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Processador GELADO? Testamos o Intel Cryo do MasterLiquid Sub-Zero

Solução promete deixar o CPU abaixo da temperatura ambiente
Por Diego Kerber 19/06/2021 14:05 | atualizado 19/06/2021 18:33 Comentários Reportar erro

Nós recentemente tivemos um curioso acessório para o celular com uma pastilha de Peltier, que derrubava a temperatura para abaixo da ambiente. Pois os computadores também possuem algo parecido, e é isso que vamos testar com o MasterLiquid ML360 Sub-Zero, um cooler para processador que vai além do arrefecimento: ele realmente derruba a temperatura do processador para abaixo da presente no ambiente.

Site oficial MasterLiquid ML360 Sub-Zero

O M360 promete mais que arrefecer: ele vai resfriar o processador para abaixo da temperatura ambiente

Essa solução de resfriamento envolve uma combinação de hardware e software para acontecer, e se chamam Intel Cryo. Com podem imaginar, foi desenvolvida para sistemas Intel, mas a galera já deu seus pulos pra por operar em bancadas AMD. A principal diferença dessa plataforma comparado aos sistemas a ar ou líquidos que você tem no seu PC hoje é o uso do resfriamento termoelétrico no meio do caminho. Sim, vamos ter que explicar o que é isso, então apertem os cintos para Física.

Pastilha de Peltier

O coração dessa tecnologia do ML360 Sub-zero é a pastilha de Peltier, ou dispositivo de Peltier. Sim, foi descoberta por um francês, como o nome faz vocês imaginarem. Jean Charles Athanase Peltier era um relojoeiro que percebeu que quando ligava dois metais diferentes a uma bateria, uma das junções aquecia e outra esfriava. Essa é a base do efeito de Peltier, e do arrefecimento termoelétrico. Pessoal do QATS Thermal Soutions tem um excelente vídeo (em inglês) mostrando como é o processo, e abaixo nossos prints traduzem as imagens.

É possível potencializar o efeito de Peltier utilizando dois semicondutores, um com um déficit de elétrons e outro com excesso, e encadear em múltiplas duplas aumentando a área de efeito. Por fim, nas pastilhas de Pelier comerciais, é fechada a estrutura com um isolante elétrico, normalmente um material cerâmico, que também irá conferir sustentação à pastilha e será a interface de troca de calor, tanto no lado que aquece quanto no lado de resfria.

Para maximizar os efeitos, sistemas que usam essa pastilha para resfriamento amplificam seu efeito aplicando uma solução de resfriamento na parte do componente que aquece. No caso do Black Shark 4 e o Fun Cooler 2 Pro, há uma ventoinha reduzindo a temperatura no lado externo. Para o Cooler Master MasterLiquid ML360 Sub-Zero, a "artilharia é mais pesada".

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ML360 e Intel Cryo

O MasterLiquid ML360 Sub-zero da Cooler Master une a pastilha de Peltier com uma solução mais tradicional do mundo dos PCs, o sistema de resfriamento líquido all-in-one com radiador e bomba. Porém o projeto vai mais longe do que só fazer um sanduíche com o cooler líquido, o processador e uma solução termoelétrica no meio.

Os processadores Intel não foram projetados originalmente para temperaturas de operação abaixo da ambiente, então uma série de ajustes se fizeram necessários. O maior problema é água. Qualquer um com uma bebida gelada por perto sabe o efeito colateral da condensação, e por isso usa porta-copos para não estragar a mobília de casa. Com computadores esse problema é gigantesco: imagine começar a acumular água em torno do soquete de seu processador, logo em cima da placa-mãe.

Para resolver esse problema, o Intel Cryo é uma plataforma que une hardware e software para evitar esse problema. O ML360 Sub-zero traz um conjunto de sensores de temperatura e umidade para controlar a condensação de água, e evitar que o cooler vire um copo de chopp de comercial da televisão.

Site oficial Intel Cryo Cooling

Ok, você sobreviveu à Física e ao Hardware. Agora é hora de ver tudo isso em ação!

Me vê um Core i9 gelado

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Para os testes vamos usar uma bancada equipada com o modelo mais moderno da Intel, o Core i9-11900K. Ele tem várias coisas interessantes: alto consumo de energia e aquecimento, se tornando o cenário ideal para testar soluções avançadas de resfriamento, além de contar com tecnologias como o Adaptive Boost, uma tecnologia bastante sensível a temperatura que pode extrair mais performance do sistema, se você for capaz de manter temperaturas suficientes para isso.

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Para o comparativo usamos o Noctua NH-U12S, um modelo bastante utilizado em nossas baterias de testes, sendo um bom cooler a ar, e também o Cooler Master Masterliquid ML280, um liquid cooler tradicional com um radiador de 280mm e duas fans. O próprio Subzero foi testado em dois modos, o modo Cryo, em que utiliza todos seus sensores e travas de segurança para evitar a condensação, e o Unregulated, um modo em que essas proteções são ignoradas e a temperatura é reduzida a níveis mais extremos, trazendo o risco de condensar água no sistema.

Rodamos um conjunto de testes, e abaixo temos um gráfico demonstrando a evolução da temperatura do processador rodando o o 3DMark Time Spy, um teste baseado em DirectX 12 que possui momentos de menor e maior impacto no processador.

Temos visíveis reduções nas temperaturas com o uso do Sub-zero versus as soluções mais tradicionais. Mesmo nos pontos mais exigentes do teste, a temperatura raramente ultrapassou os 40°C no modo Cryo, e ficou ainda menor que isso no modo Unregulated.

O MasterLiquid Sub-Zero manteve temperaturas mais baixas que outras soluções, mas isso não impactou na performance

E na prática, o que mudou? Essencialmente nada. Mesmo com temperaturas mais alta, mesmo o Noctua NH-U12S manteve as temperatuas abaixo dos 70°C todo o tempo, Isso quer dizer que o Core i9-11900K em sua configuração de fábrica sempre pode usar o Intel Adaptive Boost Technology (IABT), ao longo dos testes. Isso fez com que todos os nossos scores com os três sistemas variassem sempre dentro das margens de erro, tornando os resultados bastante entediantes. As variações de frequências raramente superam 100MHz entre todos os modelos testados.

Ele faz mais sentido para quem está tentando um overclock e quer mais margens térmicas, evitando que sua modificação seja barrada por thermal throttling (quando o aquecimento excessivo força a redução das frequências do processador). No vídeo abaixo dá para ver nossas tentativas de aumentar as frequências de um Core i9-10900K, com toda a falta de talento que temos para tentar overclocks mais extremos:

O Sub-zero só pode se justificar para entusiastas querendo levar seus processadores a níveis mais extremos, e mesmo com esse recorte, falamos de um público muito específico. Para a galera que gosta de montar uma "batlestation" belíssima, o Sub-zero fica devendo um design chamativo com recursos como LED, além de aumentar a quantidade e cabos comparado a outros AIO que conseguem por a bomba integrada no block. Para o pessoal do OC extremo, apesar da margem sobre outras soluções, ele ainda não vai chegar ao nível de modificações para uso de nitrogênio líquido. Acaba servindo mais como uma opção mais prática do que modificar profundamente seu sistema e ainda assim conseguir um resfriamento adicional.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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