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Sopa de letrinhas da Intel: como montar um sistema!

Z490, XMP, processador K... vamos navegar vocês por essas siglas!
Por Diego Kerber 13/09/2020 18:52 | atualizado 13/09/2020 18:52 Comentários Reportar erro

Montar um computador por conta própria envolve um bom nível de conhecimento. Não é a toa que chamamos de sistema: ele é composto de múltiplos componentes, e é preciso saber alinhar bem todos se você quer tirar o máximo de benefício das peças adquiridas.

O artigo de hoje tem o objetivo de ajudar quem está buscando um produto dentro do ecossistema da Intel, e ainda não sabe bem o que tantas siglas significam, especialmente nos nomes dos produtos. Vamos ajudar você a fazer a escolha certa, e também as combinações indicadas!

O processador

Para a construção de um sistema temos como um dos pontos principais a unidade de processamento central, também chamada pela sigla CPU, ou processador. Como o nome indica, essa peça tem uma função bastante essencial, e é um dos principais definidores do desempenho de seu computador.

A Intel separa seus produtos em famílias bem definidas, que são:

Celeron e Pentium - produtos de entrada
Core - processadores domésticos, empresariais e para criadores de conteúdo

Também há outras linhas para mercados específicos, como Xeon, Atom, etc.

Essa divisão já auxilia a entender cenários de uso:

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Celeron e Pentium - uso leve cotidiano
Core - gama variada de performance, de entrada até gaming e entusiastas

As famílias possuem múltiplos produtos com patamares diferentes de performance, então vamos descrever um pouco mais a fundo a linha Core, pois essa é a mais relevante para uma boa parte dos consumidores. Quando você encontrar um modelo, vai encontrar uma nomenclatura mais ou menos assim:

Depois da família, os produtos trazem uma subdivisão interna que indicam o patamar de performance. No caso dos modelos Core, voltados aos usuários domésticos, temos uma gama bastante ampla de perfis.

Core i3 - eficiente no uso cotidiano, multitasking básico e games leves (combinando com uma placa de vídeo para os gráficos)
Core i5 - bom balanço entre custo e benefício
Core i7 - alto desempenho
Core i9 - topo da linha, modelos para performance máxima em games e aplicações exigentes

Uma parte crucial do produto é sua geração. A Intel implementa evoluções nas especificações e na microarquitetura em cada nova série de produtos, então é importante observar qual a geração do processador. Um Core i5 da décima geração, por exemplo, pode ser melhor que um i7 da quarta geração, pois além das melhorias na microarquitetura, os modelos recentes trazem um incremento na configuração, sendo compostos por quatro núcleos e oito threads, como modelos Core i7 mais antigos.

A geração é delimitada pelo primeiro número, ou como no caso da décima geração, dos dois primeiros números, na nomenclatura do produto. Os numerais restantes no nome do produto costumam indicar pequenas variações dentro do line-up, com mudanças sutis como frequências de operação um pouco maiores.

Números maiores indicam uma progressão de performance, no caso do modelo, assim como nas gerações. 

Por fim, no nome do processador é comum ver letras ao final. A Intel utiliza essa letra para indicar recursos adicionais ou modificações realizadas para atender mercados específicos. As principais incluem:

- K: modelos desbloqueados para overclock, podendo ter seu funcionamento alterado pelo consumidor buscando mais eficiência
- F: processadores que não incluem gráficos integrados, precisa de uma placa de vídeo dedicada para operar
- S: edição especial, com modificações como frequências de operação mais altas
- G: versões com gráficos adicionais dedicados

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Esses sufixos também podem ser indicativos de modificações buscando melhor eficiência energética e aquecimento, principalmente focado em dispositivos mais compactos e com limitações nesses aspectos. Eles seguem essa escala:

- T: melhor eficiência para um desktop compacto de uso cotidiano
- H: chip para um notebook de alto desempenho e gamer
- U: linha para notebooks e ultrafinos
- Y: processador de baixíssimo consumo e aquecimento para sistemas muito compactos

É bom ficar de olho que podem existir combinações dessas letras, como um processador com final HK, o que indica que ele tem o overclock disponível e é para notebooks, ou KF, que pode ter suas frequências modificadas e não possui gráficos integrados, por exemplo.

Placa-mãe

Junto o processador, é indispensável definir a placa-mãe. A escolha de um é totalmente vinculada ao outro, já que eles precisam ser compatíveis para operar e, em alguns casos, para habilitar algumas tecnologias.

Nesse aspecto, é importante verificar duas informações:

- O soquete é onde o processador é encaixado. Ele traz uma nomenclatura (ex: LGA 1151, LGA 2011)  e além de indicar se o CPU fisicamente consegue ser encaixado, é uma informação relevante para saber se um sistema de resfriamento pode ser usado.

- O chipset é um chip presente na placa-mãe que atua gerenciado o fluxo de dados entre o processador e outros componentes. Não basta o processador fisicamente encaixar na placa-mãe, o chipset precisa ser adequado pra o CPU funcionar.

Se você ficar na dúvida se um processador é compatível com uma placa-mãe, uma boa solução é verificar a Ferramenta de Compatibilidade de Produto da própria Intel, onde é possível conferir as placas-mãe de diversas fabricantes disponíveis para um CPU. 

Os chipsets são divididos nas famílias para notebooks, desktops e servidores. No caso de notebooks, não tem mistério: a combinação já é feita pela fabricante ao desenvolver o projeto do produto, não precisando que o consumidor se preocupe com isso.

Para desktop, temos a seguinte nomenclatura:

Os chipsets são divididos em linhas e gerações. Uma família determina o conjunto de recursos que essa placa-mãe irá contar, como quantidade de conexões, canais PCIe, USBs e também capacidades como overclock. Elas estão divididas em:

H - linha de entrada, para processadores básicos e com funcionalidades essenciais
B - linha intermediária, incremento em linhas PCIe, SATA e outros recursos
Z - topo de linha, quantidade total de PCIe, Sata e demais recursos habilitados, incluindo overclock
X - chipset específico da linha Extreme

As gerações são formadas em uma continuidade na casa das dezenas, com chipsets série 60, 70 e 80, por exemplo, e nas gerações mais recentes passaram a ser ordenadas na casa das centenas, com as séries de chipsets 100, 200, 300 e a mais atual, a 400, usada na décima geração Intel Core.

É bom ficar de olho em qual chipset você vai pegar, pois ele pode delimitar capacidades de seu sistema. Vamos pegar como exemplo a décima geração Core, codinome Comet Lake-S, e comparar as possibilidades com três chipsets para usuários domésticos, os H410, B360 e Z490. Em verde, estão demarcadas as especificações com variações:

 

Enquanto há tecnologias compartilhadas, como o suporte a mesma geração de conectividade USB, SATA e PCIe, há um incremento gradual na quantidade de linhas PCIe disponível, e por consequência as configurações possíveis. Também entram em ação novas tecnologias, sendo que o Intel Optane não está presente no chipset de entrada, o H410, enquanto a possibilidade de overclock só existe no chipset mais avançado, o Z490.

Em geral, o chipset é equipado em mainboards com características compatíveis, então modelos H410 serão também placas com menos estruturas de dissipação de calor e alimentação, bem como outros recursos adicionais, enquanto que placas de chipset mais potentes também estarão presentes em placas-mãe mais completas. Isso não é regra, já que as fabricantes tem liberdade para criar seus produtos, então é bom ficar de olho não apenas no chipset, mas também em toda a placa para ver se ela possui todos os recursos que você está buscando, como portas PCIe, slots para memória e SSD e outros recursos como bluetooth e WiFi integrado.

Gráficos

A algo que escapa alguns consumidores é que a Intel é um fabricante extremamente relevante de chips gráficos. Isso porque em muitos dos seus processadores também está embarcado uma GPU, e a empresa tem investido pesado em trazer seus chips dedicados, no futuro.

Começando com o que temos hoje, a empresa foca em gráficos integrados no CPU, com o Intel HD Graphics, Intel UHD Graphics, Iris Pro e o Iris Plus. Eles também são divididos em gerações, assim como os processadores, seguindo na progressão de performance HD sendo os mais básicos, UHD e por fim a linha Iris. A numeração novamente serve de referência, com um Intel Graphics HD 630 sendo superior em desempenho a um HD 620.

É relevante também observar os tiers dentro do line-up de gráficos, pois há uma clara progressão de recursos habilitados em cada um. Dentro da geração 7000, codinome Kaby Lake, temos a seguinte evolução:

GT1: 12 unidades de execução, até 200GFLOPS (presente na linha Pentium e Celeron)
GT2: 24 unidades de execução, até 441GFLOPS  (Pentium, i5 e i7 de notebooks)
GT3e: 48 unidades de execução, adição de eDRAM, até 883 GFLOPS (i3, i5 e i7 de modelos premium)

Nem sempre processadores mais potentes necessariamente trazem os gráficos mais avançados. A linha Iris está presente em CPUs para ultrafinos premium, sendo que a função primária para esses gráficos é uso cotidiano e acelera ações como codificar e decodificar vídeos para consumo. Para ações mais pesadas como trabalho pesado de modelagem ou gaming, o recomendável é utilizar gráficos dedicados, usando os gráficos integrados para atividades leves e maior eficiência energética.

A Intel prepara um grande avanço na sua linha de gráficos, com estreia para esse ano. Usando a nova arquitetura escalonável Intel Xe, a promessa é saltos consideráveis na performance de seus chips gráficos, incluindo placas dedicadas para supercomputação e até games. Essa futura linha está dividida em:

Intel Xe LP - chips de alta eficiência, com modelos integrados ao processador e placas dedicadas de entrada, com estreia esperada nos chips Tiger Lake em 2020
Intel Xe HPG - linha gamer de alto desempenho, lançamento esperado em 2021
Intel Xe HP - divisão de alta performance
Intel Xe HPC - GPUs de alta escalonabilidade para computação de alta performance

Outras tecnologias

Algumas outras siglas vinculadas a tecnologias Intel podem aparecer com frequência, então vamos destacar algumas dessas tecnologias, explicando o que são e qual sua função.

XMP
O Xtreme Memory Profile,  ou perfil extremo de memória, em uma tradução livre, é um padrão desenvolvido pela Intel em parceria com fabricantes de placas-mãe e memórias. Ele tem como objetivo facilitar a configuração de seus módulos de DRAM possibilitando que as fabricantes realizem testes preliminares e criem perfis de operação pré-definidos de operação para seus produtos.

Site oficial Intel XMP (em inglês)

Assim basta aplicar o XMP para que sua memória seja ajustada para uma configuração de frequência e timmings de maior desempenho que, nos testes realizados, é estável. É bom destacar que o XMP, como toda mudança nas frequências de operação de um produto, não é coberto pela garantia da Intel. Cada processador possui uma frequência de operação das memórias certificadas pela empresa, variando de geração para geração e até mesmo de produto para produto, dentro de uma mesma geração de CPUs.

Intel Optane

O Intel Optane é uma nova abordagem da Intel para o armazenamento de dados em múltiplos mercados, com o uso da tecnologia 3D Xpoint. Ela está em desenvolvimento para servidores, com recursos como as memórias persistentes Intel Optane, bem como em SSDs e aceleradores para computadores domésticos.

Site oficial Intel Optane
Site Intel Optane para usuários domésticos

Como nosso foco aqui é mais direcionado ao consumidor doméstico, vamos falar das memórias usadas em PCs. A memória Intel Optane tenta aproveitar a qualidade de um SSD, que é sua velocidade, e escapar de seu maior problema, que é o alto custo por gigabyte de armazenamento.

Assim, um sistema doméstico com Intel Optane usa essa memória mais rápida como um cache, guardando os arquivos mais usados nele para acelerar as ações mais comuns do cotidiano do usuário. Assim o computador fica mais ágil, e o espaço mais limitado do SSD é melhor aproveitado com arquivos mais essenciais.

vPro

A linha vPro é um conjunto de processadores com tecnologias específicas para o meio corporativo e empresarial. Isso inclui recursos adicionais de virtualização, acesso remoto e segurança em nível de hardware para um gerenciamento de TI mais eficiente e prático em uma empresa.


Com isso encerramos esse guia. Ficou faltando algo? Mande sua pergunta na caixa de comentários ou faça uma busca no próprio site da Intel, onde há muitas postagens se aprofundando nos assuntos abordados ao longo desse artigo!

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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