Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)

Notebooks com só uma memória: não perca FPS em seus games!

Pode ser fácil e até barato melhorar seu notebook gamer

Você pode estar desperdiçando performance de seu notebook por culpa de um detalhe. Enquanto muitos cuidam de qual processador, qual placa de vídeo e quanta RAM está em seu notebook, a quantidade de módulos de memória é algo que passa batido por compradores, por lojistas e também pelas próprias fabricantes.

Os testes

Apesar de parecer irrelevante, a configuração das memórias, junto com sua capacidade e velocidade, também faz diferença no desempenho em games de sua máquina. Colocamos um notebook Acer Predator Helios 300 em duas configurações diferentes: uma com apenas um módulo de RAM de 16GB, e outra com dois módulos. Aqui é importante destacar que apesar da mudança de 16 para 32GB, a configuração de 16GB já é mais que o suficiente, e no momento dos testes não havia 2x8GB disponível. Não é o aumento na quantidade de RAM que impactou na variação de performance.

Nos comparativos, usamos games de estilos diferentes: Assassin's Creed Valhalla e Red Dead Redemption 2 são games de campanha, onde muitos vão buscar uma taxa de 60 quadros para jogar, enquanto Rainbow Six Siege e Counter Strike Global Offensive são jogos competitivos, onde quanto mais alta a taxa de quadros, mais responsivo o jogo é, e maior sua vantagem competitiva para reagir a seus adversários.

Os dois cenários que escolhemos para testar trazem também duas variações claras em resultados:

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Todos os games trouxeram ganhos de performance, mas as variações são muito menores quando jogamos algo com uma taxa de quadros menor, focado em qualidade gráfica e uma experiência na faixa dos 60fps. Agora em games competitivos a coisa muda muito: tanto CSGO quanto R6 Siege, temos um pulo e tanto, superando os 40% de aumento de performance.

A causa

Colocar dois módulos de memória modifica a forma como acontece a comunicação entre as memórias e o processador. A arquitetura de múltiplos canais de memória é algo presente desde a primeira geração da tecnologia DDR, e busca aumentar a performance do sistema a agilizar a forma como os dados são enviados ao processador.

Isso é alcançado através da criação de múltiplos canais de memória. O mais comum é o dual-channel (dois canais), com alguns sistemas possibilitando triple-channel (três canais) e até quad-channel (quatro canais). Para aumentar a quantidade de canais disponíveis, você precisa instalar módulos de memórias em canais diferentes, algo que costuma ser simples em um notebook: normalmente ele só tem dois slots, então basta por uma memória em cada um e o dual-channel está habilitado. Aí basta usar softwares gratuitos, como o CPU-Z ou o AIDA64, para confirmar que a configuração está correta.

Quando você aumenta o número de canais, também amplia a velocidade com que os dados da memória são acessados pelo processador. Abaixo temos uma visão bastante clara do quanto isso impacta no caso do Helios 300:

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Apesar da latência não ser notavelmente impactada, a capacidade de ler e escrever dados nas memórias tem um incremento gigantesco, chegando perto do escalonamento de "dois canais dá o dobro de desempenho". Como games, especialmente em altas taxas de quadros, são muito sensíveis a qualquer aumento de latência em qualquer parte do sistema, esse incremento em performance se torna crucial em alguns cenários.

Cuidado na compra

Quando olhamos para o mercado de notebooks gamers, temos avanços nesse aspecto, mas ainda há o que melhorar. Um ponto positivo é que notebooks para games, praticamente sem exceção, trazem projetos com dois slots de memória, então o dual-channel está disponível. O problema é que ele nem sempre é aproveitado.

O notebook usado para os testes, o Helios 300, é um exemplo. Apesar da generosa quantidade de 16GB, indicada para uma máquina gamer de alto desempenho, ele traz apenas um módulo instalado, operando dessa forma em single-channel.

Outra fabricante que parece ainda cometer essa falha é a Lenovo. O Legion 5i traz hardwares avançados como uma RTX 2060 e Core i7-10750H, além de novamente os 16GB de memória indicado, porém também há modelos com apenas um módulo de memória.

Como exemplos positivos temos a Dell, com a linha G3 trazendo dois módulos, mesmo tendo apenas 8GB (2x8GB). Nesse caso o ideal seria ter mais memória, mas em nosso gameplay e nossa análise ele não se saiu mal. O dual-channel pode ter sido um fator que ajudou a quantidade mais modesta de RAM ainda ter dado conta.

Outros bons exemplos incluem a Avell, que tem dual-channel em praticamente todos os modelos em destaque na home (exceção parece ser alguns modelos de uso cotidiano leve), e também o Samsung Odyssey 2 em geral tendo o cuidado de trazer dois módulos de memória, porém é difícil achar essa informação no site oficial e aguns vendedores listam, outros não.

Isso nos trás aos varejistas online. E aqui o cadastro dessa informação é loteria. Existem alguns que listam se a configuração é um ou dois módulos, mas muitos anúncios trazem apenas a quantidade total disponível. Como não é algo padronizado, o mesmo varejista pode trazer essa informação em um anúncio de produto, e em outro, não.

Conclusão

Infelizmente chegamos a um final meio chato para quem está de olho em um notebook para jogar: sim, isso é mais uma coisa para cuidar. Ela ainda não é tão prioritária quanto cuidar o processador, o chip gráfico ou a quantidade de memória disponível, mas considerando todo o custo em um notebook gamer, perder 40% de desempenho por um vacilo em um componente relativamente barato (considerando o custo de todo o resto) é algo a se evitar. 

Infelizmente nem todas as fabricantes nem os lojistas tem o cuidado com esse detalhe, então pode ser trabalhoso conseguir garantir que seu notebook tenha configuração. A parte boa é que praticamente todos os modelos games do mercado tem dois slots para memória, e em geral não é difícil fazer esse upgrade, caso você tenha um modelo no single-channel. Considerando as poucas possibilidades de upgrade que um notebook tem, essa é uma chance de aumentar o desempenho de sua máquina.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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