Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)

Quanta performance dá o FidelityFX? E como ficam os gráficos?

Testamos diferentes gerações de hardwares para ver como o filtro impacta
Por Diego Kerber 22/06/2021 10:00 | atualizado 22/06/2021 11:19 Comentários Reportar erro

O FidelityFX Super Resolution é uma técnica de renderização de quadros que busca aumentar a performance do sistema sem impactar em excesso a qualidade gráfica dos games. Ela segue alguns elementos semelhantes ao feito pelo DLSS da Nvidia, possibilitando renderizar os quadros em uma resolução menor, o que aumenta a taxa de quadros, e através de uma técnica - aprendizado da máquina com a Nvidia, e algoritmos por parte da AMD - trazer a imagem para a resolução final tentando não perder muitos detalhes no processo.

Nós tratamos mais a fundo como e onde a tecnologia funciona nesse artigo, enquanto neste artigo vamos focar nos resultados de nossos testes com o AMD FSR, tanto do ponto de vista de performance quanto impacto visual.

A grande vantagem da solução da AMD é que ela é muito mais democrática e abrangente. Como o DLSS da Nvidia utiliza hardware especializado, os núcleos tensores, toda placa de vídeo que não possui esse recurso fica de fora. O resultado é que apenas os modelos GeForce RTX série 20 e 30 podem habilitar essa capacidade.

O FSR utiliza os shaders tradicionais, então a quantidade de hardware compatíveis é muito maior, passando por placas de vídeo tanto de AMD quanto Nvidia, além de gráficos integrados no processador e até mesmo sistemas como os consoles, que deverão trazer essa capacidade. Para termos uma boa representatividade de sistemas, rodamos os testes em múltiplas placas, de diversas microarquiteturas e também diferentes segmentos de performance.

Benchmarks

Para a bancada de testes usamos os seguintes hardwares, sendo que o recurso do Resizable BAR estava habilitado:

- Intel Core i9-11900K
- 2x8GB DDR4 @3200MHz CL18
- Aorus Z590
- Cooler Master V850
- Bancada aberta

Usamos de referência GodFall para o comparativo, por ser o único game com suporte ao AMD FSR com benchmark interno, no momento. Ele pode se tornar especialmente pesado quando o Ray Tracing está habilitado, e ele apresenta uma leve vantagem para hardwares Radeon. Na primeira rodada, testamos os modelos high-end da nova geração, com uma disputa entre GeForce RTX 3080 e Radeon RX 6800 XT:

Tanto GeForce quanto Radeon tem um belo salto em performance, e nesse cenário, na realidade, a GeForce é quem mais ganha desempenho. Apesar da qualidade gráfica ser a mesma, o FSR apresentará diferentes níveis de eficiência em diferentes arquiteturas, e parece que os algoritmos da AMD se deram muito bem com as memórias rápidas GDDR6X da RTX.

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No segundo teste, mudamos para modelos mais antigos, baseados em Pascal e Polaris, e placas mais modestas e extremamente populares, as GeForce GTX 1060 6GB e a Radeon RX 580 8GB. Também experimentamos modelos de entrada das tecnologias mais recentes, com a RDNA da RX 5500 XT e a GeForce GTX 1650 Super:

Também demos uma conferida no segmento "meio de campo" com placas que fecham todas as variações que faltavam de microarquiteturas, com a Vega 64, que foi pareada com uma GTX 1070 Ti, e a RTX 2060 Super, combinada com Radeon RX 5700 XT, tudo em resolução QuadHD:

Fica evidente que há grande variação nas ganhos de performance dependendo da arquitetura usada e da resolução final de renderização. 4K é sem dúvida o maior beneficiado entre as resoluções testadas, enquanto o hardwares mais modernos foram os que apresentaram saltos maiores. Isso faz com que o AMD FSR tenha um efeito parecido com o do Nvidia DLSS: ele é um grande viabilizador de altas resoluções e filtros gráficos pesados em hardwares mais potentes, mas sua eficiência é mais limitada em resoluções menores e hardwares mais modestos - no caso do DLSS, nem está presente nesses hardwares mais baratinhos.

Qualidade gráfica - 4K

Trazer mais desempenho é só a parte fácil de um recurso como o AMD FSR, afinal é um efeito inevitável quando você baixa a resolução da renderização. A parte mais desafiante é pegar essa imagem de menor definição e ampliar para algo maior, mantendo um nível de qualidade o mais próximo possível do que seria a renderização em resolução superior.

Testamos dois cenários: usamos uma RX 6700 XT em 4K com jogo no Epic e Ray Tracing habilitado e também uma Radeon RX 570 para uma situação de FullHD qualidade Epic.

A Radeon RX 6700 XT não possui performance para encarar 4K com tudo no "talo" e Ray Tracing habilitdo, entregando uma taxa de 30fps aproximadamente nesse cenário. Colocamos lado a lado a imagem nessa resolução com zoom de 4x, para ver a evolução da qualidade:

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Enquanto o modo ultra qualidade e qualidade praticamente não apresentam perdas perceptíveis na qualidade, o modo balanceado ainda se sai bem e é só no modo performance onde perda de qualidade gráfica fica mais aparente.

Maior prova do bom resultado do AMD FSR é o comparativo entre o modo balanceado, que renderiza em apenas 1270p, e se sai melhor que renderizar em uma escala de resolução de 75%, ou seja, com mais pixels.

Na sequência, analisamos The Rift Breaker, novamente comparando o desempenho da RX 6700 XT. Novamente o modo balanceado não se saiu mal, mantendo um nível aceitável de qualidade gráfica comparado ao game no modo nativo. 

Nesse comparativo é interessante olhar o modo Performance comparado com o game nativamente rodando em FullHD. Na prática, ambos estão sendo renderizados em 1920x1080, porém o FSR traz muitos detalhes adicionais à cena com seu efeito de nitidez e contraste. O impacto em performance é baixo, com a RX 6700 XT fazendo 129fps nesse trecho, rodando em FullHD, enquanto o modo Performance em 4K entrega 120. Os 9fps de diferença de desempenho são, essencialmente, o impacto de parcelas dos shaders pelo FidelityFX Super Resolution.

Na próxima cena usamos Terminator Resistance para comparar o desempenho do FSR em cenas com muito movimento e desfoque - essa cena do comparativo tem uma câmera bastante trêmula.

Mesmo nesse cenário desafiador, o FSR entrega um resultado satisfatório em Qualidade, com o modo Performance se mostrando aceitável, mas já apresentando uma degradação maior na qualidade da imagem. É interessante ver o bom resultado nessa cena pois o DLSS mostrou dificuldades em cenas muito movimentadas, em nosso teste com Warzone.

O DLSS apresentou essa dificuldade "no meio da correria" porque ele é um efeito temporal, ou seja, aproveita informações dos quadros anteriores. Por conta disso, ele sofre mais para entregar resultados consistentes se "nada para no lugar" na cena. O AMD FSR não sofre esse efeito, então tem resultados consistentes tanto em cenas estática como as mais movimentadas.

Mas há um efeito negativo: uma cintilação que beira o irritante. Sem referências do quadro anterior, o AMD FSR mostrou sérios problemas com o antisserrilhado do GodFall. Veja a versão em vídeo desse artigo, e lá não tem como não notar a variação constante de algumas bordas.

Qualidade gráfica - 1080p

Mas com certeza os mais "sedentos" pelos ganhos de performance que o filtro pode trazer são os donos de placas mais limitadas, que já rodam com dificuldades os lançamentos.

Infelizmente o FSR não apenas foi menos eficiente em aumentar a taxa de quadros, com também trouxe impactos visuais mais significativos. Assim como acontece com o DLSS, o AMD FSR é mais eficiente em altas resoluções, como 4K ou QuadHD, entregando baixas perdas gráficas, porém em resoluções como FullHD, o resultado não é tão interessante.

Isso é uma pena, pois os usuários que mais precisam de desempenho, são os que menos vão conseguir obter com esse filtro. Considerando o baixo ganho na redução do modo Qualidade para o Balanceado e Performance, mas em contrapartida há uma alta perda de qualidade, faz sentido para o dono de uma placa de entrada ou uma intermediaria "idosa" usar os modos Ultra Qualidade ou Qualidade, apenas.

Vale a pena?

Considerando que é apenas o começo, o AMD FSR já chega entregando resultados mais consistentes que o DLSS em sua estreia, mas ainda tem muito chão pela frente. A ampla dianteira da Nvidia nesse campo fez com que o FSR chegasse no momento em que o Deep Learning Super Sampling já está muito difundido, e já está até estreando no Linux.

Use o modo Qualidade ou Ultra Qualidade sempre que estiver disponível no game

Mas é muito bom ver um recurso menos atrelado a apelo comercial - invariavelmente você precisa comprar uma RTX para usar o DLSS - que pode dar desempenho a placas que mais precisam. Sem dúvida eu acho que o modo Qualidade ou Ultra Qualidade devem ser usados sem questionamentos: o ganho de performance mais que justificam qualquer mínima perda gráfica que causam.

Uma pena que seu efeito foi mais limitado justamente no pessoal "no aperto", com placas mais antigas e rodando com dificuldades os lançamentos em 1080p. O AMD FSR ajuda, mas se sai muito pior comparado ao que tem para oferecer em QuadHD e especialmente em 4K.

O AMD FSR, assim como o DLSS, abre margem de desempenho para gameplays em 4K com altíssimas taxas de quadro e efeitos gráficos pesados, como Ray Tracing

Mas no campo das altas resoluções, ele faz um excelente trabalho, semelhante ao que o DLSS faz para as RTX 20/30: faz placas incapazes de encarar o 4K subitamente sobrarem em 2160p. E para as que tem desempenho suficiente, faz com que seja viável jogar nessa resolução em altíssima taxa de quadros ou "pesando a mão" em efeitos gráficos e recursos como Ray Tracing.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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