Créditos: Divulgação: Microsoft

Microsoft e o compromisso com o PC: 2 anos depois

Conversamos com equipes da Xbox Studios sobre o que mudou, e o que vem por aí

Dois anos atrás, Phil Spencer publicou um post no Xbox Wire falando qual seria a abordagem da Microsoft para os PC Gamers. Esse post consolidava uma transformação que já estava se tornando evidente: a empresa enfim estava se movendo para melhorar "seu jogo" no cenário de computadores.

Parece incrivelmente irônico, mas apesar de a Microsoft ser responsável pelo sistema operacional usado na maioria esmagadora das máquinas gamers - 96% dos PCs com Steam instalado são Windows, seguido de 3% de MACs e menos de 1% de sistemas Linux - são justamente plataformas como a Steam que realmente se tornaram o hub da experiência de jogos em computadores.

As iniciativas da Microsoft se mostravam modestas, com um sinal claro de que seu consoles para games, o Xbox, era prioridade. A loja de apps da Microsoft ficava longe de se tornar algo atrativo para os jogadores, com funcionalidades e eficiência visivelmente abaixo de outros ecossistemas para jogos que cresceram dentro do sistema Windows. Além disso,  franquias dos estúdios da Microsoft passavam longe de rodar em sistemas Windows.

As coisas começar mais claramente em 2015. Na PC Gaming Show,  Phil Spencer subiu ao palco para anunciar a vinda de Killer Instinct para os computadores. Nessa época, muitos dos jogos dos estúdios da empresa estavam limitados ao Xbox, em uma política que visivelmente priorizava o console quando o assunto era os medalhões e exclusivos da empresa. Nada de Master Chief ou Marcus Fenix nos PCs.

Jogos do Xbox no PC

Acelerando para 2021, temos vários avanços notáveis. "Nós queremos ser quem conecta os jogadores com os jogos, independente da plataforma que o jogador possui", explica Jason Beaumont, Diretor de Parceiro da Microsoft. Isso fica evidente pela verdadeira enxurrada de títulos que antes ficavam restritos ao console, como Forza Horizon e Gears of War, e que agora chegam ao PC já no primeiro dia de seu lançamento, bem como produções do passado chegando no computador, como a Halo: The Master Chief Collection. Assim, vai ficando claro que o foco não é mais que o consumidor tenha um console ou, como o XCloud demonstra, nem mesmo um PC.

Talvez o ponto mais marcante dessa abertura foi ver os títulos chegando a plataformas de vendas rivais, como o caso da Steam. A empresa está trazendo seus jogos first party para a plataforma da Valve, apesar de não integrar recursos como o Xbox Play Anywhere, que possibilita fazer a compra do jogo uma vez e tê-lo disponível tanto no PC quanto no Xbox, inclusive compartilhando os saves. Assim a loja faz aquela disputa mais benéfica possível: precisa convencer os consumidores a optar por ela por seus benefícios frente ao concorrente, não através do bloqueio do acesso a títulos. Outro diferencial, agora em favor dos desenvolvedores, foi o anúncio da mudança na divisão da receita na loja: agora os produtores ficarão com uma fatia maior de 88% na venda dos games na loja.

Curiosamente, após levar muito tempo para vermos os games que antes saíam apenas para o Xbox enfim chegarem ao PC, o caminho reverso pode não acontecer. "Vemos a franquia Age of Empires muito relacionada com o gameplay com um teclado e mouse, e sem perspectivas de transformar as mecânicas para adaptar aos controles", afirma Shannon Loftis, Chefe da World’s Edge, estúdio que trabalha hoje no desenvolvimento de Age of Empires IV.  

Após mencionarmos a existência de vários títulos utilizando o teclado e mouse para o gameplay, algo que testamos nesse artigo, foi a vez de Jason Beaumont explicar a limitação: "para chegar a uma plataforma, o jogo precisa ser compatível com sua forma principal de interação, e o controle é o principal comando para um console".

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Mas a iniciativa de entregar conteúdo para os gamers de PC não foi restrita apenas a trazer games antes limitados ao hardware Xbox, mas também resgatar títulos que tem sua raiz nos computadores. "Nós buscamos trazer novidades para os games marcantes nos computadores", afirma Loftis. Assim, games como Flight Simulator e Age of Empires vão ganhar novos títulos, bem como games clássicos como os três Age of Empires anteriores, ganharam versões definitivas com melhorias gráficas, gameplay modernizado e novos conteúdos.

"Nós nos aproximamos da comunidade. Games como Age possuem uma base ainda muito ativa, inclusive criando novos conteúdos para os games e mantendo seu cenário competitivo bastante vivo", explica o desenvolvedor. Assim, uma equipe que fazia modificações em Age of Empires 2 acabou se tornando parte da equipe que hoje trabalha na versão definitiva do jogo."

Game Pass no PC

Trazer um dos medalhões da empresa, o Game Pass, também foi parte relevante da melhora do serviço nos computadores. Porém aqui temos um dos elementos que ainda há espaço para melhorias: o catálogo de games disponíveis na versão para Xbox e para PC do serviço ainda possui diferenças nos títulos disponíveis, e sofreu efeitos como atrasos na integração do EA Pass, para os computadores. "Estamos trabalhando para tornar cada vez mais parecido, e gostaríamos de que não existissem diferenças entre o que há no Game Pass para PC e Xbox", conta Jason Beaumont. "Mas existem questões contratuais com alguns estúdios parceiros que criam limitações para esse objetivo, e acabam impactando no que podemos incluir na versão para PC do Game Pass".

Os avanços são perceptíveis, mas sem dúvidas ainda há espaço para evoluções, e a loja do Windows é talvez um dos pontos mais importantes. No uso cotidiano, aqui nos testes da redação, ainda é perceptível o quanto a loja de aplicativos do próprio Windows falha em entregar algumas funcionalidades básicas, e ainda tem muito chão para entregar elementos relevantes para a comunidade, como mods para os games.

Mesmo ainda havendo locais onde é possível evoluir, definitivamente o cenário é já melhorou bastante atualmente. A integração do ecossistema da Microsoft, da nossa perspectiva de consumidores que "pulam" muito entre as plataformas, para realizar testes no expediente ou simplesmente se entreter fora dele, foi muito positiva. Com a chegada do xCloud no Brasil, a tendência é que essa unificação se torne importante para mais jogadores, basta que o serviço saia do beta no nosso país.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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