Créditos: Montagem: Bruno Pires (Adrenaline)

Estão roubando os FPS? Cuidado ao ligar o notebook em uma tela!

Dá para tirar mais desempenho do seu PC, fique de olho!
Por Diego Kerber 20/02/2021 14:00 | atualizado 27/02/2021 12:13 Comentários Reportar erro

Recentemente nos deparamos com um problema em nossos vídeos de gameplay com notebooks no Adrenaline: a performance varia muito, dependendo de como ligamos o notebook na placa de captura. A variação e tão grande que temos dado preferência por jogar no notebook e usar o GeForce Experience para capturar o gameplay. Mesmo com uma leve perda de desempenho causada por esse método, ele é o que passa mais perto de entregar a experiência de jogar no notebook.

Seu notebook pode estar perdendo muito desempenho e você nem sabe!

Hoje vamos investigar o que está causando essa mudança, qual a variação de desempenho em cada cenário e como resolver esse problema. Acredite, você pode estar perdendo muito desempenho e nem sabe!

Os testes

Antes de começarmos, é importante destacar que o efeito estudado nesse artigo afeta notebooks com mais de um chip gráfico. Isso é muito comum em notebooks gamers, que possuem um chip dedicado de alta performance e outro gráfico integrado no processador, mas não está restrito a eles, como é o caso do ultrafino Dell Inspiron 13 7000, que tem tanto o gráfico Intel integrado quanto um GeForce MX250.

Nós usamos de referência dois modelos de notebooks gamers com perfis diferentes. Testamos:

- Acer Predator Helios 300 é mais robusto, com uma GeForce RTX 2070 e um Core i7-10700H - vídeo de gameplay
- Dell G3 é um modelo intermediário, equipado com GeForce GTX 1650 Ti e um Core i5-10300H - análise completa - vídeo de gameplay

Escolhemos dois games com características bem diferentes. Red Dead Redemption 2 é um jogo bastante pesado em chip gráfico e processador, mas muitas vezes tem a GPU como o principal limitador de performance, e é um game pesado que deve ter como alvo um gameplay entre 30 e 60 quadros por segundo. Counter Strike Global Offensive é bem diferente: tem como grande limitador de desempenho o processador, e é um jogo competitivo, então deve ser jogado em altíssimas taxas de quadros. Ambos os games foram rodados em resolução FullHD, buscando configurações compatíveis com o hardware disponível (o Helios no Ultra, o Dell G3 no Alto/Médio),

Começando pelo notebook high-end, temos alguns resultados interessantes:

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Fica evidente uma série de fatores. O primeiro é que sempre que o game sai da tela do próprio notebook, temos um ganho de performance. Tanto faz se é estendendo a imagem, ou seja, mantendo uma imagem na tela do monitor e o game na tela externa, seja desabilitando o monitor do notebook e usando exclusivamente a tela externa. Se jogamos na tela do notebook, tanto faz se usamos apenas ela ou se estendemos outra imagem para um monitor externo, o nível de performance tem baixa variação. 

E há uma situação calamitosa: ligar um segundo monitor e clonar a tela, ou seja, mostrar a mesma imagem no monitor do próprio notebook e o monitor externo, é um desastre para o desempenho do notebook. No caso do Counter Strike, a variação máxima é de quase 200%, com 3x mais quadros sendo produzidos no game se você manda a imagem para uma tela externa. O impacto também é perceptível em Red Dead, mas fica visível que esse é um problema que afeta mais pesadamente games rodando em altas taxas de quadros.

Nossa segunda bateria de testes, agora com o mais modesto Dell G3, confirma um comportamento muito semelhante, mesmo mudando o nível de performance dos componentes e também a fabricante do modelo:

O que está acontecendo?

O motivo da perda de desempenho é um conflito entre duas GPUs e uma tela. Por um lado, o chip integrado da Intel presente no processador tem altíssima eficiência energética, entregando boa duração de bateria, mas é o chip dedicado GeForce quem entrega desempenho. Para tentar pegar o que há de melhor de cada um, entra em ação o Nvidia Optimus.

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Como nos explicou um estranhamente loiro platinado Alexandre Ziebert, do Marketing Técnico da Nvidia América Latina, "Quem controla a tela é o gráfico integrado. Quando você está fazendo atividades leves, é ele quem exibe a imagem. Quando você precisa de performance, o gráfico integrado vai lá e 'acorda' o gráfico dedicado, mas ainda é o gráfico integrado quem vai ter acesso a tela e exibir a imagem"

O problema é que essa tecnologia não é 100% eficiente e até está um tanto defasada, algo que o próprio site oficial dela já demonstra. No gerenciamento da tela do notebook, o Optimus coloca o Intel Graphics como um intermediário do acesso ao gráfico GeForce e, como resultado, reduz sensivelmente a performance. Em nossos testes, quanto maior a taxa de quadros, mais "forte" é a pancada.

Mas então porque a performance sobe quando ligamos em uma tela externa? Ironicamente, por causa da realidade virtual. Quando o VR chegou aos notebooks, os projetos receberam mudanças. "Os principais óculos de realidade virtual traziam suporte ao HDMI, e para funcionarem de forma eficiente nos notebooks, eles precisavam de acesso direto ao chip gráfico de alta performance", explica Ziebert.

Então, quando você liga seu notebook a uma tela externa, o desempenho do game sobe porque o game passa a ter acesso direto ao chip gráfico dedicado, tirando esse intermediário com impacto negativo no desempenho do sistema. E clonar a tela se torna o pior cenário possível porque cria um grande "embolo" de tecnologias, com o sistema tendo que sincronizar duas imagens nesse arranjo bastante híbrido.

A solução

A Nvidia trabalha em uma nova versão do Optimus, o Advanced Optimus, que promete uma abordagem mais eficiente. "É como se ele puxasse o cabo do HDMI do gráfico integrado e ligasse direto na GeForce", compara Ziebert. Com ele o notebook deve entregar um nível de desempenho em sua tela comparável ao do notebook rodando ligado em um monitor externo. 

O problema, no momento, é que essa tecnologia tem presença bastante limitada. Ela está disponível a partir de modelos RTX 20 mas com baixa adoção, aparecendo com mais presença em modelos baseados em RTX 30, como o Aorus 15P XC que testamos recentemente.

Isso quer dizer boa parte dos modelos gamers mais populares no país, geralmente baseados nas séries GeForce GTX 10 e GTX 16, vão estar longe de ter isso disponível. Então o jeito, por enquanto, é tentar melhor a situação dentro do possível. E o truque é:

1) Sempre que possível, coloque o game rodando na tela externa. Tanto faz se você vai estender o Desktop  e exibir outra coisa na tela ou do notebook, ou vai só projetar imagem na tela externa.

2) Se quer jogar exclusivamente na tela do notebook, fique de olho em modelos com G-Sync, pois eles tem o display sempre controlado pelo chip GeForce, ou modelos com a tecnologia Advanced Optimus.

3) NUNCA clone a tela. Mostrar a mesma imagem no monitor do notebook e na tela externa é o pior cenário possível, podendo reduzir a performance para menos da metade em games de altas taxas de quadro, e levando de 10 a 20% da performance "embora" em games rodando na casa dos 30 aos 60 fps.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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