Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)

Não compre mais essas placas! A surra dos modelos baratos para gráficos de entrada

As vezes nada pode ser melhor que qualquer coisa
Por Diego Kerber 31/07/2021 14:36 | atualizado 31/07/2021 14:36 Comentários Reportar erro

Os preços pesados das placas de vídeo em tempos recentes puxou um mercado como um todo, mas foi especialmente cruel no segmento de entrada, que essencialmente desapareceu. Até mesmo uma GeForce GTX 1050 Ti saltou para mais de R$ 2 mil, fazendo com que a galera com o orçamento abaixo desses valores ficasse sem muita opção.

Se o seu orçamento está abaixo dos R$ 500... aí sim só temos péssimas notícias para dar. Até existem modelos nessa faixa de preço, as famosas "placas para dar vídeo", mas que começaram a assombrar, ou melhor, aparecer, em supostos PCs Gamers de entrada. Mas... será que elas fazem algum sentido?

Nesse artigo investigamos 4 modelos:

- Nvidia GeForce GT 710 2GB DDR3 -  R$ 300 a R$ 500
- Nvidia GeForce G 210 2GB DDR3 - aproximadamente R$ 300
- AMD Radeon R5 230 2GB DDR3 - aproximadamente R$ 350
- Nvidia GeForce 9400GT que achamos no lixo e... custa nada

Para dar uma dimensão desse nível de performance, comparamos esses modelos com o que há disponível em gráficos integrados no processador em diversas gerações e patamares de preços de produtos, com CPUs tanto da AMD quanto da Intel. Ao total testamos 7 iGPUs, que incluem:

- AMD Vega 11 (Ryzen 5 3400G)
- AMD Vega 8 (Ryzen 3 3200G)
- AMD Vega 3 (Athlon 3000G)
- AMD Radeon R7 (A10-7850K)

- Intel UHD Graphics 750 (Corei7-11700K)
- Intel UHD Graphics 730 (Corei5-11400)
- Intel UHD Graphics 630 (Corei7-10700K)

Para os testes usamos os seguinte hardwares:

- CPU Intel Core i7-10700K (quando testando placas de vídeo)
- Gigabyte Z590 Vision G
- 2x8GB HyperX Fury @3200MHz CL18 DDR4 ou 2x8GB HyperX Beast @2400MHz CL9 DDR3
- Fonte Cooler Master MWE 550V

Abaixo temos o resultado. Ou melhor, cenas de um verdadeiro massacre.

- Continua após a publicidade -

Ao longo dos testes surge um padrão bem claro. As placas baratas, na cor roxa, não conseguem passar praticamente nenhum gráfico integrado. Tem algumas raras exceções, quando a GT710, a melhor das baratas, passa a AMD Radeon R7, pior gráfico integrado dos testes, presente em APUs AMD lançada em 2014. Mas isso é um extremo, já estamos falando de uma APU fora de linha. 

Mas o problema não se limita ao desempenho. Como o pessoal que acompanhou nossas lives com alguns desses modelos de entrada, o suporte limitado a APIs como DirectX 11 e Vulkan, ou mesmo a ausência de suporte, faz vários games não apenas rodarem mal: faz alguns simplesmente nem abrir nem abrir nessas placas de entrada.. Os gráficos integrados do processador, em contrapartida, em geral tem suporte a algum nível do DX11 e até DX12, como fica evidente pelo fato de que todos os modelos que testamos de iGPU conseguiram concluir os testes, mesmo as que rodam com pior qualidade.

Mas há um fator a se considerar nessa batalha de gráficos integrados versus placas de dedicadas: o custo. Apesar de já estar no processador, não significa que os gráficos são "de graça". A melhor referência é comparar a linha Intel Core F (que não tem gráficos integrados) comparado com sua contrapartida sem o F. Abaixo temos a variação nos valores de diferentes modelos, em uma pesquisa feita no dia 26/07 nos principais varejistas online:

- Continua após a publicidade -

- Intel Core i3 10100F vs Intel Core i3 10100 - modelo com gráficos integrado é R$ 300 mais caro
- Intel Core i5 11400F vs Intel Core i5 11400 - modelo com gráficos integrado é R$ 160 mais caro
- Intel Core i5 10400F vs Intel Core i5 10400 - modelo com gráficos integrado é R$ 200 mais caro
- AMD Ryzen 5 4650G vs AMD Ryzen 5 3600 - modelo com gráficos integrado é R$ 300 mais caro
- AMD Ryzen 3 4350G vs AMD Ryzen 3 3110  - modelos Ryzen 3 sem gráficos estão indisponíveis

Dado esse cenário, faz muito mais sentido o consumidor fazer o gasto adicional para pegar a versão com gráficos dos processadores e, na maioria das vezes, ele terá um incremento em desempenho. Mas há dois cuidados que você precisa ter:

1) É preciso por na conta um investimento adicional em memória RAM. As placas dedicadas possuem memórias próprias, então configurações de RAM em dual-channel com frequências mais altas, por exemplo, são menos críticas do que se você usar os gráficos integrados, e;

2) Você vai estar limitado a quantidade de saídas de vídeo da mainboard, então se vai fazer um setup multimonitor, é crucial ver se a sua placa-mãe vai ter todas as conexões necessárias

Assim as placas de vídeo abaixo dos R$ 500 hoje devem ser evitadas ao máximo. Infelizmente o segmento de entrada está péssimo, e as primeiras opções de placas modernas como a GeForce GTX 1650 vão aparecer apenas por R$ 2.599 e por impressionantes R$ 3.000 na RX 5500 X, então nesse intervalo de tempo o que há fazendo o meio do caminho são modelos mais antigos, como GTX 1030 e GTX 750 Ti (R$ 850~1000) e Radeon RX 550 (R$ 670), modelos que até superam os gráficos integrados, mas que levam a questão: será que não é melhor ficar na iGPU, e guardar mais dinheiro para um upgrade mais relevante, ou ao menos esperar por tempos melhores para um upgrade?

Também é bom ficar de olho porque a força de marcas GeForce e Radeon são usadas nesse contexto de forma a confundir o consumidor. Um computador equipado com uma placa dedicada GeForce pode dar a entender que temos um sistema competente para games, mas como podemos ver nos gráficos desse artigo, isso não é verdade. Para quem lembra, sim é uma GeForce 210 que equipava a máquina que falamos naquele vídeo dos "Core i5 idosos" sendo vendidos como PCs para games.

Nesse contexto os gráficos integrados acabam sendo não apenas uma boa alternativa, mas também a única sensata em um contexto de desabastecimento de chips gráficos e onde todas as opções nas faixas de preço mais baratos não apenas são ruins, como inclusive tem potencial para ser pior do que aquilo que já está embarcado no seu processador, atualmente.

Assuntos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.