Windows 10 vs Windows 11: games, aplicativos e tempo de boot - Qual é mais rápido?

O Windows 11 teve uma build vazada faz poucos dias, aproveitamos para fazer alguns testes comparativos
Por Fabio Feyh 23/06/2021 20:29 | atualizado 24/06/2021 09:05 Comentários Reportar erro

Na semana passada vazou o Windows 11 Dev Build 21996.1, a primeira versão do novo sistema operacional da Microsoft, que sequer ainda tinha um nome definido, mas que deve mesmo se chamar Windows 11, já que é o nome utilizado nessa build. Já fizemos alguns conteúdos mostrando como ficou a interface do sistema, explicando o que é a tecnologia TPM 2.0 (requisito da build original para a instalação), e agora é a vez de um artigo comparativo de desempenho entre o Windows 10 com o novo Windows 11.

Para o artigo, fizermos testes em diferentes situações, tentando causar um cenário com testes reais e outros sintéticos. Minha estratégia foi tentar causar um cenário que sabemos que boa parte dos usuários segue, atualizar o Windows 10 para o Windows 11, sendo assim primeiro testei todos os games, aplicativos e também fizemos um teste de boot com o Windows 10, na sequência fiz o processo de atualização do sistema operacional para o Windows 11 e refiz todos os testes.

A instalação não ofereceu manter os aplicativos instalados que tinha no Windows 10, mas deixou ao menos os arquivos e atalhos na área de trabalho, dessa forma fui obrigado a reinstalar o 3DMark, alguns aplicativos e também os games, porém dependendo o aplicativo e game, pelos arquivos continuarem no drive, não foi necessário todo o download novamente, apenas a validação da própria aplicação.

Vale destacar que o Windows 11 mantem a compatibilidade com as mesmas aplicações desenvolvidas para o Windows 10. Em nossos testes, ao menos em cima dos games e aplicativos que testamos, nenhuma mensagem de erro ou algo do gênero apareceu, ocorrendo tudo normalmente, bastando reinstalar após a atualização.


TPM 2.0 e Requisitos para instalação

O Windows 11 tem requisitos básicos de desempenho, porém, ao menos na build vazada, ele também requer que o sistema tenha suporte para a tecnologia TPM 2.0, presente em sistemas mais recentes, mas que mesmo em computadores recém-lançados o sistema pode acusar que tal tecnologia não está disponível, especialmente em computadores desktop, e isso acontece porque o TPM vem desativado na BIOS das placas-mãe.

Já temos um artigo mostrando como proceder para ativar essa função. Abaixo prints de três sistemas, sendo uma placa-mãe Asus B550, uma Gigabyte X570 e uma Gigabyte Z590, ou seja, todos modelos recentes e de alto desempenho, mas que acusam o erro até ativar a opção específica na BIOS da placa-mãe.

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Asus B550


Gigabyte X570


Gigabyte Z590

Já fizemos testes em notebooks com processadores Intel de 10ª e 11ª geração e um Intel NUC de 11ª geração que não acusaram o erro e seguiram com o processo de instalação normalmente, mas um modelo de NUC com processador Intel de 8ª geração o erro apareceu e não encontramos a opção nem entrando na BIOS, que pode indicar que a placa-mãe desse sistema não tem suporte a tal tecnologia.

Aqui temos duas situações, a primeira é que não é confirmado se essa restrição vai continuar nas demais versões ou versão final. A segunda é que já descobriram algumas formas de burlar essa restrição, entre elas substituindo um arquivo da imagem ISO de instalação do Windows 11 por um arquivo da imagem de instalação do Windows 10. Outra forma é instalar o sistema em um computador com suporte ao TPM 2.0 e depois mover o drive onde ele foi instalado para o sistema que não tem essa tecnologia, sendo que a restrição está associada a processo de instalação.

Saiba o que é o TPM 2.0, necessário para instalar o Windows 11

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Como já explicamos no artigo sobre o TPM 2.0, essa tecnologia é implementada na placa-mãe, e mesmo modelos mais recentes não trazem essa opção ativada por padrão, ou seja, sendo necessário entrar na BIOS da placa-mãe e ativar a opção para ai sim o sistema detectar o suporte a tecnologia e permitir seguir com o processo de instalação.

Abaixo algumas telas do processo de instalação:

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Já as telas abaixo são do sistema instalado, na área de trabalho e do gerenciador de tarefas e de dispositivos mostrando um pouco do sistema. Amanhã faremos a live do anúncio, mas recomendo conferir esse vídeo para mais informações e detalhes do sistema.


Sistema utilizado

Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, o mesmo para os dois sistemas operacionais.

- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce RTX 2080 Super
- CPU: AMD Ryzen 9 3900XT
- Placa-mãe: Gigabyte X570 AORUS Master
- Memórias: 32GB HyperX Predator RGB @ 3200MHz (2x16GB) CL16
- SSD: Kingston KC600 250GB + 2TB
- Cooler: Noctua NH-U12S
- Fonte de energia (PSU): Cooler Master V850

Sistema Operacional e Drivers:
- GeForce 466.xx

Aplicativos/Games:
- 7-Zip [site oficial]
- Adobe Premiere 2021 [site oficial]
- Blender [site oficial]
- CineBench R23 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Assassin´s Creed Odyssey (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- Red Dead Redemption (Vulkan)

AIDA64/GPU-Z
Através do AIDA64 e GPU-Z, vemos algumas informações técnicas do processador e placa de vídeo, como modelo, clocks, número de núcleos e threads, etc, não é algo muito importante já que ambos usam exatamente o mesmo sistema, mas vale informar.

Consumo de energia

Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:

Testes sintéticos e reais

Abaixo, temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes. Os testes consideram diferentes cenários de uso do processador e de outros componentes associados a dar mais desempenho ao sistema.

Procuramos testes de benchmarks para mostrar vários cenários bem distintos, desde uso profissional como o editor de vídeo Adobe Premiere até testes em jogos.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos, independente da arquitetura e do número de núcleos/threads. Já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

Tempo de boot - Bootracer
Para o teste de tempo de boot utilizamos o aplicativo BootRacer, que considera o tempo final até o sistema ter carregado tudo que está programado para carregar. Fiz o teste em instalações limpas do sistemas também, sem os jogos, e os resultados foram os mesmos, já que eu desativo todos os aplicativos do boot do sistema, deixando apenas o que vem originalmente.

Adobe Premiere CC
Mais um teste de renderização de vídeo, em um cenário real renderizando com o Adobe Premiere CC 2020 sem uso de GPU:

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance. Separamos um que mostra um cenário diferente dos demais: a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

CineBENCH R23
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core, já na versão R20 lançada em março de 2019:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto, possuindo também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance. Abaixo, o desempenho dos sistemas com ele:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark na opção Fire Strike Ultra (4K).

Teste em games


Agora, vamos para os games. Selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma config dos componentes utilizados.

Assassin´s Creed Odyssey
O game da Ubisoft baseado na tecnologia DirectX 11 é uma referência de software que demanda alto desempenho tanto do chip gráfico quanto do processador - resultado do mapa amplo e complexo recriando a região da Grécia Antiga.

GTA V
Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:

Red Dead Redemption 2
Novo game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento de sistemas. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkam, que se comportou melhor tanto em placas AMD como Nvidia.

Rainbow Six Siege
O game de tiro tático da Ubisoft usa o motor AnvilNext e tem ótimo port para a API de baixo nível Vulkan. É um game bem otimizado para hardwares de entrada, mas que demanda muito poder computacional do processador e baixíssimas latências para atingir taxas de quadros elevadas.

Conclusão

Por um tempo parecia que a Microsoft iria adotar o conceito de seguir fazendo atualizações no Windows 10 sem mudar o nome, mas sabemos que isso não é algo interessante para ela e o mercado, afinal, novas versões indicam novidades e novidades normalmente precisam de atualizações em especificações de hardware.

Sempre foi assim, e é assim com os sistema da Apple para MAC e iPhone, é assim com o Android do Google, e também sempre foi assim com o Windows, que dentro todos esses que citei, é disparado o mais amplo na quantidade de hardwares suportados, como exemplo, é possível instalar um sistema como o Windows 7 em um computador com hardwares de anos atrás, não necessariamente rodando da melhor forma, mas é possível. Já o iOS em suas versões mais recentes fica bloqueado para aparelhos antigos, o Android em suas versões mais recentes só permite instalar em aparelhos "não tão novos" através de versões alternativas (leia-se ROMs),  mas que funcionam sem suporte e em muitos casos com problemas em várias funcionalidades. Ahhhh, estava esquecendo do Linux, que é um caso a parte, ele realmente pode rodar bem em versões com kernel (base do sistema) atuais em componentes bem mais antigos, é disparado o melhor no aspecto requisitos de especificações, rodando bem mesmo em hardwares bem antigos e ultrapassados, mas ele nem sempre ganha tanto suporte das fabricantes e desenvolvedores, mas isso já é assunto para outro artigo.

O Windows 11 é o Windows 10 mais bonitinho com apelo em segurança

No caso do Windows 11, nesses poucos dias que vi, não passa de um Windows 10 com uma interface diferente, vai funcionar tudo que você já tem instalado no Windows 10 alias, se optar por instalar a build vazada, que não mantem o que estava instalado no sistema, só será necessário reinstalar tudo, de resto, o mesmo sistema com um novo nome e mais bonitinho, para quem gosta de novidade, é legal.

O desempenho? Bom, na maioria dos testes tudo na mesma. Fiz até instalações limpas dos dois sistemas para ver se mudava tempo de boot e outros testes, mas tudo dentro da margem de erro. No Adobe Premiere o Windows 11 se saiu muito bem, já no 7zip o Windows 10 se saiu melhor, nesses casos, refiz mais de uma vez para garantir, até reiniciando o sistema. Em games, a maior diferença ficou no GTA5, a favor do Windows 10, o que ao meu ver faz sentido já que estamos falando de um sistema que já está no mercado a anos e recebe as otimizações, o Windows 11 está chegando agora e ter desempenho melhor em aplicações que podem ter alguma incompatibilidade, é algo que merece destaque, mas não é algo esperado para acontecer.

Vale ainda destacar que novas versões do Windows consideram atualizações naturais de como utilizamos os novos hardwares, então certamente cuidados com telas sensíveis ao toque terão maior atenção, sistema portáteis e tablets, tudo isso tem que ser levado em consideração.

Porque mudar o nome? Porque o nome como falei no começo dessa conclusão, MUDA TUDO, e se de fato a Microsoft adotar o requisito da necessidade do TPM nos sistemas, ai meus amigos, teremos sim uma situação que vai mexer muito no mercado, porque muitos e muitos hardwares de 4, talvez 5 anos ou mais podem não atender os requisitos e não rodar o novo sistema, gerando a necessidade de atualização de hardware para muita gente e muitas empresas. Algumas fabricantes tem soluções como dispositivos externos (via conector USB para mainboard) adicionando o suporte a tecnologia TPM ao sistema, que está teoricamente relacionado a um componente de hardware implementado na placa-mãe, mas mesmo assim sabemos que o normal nesse tipo de situação é forçar a atualização de hardware visando um produto com a tecnologia integrada, no geral não é comum comprar adaptadores para adicionar uma funcionalidade.

É possível aplicar os requisitos de sistema do Windows da mesma forma que a Apple com o iOS e o Google com o Android que em novas versões funcionam apenas em hardware novo?

Ficamos acostumados a mudar de celular a cada 2 ou 3 anos? Acho que sim, vezes pelas mudanças do hardware, nesse casos dependendo o uso relacionado as melhores câmeras, tamanho da tela, resistência, autonomia de bateria, questões de segurança, mas também pelo desempenho e funcionalidades do sistema, sendo que as versões mais recentes só aparecem em smartphones mais novos, e é isso que o Windows vai fazer como sempre, em tempos mais longos do que os sistemas de smartphones, só que para aceitarmos um novo sistema para computadores associado a novos hardwares seguindo os mesmos conceitos dos sistemas para smartphones, é bem mais difícil. O TPM 2.0 com o conceito de tecnologia que visa garantir maior segurança pode ser o que a Microsoft precisava para fazer uma grande limitação de hardwares suportados pelo "novo" Windows 11, mas eu ainda acredito que em uma versão final ele deixará de ser obrigatório e passará a ser uma opção recomendada, semelhante a BIOS UEFI, que aos poucos viraram padrão, mas não um requisito, já que a limitação em hardware seria grande de mais.

Os testes e considerações foram feitos em cima da build vazada, ainda beta, então naturalmente muita coisa pode mudar. Também deixei de lado evoluções naturais em códigos, novas tecnologias que são implementadas no back-end, mas não vemos no front-end, ou seja, na parte visual. Acho extremamente importante a evolução do sistema, mas que de inicio não fará grandes diferenças para a maioria das pessoas.

Agora vem a pergunta, alguém pensa em voltar para o Windows 8 ou mesmo Windows 7? Acho que não, o Windows 10 trouxe melhorias que vieram para ficar e espero que o Windows 11 faça o mesmo.

Abaixo alguns vídeos que já fizemos com o Windows 11, tanto no Adrenaline como no Mundo Conectado. Amanha iremos cobrir ao vivo o anuncio oficial da Microsoft.

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  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

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