Créditos: Divulgação: AMD

SAM da AMD: testamos o ganho de performance (e como fica a disputa com RTX 3080)

A nova tecnologia promete uma comunicação melhor entre CPU e memórias da placa de vídeo
Por Diego Kerber 18/11/2020 16:30 | atualizado 18/11/2020 17:59 Comentários Reportar erro

Entre as novidades da nova microarquitetura da AMD em placas de vídeo, as RDNA de segunda geração, foi apresentado um novo recurso de comunicação entre processador e placa de vídeo, o Smart Acess Memory (SAM).

Ele tira proveito de uma especificação do PCIe para resolver uma questão curiosa: o processador só tem acesso a 256MB de memória de vídeo por vez. Essa é uma limitação que já poderia ter sido superada a muito tempo, e até a Nvidia já afirmou que pode implementar algo parecido em suas placas da série RTX 30 por já possuírem suporte, só nunca feito nem por AMD nem Nvidia.

Aproveitando o hype, a AMD "combou" os lançamentos das Radeon RX 6000 e Ryzen 5000, liberando o suporte para essa combinação de hardwares. Apesar de suporte inicial, nada impede de vermos combinações Intel+Nvidia ou AMD+Nvidia viabilizando o uso do recurso, no futuro.

Com ele habilitado, o processador passa a ter acesso completo de toda a memória da placa de vídeo. Apesar de não ser um gargalo grave (afinal ninguém parecia estar com pressa de resolver), ele cria oportunidades de ganhos de eficiência, o que é sempre bem-vindo.

Atualmente só processadores Ryzen 5000 combinados com as novas placas RX 6000 e placas-mãe série 500 conseguem implementar o recurso no momento. É preciso desabilitar o CMS na BIOS, e habilitar o "Resizable BAR Support". Testamos em uma Aorus X570 Master, e isso habilitou automaticamente o "Above 4G Decoding".

Fizemos uma bateria de testes usando a seguinte bancada:

- AMD Ryzen 9 5900X
- 2x 8GB DDR4 @3200MHz CL14
- Aorus X570 Master
- Fonte CoolerMaster V850 850W 

Repetimos os testes com e sem o SAM habilitado, e também refizemos os testes da RTX 3080 nesse sistema para entender o quanto muda a disputa entre as duas placas quando esse recurso está presente.

Testes em games

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Agora, vamos ao que realmente importa: os testes de desempenho em alguns dos principais games do mercado.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável"

Assassin´s Creed Valhalla
Começamos pelo novo Assassin´s Creed Valhalla, game que traz o que existe de melhor em qualidade gráfica, agora também rodando sobre a API DirectX 12. Vai ser um bom teste para placas de vídeo e processadores.


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Battlefield V
O game desenvolvido pela DICE segue como uma referência de qualidade gráfica, operando tanto na API DirectX 12 quando 11. O jogo também se tornou um marco nos games para PC ao ser o primeiro a introduzir a técnica de Ray Tracing híbrido da Nvidia através das placas GeForce RTX.


Red Dead Redepmtion 2
Game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento das placas de vídeo. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkan, que se comporta muito bem tanto em placas AMD como NVIDIA.


Shadow of Tomb Raider
O mais recente game da franquia da Lara Croft, Shadow of Tomb Raider traz ótimos gráficos, exigindo muito das placas de vídeo. O game também tem suporte a DirectX 12 e suporte à tecnologia Ray Tracing.


Tom Clancy's The Division 2
The Division 2 usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, lidando com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela.


Conclusão

Olhando os resultados, fica evidente o porque desse recurso ter sido negligenciado até o momento: o impacto em performance não é algo gigante. Mas, ao mesmo tempo, ele consistentemente entrega 5% a 7% mais performance nos games que testamos. Mesmo não sendo um salto gigante, todo desempenho adicional é bem-vindo, e chega a ser mais relevante que os ganhos com overclock em nossos testes.

Os ganhos são discretos, mas consistentes ao longo dos testes

Como as duas placas já estão em um patamar próximo de performance, esse leve ganho de desempenho já é suficiente para, em alguns testes, mudar o posicionamento dela versus a RTX 3080, reduzindo a diferença quando está atrás, abrindo mais vantagem quando está na frente, e em alguns momentos dando o impulso que faltava para virar o jogo. 

O salto em Assassin's Creed chama a atenção, e se não for caso isolado, mostra a importância do recurso

Sem dúvidas tem um testes que se sobressai. Assassin's Creed Valhalla é um ponto completamente fora da curva. Ele apresentou ganhos de 15%, uma diferença enorme e que aumenta ainda mais a vantagem para a Radeon RX 6800 XT nesse jogo, onde a Radeon já estava em leve vantagem. Ainda não sabemos se isso é um caso isolado, mas se outros games seguirem essa tendência, a Nvidia precisa correr com sua solução semelhante.

Com potencial de ganhos, agora é esperar a Nvidia "se mexer" e implementar também, e a AMD ampliar o suporte para algo além de seus lançamentos, para mais consumidores serem beneficiados

O recurso é bem-vindo, mas é uma pena que no momento está tão limitada em adoção. A AMD fez bem em capitalizar o pioneirismo em aplicar, mas vendo o potencial desse recurso, agora esperamos ver a Nvidia enfim se mexendo para habilitar a tecnologia (já que ela própria afirma que já pode fazer), e também a AMD ampliando essa capacidade para algo além da pirotecnia de seus lançamentos, apenas.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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