Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)

Xbox Series S: melhor que um PC Gamer Baratinho agora?

Com as opções nos abandonando no hardware, será que esse é um bom plano B?
Por Diego Kerber 06/03/2021 14:30 | atualizado 06/03/2021 14:30 Comentários Reportar erro

Estamos acompanhando alguns dos preços mais insanos já praticados em hardwares para computador, o que vem dizimando qualquer chance de montar um "PC Gamer Baratinho". As placas que recomendávamos, a GTX 1650 Super e a RX 5500 XT, hoje já avançam para além dos R$ 2 mil, e modelos que vem surgindo para tentar atender o mercado na faixa até os R$ 1 mil inclui modelos muito defasados como GeForce GTX 1050 Ti e Radeon RX 550.

Então, para onde ir? Dá para comprar um sistema para jogos com um custo mais acessível e ainda ter um bom nível de performance? Infelizmente, o mundo dos PCs nos abandonou atualmente. Mas... há um plano B viável?

Nesse artigo vamos experimentar o Xbox Series S. Quem está de olho em custo e benefício, esse console virou uma opção poderosa, com custo na casa dos R$ 2.799 mesmo nesses tempos de desabastecimento de produtos e preços inflados. Mas o que se perde (e se ganha) deixando de montar um PC para jogar?

Hardware

Ok, o que a Microsoft nos oferece em seu console mais baratinho? Temos algumas coisas que valem bastante interessantes. A começar pelo processador, um potente AMD com oito núcleos e capaz de entregar altas taxas de quadros, é por isso que esse é um console que roda games competitivos a 60 quadros por segundo e pode chegar a 120fps em algumas franquias. Outro ponto forte é o SSD: o armazenamento ultrarrápido faz diferença no tempo de carregamento dos games, e combinado com o Smart Resume, faz a experiência de alternar entre games ser impressionante.

Mas agora vem a lista ruim, e começa por esse SSD. Se por um lado ele é rápido, ele também é "apertado". São só 384GB disponíveis, e pra piorar, expandir sai caro. Ou pior que caro: no momento em que faço esse post, não achei nenhum para comprar. 

O outro problema é o chip gráfico. O Xbox Series S foi dimensionado para FullHD, e possui uma GPU bem menos potente que a do Series X e do Playstation 5. Como resultado, ele tem limitações, sendo indicado para jogar em 1080p, por exemplo. Isso também torna bem mais raro os games que podem trazer suporte aos 120fps, já que altas taxas de quadro dependem tanto de um processador quanto um chip gráfico potente.

As coisas que (não) funcionam

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Um ponto importante que alguém do PC deve levar em consideração quando vai para um console é que o ecossistema é muito mais limitado. Enquanto nos computadores temos muita abertura para formatos, periféricos e tecnologias, nos consoles tanto a Microsoft quanto a Sony tem controle completo sobre o que pode ou não funcionar em seus videogames.

O resultado é que tem muita coisa que não funciona. Nossas webcams funcionaram sem problemas, sendo que colocamos dois modelos da Logitech (C920 e StreamCam) e a PCYes Raza, e todas funcionaram sem problemas para fazer live na Twitch. Mas em microfones, foi bem diferente.

Colocamos o QuadCast e ele não funcionou, o que é uma péssima notícia: ele usa um driver de áudio genérico, o que quer dizer que além dele tem muitos microfones USB que não irão funcionar. Ligamos headsets wireless que ligam por USB, e também não tivemos sucesso, com problemas no HyperX Flight S e o Playstation Pulse 3D (claro que testamos) não funcionando. Além do headset oficial da própria Microsoft, vai ser preciso ver com cuidado quais os acessórios desse tipo vão ter suporte ou não.

Teclado e mouse foi tranquilo: praticamente qualquer dispositivo USB que tentamos funcionou, o que inclui alguns modelos wireless como o Razer Viper Ultimate e o Logitech G915 TKL. Só é bom ficar de olho na quantidade de portas disponíveis: com um teclado em uma, um mouse em outra, e uma webcam para stremar, acabaram as USB disponíveis no Series S.

Para pegar nosso áudio conseguimos uma solução: o headset com cabo P2 conectado no controle. Mas não é qualquer headset, você vai precisar daqueles modelos que unem fones e microfones em um único cabo, já que alguns modelos dividem em duas conexões P2 esses recursos, para ligar no PC. No teste nós usamos o HyperX  Alpha S, e ele funcionou sem problemas tanto para possibilitar o jogador a ouvir o chat e os sons do jogo, quanto para capturar sua fala para o chat e para manda para a live.

Outro ponto para se tomar cuidado são os monitores. Os consoles só trabalham com 16:9. Então telas em proporções mais quadradas, comuns em uso para trabalho, ou principalmente o ultrawide (21:9) serão sumariamente esticadas para ficar fora de proporção ou barras pretas vão surgir nas bordas, desperdiçando tela.

Os gráficos são suficientes?

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Aqui vamos entrar em um tema polêmico. Tem bastante gente que torce o nariz para o nível de qualidade gráfica oferecido pelo Series S. Em uma nova geração, onde a gente está buscando gráficos de "encher os olhos", esse videogame não é para isso.Mas para esse mercado há o Playstation 5 e o Xbox Series X, que vão buscar alta qualidade em 4K. O Series S é para atender o gamer de entrada, e o justo é comparar com o PC Gamer de entrada. Quer dizer, seria.

Com o aumento vertiginoso dos preços, recentemente, aquele combo de GTX 1650 Super/ RX 5500 XT + Core i3-10100F está saindo por impressionantes R$ 5 mil. Em um patamar de preço mais próximo do Series S temos o PC da Crise e seus gráficos integrados do Ryzen 3 3200G, e aí não tem comparação: o nosso PCzinho mal tem condição de rodar alguns lançamentos, então nem tem como comparar gráficos.

Mas ignorando o custo adicional colocamos lado a lado a GTX 1650 Super com o que o Series S entrega, e o resultado é bem próximo. O nível de efeitos e a resolução está em patamares semelhantes nos games que testamos, com diferenças mais sensíveis em Watch Dogs Legion. O Xbox abriu mão dos 60fps e rodou em apenas 30fps, mas em contrapartida pode habilitar o Ray Tracing. O computador com a GTX 1650 Super rodou em qualidade parecida, mas com a fluidez maior de imagens a 60fps. Mesmo tendo perdido os reflexos, nesse cenário prefiro a fluidez dos 60 quadros por segundo do nosso PC de entrada.

Um Xbox Series S não está distante de um PC equipadocom uma GTX 1650 Super, em gráficos

Não é um gráfico de encher os olhos, mas também não é ruim. Aqui acredito que não me cabe decidir, e sim o consumidor. Para alguns o nível de qualidade pode ser insuficiente, para outros já vai ser mais que o bastante. Como alguém que conhece os extremos de jogar em uma máquina abaixo das especificações até os melhores hardwares disponíveis no mercado, eu acho bem satisfatório o que o Series S tem para oferecer.

Software

Mas há outro aspecto para se levar em consideração: o ecossistema de softwares. O PC é muito mais versátil e aberto que o Xbox. Olhando só para games, já temos muito mais possibilidades. O Xbox só pode fazer a compra online de games dentro da própria plataforma da Microsoft, algo que está também no PC, mas tem em paralelo outras opções como Steam, Origin, Uplay, Epic, GOG, Nuuvem... todas com promoções próprias e até mesmo eventualmente distribuindo games de graça.

O PC tem muito mais opções e liberdade des lojas online de games

O Xbox tem em seu favor o Game Pass, assinatura mensal que traz uma grande quantidade de títulos para serem jogados, além de todos os exclusivos da plataforma no lançamento. Mas novamente o PC também conta com essa oferta, apesar de ser menos atrativa por conta da biblioteca ser mais limitada, comparada a versão para Xbox.

Outra diferença óbvia é que o computador é um sistema de uso mais genérico, contra o Xbox e seu uso especializado em games. Isso quer dizer que além de servir para jogar, um bom PC também é uma boa máquina para edição de texto, planilhas, vídeo, 3D, etc. Pode ser um ponto a favor se você quer resolver dois problemas com uma cajadada só, ou um negativo, se vai criar uma disputa entre uma pessoa querendo jogar e outra querendo trabalhar.

E é claro que há a questão dos exclusivos, e nesse campo o PC tem vantagem. Todos os principais exclusivos da Microsoft vem para o PC, porém há franquias e estilos de games que estão presentes apenas no computador. Falamos de MOBAS como League of Legends e DoTA 2, clássicos como Counter Strike Global Offensive, e também uma infinidade de games de estratégia que tem o combo mouse + teclado como indispensáveis, e por isso não fazem sua aparição nos consoles.

Conclusão

Não dá para tratar o Xbox Series S como um substituto de um PC Gamer. Apesar da experiência ter se aproximado em alguns aspectos, graças a unificação do ecossistema da Microsoft entre suas plataformas e também outras adições relevantes, como taxas de quadros mais altas e suporte a teclado e mouse em algumas franquias, deixar de lado o PC Gaming e embarcar 100% em console no console da Microsoft envolve adaptações.

Mas há alguns méritos bem fortes que devem ser cogitados. Não há dúvidas que a relação entre custo e benefício do Xbox Series S é muito superior, com um PC na casa dos R$ 2.799 não tendo a menor chance de alcançar a qualidade gráfica do console. A experiência não está longe do que uma GTX 1650 Super oferece, mas a realidade dos PCs gamers de entrada hoje é a GTX 1050 Ti.

Outro elemento é a praticidade, e é inegável o quanto o Series S é uma máquina eficiente. As interfaces são bem organizadas e práticas, e você está a uma assinatura do Game Pass de distância de ter acesso a uma biblioteca gigantesca de games de forma descomplicada.

Se você não tem algo que lhe é muito caro do ecossistema dos PCs (games só disponíveis no computador, liberdade de hardware e software, ou outros elementos listados ao longo do artigo) o Xbox Series S é sim uma alternativa muito forte para você ter uma plataforma da nova geração para jogar, nesse contexto em que placas de vídeo estão "incompráveis".

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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