquina.

Indicativos de limitação de consumo de energia segundo a CEC. Imagem: CEC/Reprodução

De acordo com as especificações técnicas divulgadas pela Dell, o Alienware Aurora Ryzen Edition R10 Gaming Desktop consome 66.29 kWH por ano quando ocioso (idle) e até 563 kWH quando trabalhando intensamente. Segundo a Dell, essa restrição se aplica apenas algumas máquinas Alienware Aurora R10 e R12 em determinadas configurações.

Um tema controverso e que ainda requer esclarecimentos técnicos

Embora PCs para jogos tenham sido afetados com a medida, a legislação foi estabelecida levando-se em consideração o uso cada vez mais intenso e desmedido da computação nas mais diversas áreas. De acordo com um relatório de 2015 da Semiconductor Industry Association (SIA), se levarmos em consideração o consumo atual e a velocidade com que ele vem aumentando, teremos um cenário insustentável até 2040.

“A energia requerida para a computação irá exceder a capacidade estimada de produção mundial”, diz o texto. Em outras palavras, pode ocorrer um colapso do sistema, com energia insuficiente para atender às demandas operacionais, o que paralisaria cidades inteiras. Outro relatório mais recente, também da SIA, destaca ainda que “mudanças revolucionárias na computação serão necessárias em breve”.

Entre 2030 e 2040, consumo estimado de energia será maior que a produção. Imagem: SIA/Reprodução

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“O total de energia consumida para fins gerais de computação continua crescendo exponencialmente, dobrando seu volume aproximadamente a cada três anos; enquanto isso, a produção de energia no mundo cresce de forma linear, a um índice de aproximadamente 2% ao ano”.

Os limites de eficiência energética nos computadores foram aprovados por unanimidade em 2016 pela CEC. Por lá, a estimativa é que computadores e monitores sejam responsáveis por cerca de 3% da energia residencial e 7% da energia comercial utilizada no estado. Depois disso, outros estados adotaram padrões ideais de consumo similares.

E o que o futuro nos reserva?

Ainda é cedo para mensurar quais serão os impactos diretos e indiretos de medidas como essas na indústria de hardware. Se por um lado a eficiência energética está na pauta de muitos fabricantes, por outro os PCs que se comportam como verdadeiras “usinas de força” também são parte importante para o desenvolvimento do setor.

A preocupação com o alto consumo de energia não está restrita a algumas poucas regiões estadunidenses. Na Europa, equipamentos considerados energeticamente eficientes são preferidos pelos consumidores e por lá há também legislações que incentivam o desenvolvimento de tecnologias mais “verdes”.

Razer SEA HQ, em Singapura: alimentação total por energia renovável até 2025. Imagem: Razer/Divulgação

Assim, essas restrições podem incentivar também os fabricantes a buscarem uma maior eficiência energética em seus produtos – o que também é positivo para o desenvolvimento da indústria. Mas será que privar o acesso dos consumidores a essas máquinas é o melhor caminho? Sem dúvida, trata-se de um tema que merece ser debatido.

E você, o que pensa sobre isso? Limites como esse, benéficos para a sociedade, são prejudiciais à indústria ou funcionam como um incentivo na busca por inovação? Vamos conversar nos comentários.

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Fonte: The Register, Vice, California Energy Comission, Semiconductor Industry Association, Gizmodo, ExtremeTech
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  • Redator: Wikerson Landim

    Wikerson Landim

    Jornalista desde 2003 e atual Editor dos sites Adrenaline e Mundo Conectado. Em quase duas décadas, foi editor de diversos sites de tecnologia, games e entretenimento, além de produtor de conteúdo para sites corporativos. Nas horas vagas, assume o volante para dirigir caminhões no Euro Truck e em todos os jogos de corrida que surgirem pela frente.

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