Créditos: Married Games | Meu Playstation | Ask Different

Por que jogos exigem cada vez mais espaço de armazenamento?! Entenda os motivos

Os níveis de realismo virtual prometidos pelas desenvolvedoras não saem de graça para os jogadores

Para quem anda acompanhando a indústria dos games nos últimos tempos, pode ter percebido o fato de que a cada lançamento, os jogos vem exigindo cada vez mais espaço de armazenamento.  Para quem vive abaixo dos limites de download do provedor de Internet também é algo preocupante, pois os títulos AAA podem ocupar grandes porções de largura de banda.Aqui mesmo no Adrenaline, por exemplo, já publicamos algumas notícias nesse sentido - menção honrosa a Call of Duty: Modern Warfare

Com a chegada iminente dos consoles da próxima geração (Xbox Series X e PlayStation 5), por exemplo, um questionamento ganha cada vez mais força: por que os jogos atuais precisam de tanto espaço? Jogadores que desejam manter mais de 4 jogos instalados simultaneamente, no contexto presente, já não se surpreendem muito em precisar de um drive para isso. E, apesar das empresas estarem enfatizando bastante o aumento de velocidade de seus SDDs de última geração, o que de certo ajudará no gerenciamento dos games, as capacidades crescem moderadamente enquanto o tamanho de arquivos para instalação  parecem cada vez maiores..

Com esse contexto dado, vou esclarecer nesse artigo alguns pontos que fazem seus jogos ocuparem mais espaço a cada dia.

Para deixar claro: estou falando majoritariamente de jogos 3D AAA


Detalhes não são de graça

Como também tratei neste artigo do Mundo Conectado,  conteúdos virtuais - sejam fotos no computador, jogos no console ou mesmo a interface do Windows - são compostos de pixels. Ao combinar um determinado número desses elementos na largura e altura de uma composição, temos o que chamamos de resolução. Quanto mais pixels uma imagem tiver, então, maior a resolução e mais visualmente "próxima da realidade" ela será.

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Há cerca de 20 anos, quando os primeiros jogos em 3D começaram a aparecer no mercado, os ambientes e personagens eram simples (em comparação com a nossa realidade atual), já que os desenvolvedores estavam começando a usar os recursos e ferramentas. Porém, não podemos esquecer que, quando isso começou, o "3D simples" de hoje era considerado tecnologia avançada.

Os consoles antigos não eram apenas incapazes de renderizar personagens e ambientes mais complexos, mas também não precisavam. O PS1, por exemplo, só produzia vídeo com uma resolução de 320 × 240 para a maioria dos jogos. Em dois discos compactos, o Metal Gear Solid (1998) ocupou cerca de 1,5 GB de espaço. Já o game da mesma franquia lançado em 2015 ocupa vinte vezes o espaço do jogo original

No entanto, preciso usar outras palavras para chegar onde quero com essa explicação. Quanto maior o número de pixels, maior é a qualidade de uma imagem, maior é sua resolução e maior é o número de detalhes disponíveis no momento da captura. À medida que os consoles e PCs se tornam mais poderosos, eles adicionam suporte a resoluções mais altas e gráficos mais detalhados. Esses níveis de detalhes em alta qualidade requerem ativos de maior qualidade, o que significa que a instalação do jogo cresce como resultado. 

Quanto mais pixels, maior a resolução, detalhes e espaço exigido

Em paralelo,  quanto mais pixels, mais espaço de armazenamento esse conteúdo exige. Quem trabalha com fotografia para a internet, por exemplo, sabe que não é necessário ter tantos megapixels no produto final, e diminuir esse número (o que também podemos chamar de "otimizar") salva bastante lugar no cartão de memória, HD ou outro drive escolhido. Nesse cenário, com uma quantidade menor de pixels, as imagens serão mais leves e carregarão mais rápido.

Abaixo, você pode conferir visualmente o que quero dizer. Temos uma imagem em resolução 720p, uma FullHD e outra em 4K, todas salvas em qualidade máxima no Photoshop. Compare o tamanho dos arquivos (detalhe: o tamanho do box vermelho não foi alterado entre as três imagens, para dar mais um exemplo sobre quantidade de pixels): 

Alguns padrões mais comuns de resolução

RESOLUÇÕES TEM VARIAÇÃO DE ACORDO COM A PROPORÇÃO DE TELA

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- HD / 720p : 1280 x 720 pixels;
- qHD: 960 x 540 pixels;
- full HD (FHD ou 1080p): 1920 x 1080 pixels;
- QHD (WQHD): 2560 x 1440 pixels.
- 2K: 2048 x 1080 pixels;
- 4K (UHDTV ou QFHD): 3840 x 2160 pixels;
- 8K: de 7680 x 4320 pixels a 10080 x 4320 pixels (depende da proporção do aparelho).


Agora, pense em um jogador de PC que quer esbanjar qualidade gráfica 4K em um título de mundo aberto (com um setup hipotético que consiga entregar isso, claro). Cada quadro entregue pelo trabalho conjunto do processador e placa de vídeo dedicada é como se fosse uma imagem. Se o computador conseguisse entregar 60 FPS nessa resolução, por exemplo, seriam 60 imagens em um segundo - cada uma com cerca de, no mínimo, 8.294.400 pixels  (3840 x 2160 pixels). Contabilizando todas as possibilidades de ação em um mundo aberto (que precisam ser administradas pela inteligência artificial em tempo real) e todos os cenários e texturas possíveis, pense em quantos pixels precisarão ser armazenados no drive em questão para entregar cenários muito próximos do real.

"As texturas podem sair de controle muito rapidamente. As texturas de 1.280 x 1.280 têm cerca de 3,6 MB, enquanto 2.560 x 2.560 se tornam 14,7 MB. Uma textura de 4K pode chegar a 64 MB. Porém, isso não é compactado para download." - Cliff Harris, da Positech Games.

"As texturas podem sair de controle muito rapidamente. As texturas de 1.280 x 1.280 têm cerca de 3,6 MB, enquanto 2.560 x 2.560 se tornam 14,7 MB. Uma textura de 4K pode chegar a 64 MB. Porém, isso não é compactado para download." - Cliff Harris, da Positech Games.

Claro, aqui estamos trabalhando com um exemplo bastante extremo, mas a lógica é a mesma para qualquer situação. Quanto mais detalhes um jogo pode oferecer, mas espaço ele ocupa, já que a quantidade gigantesca de pixels precisa ficar guardada em algum canto do seu PC - mesmo que você não use.


O áudio também entra aqui

E o vídeo mais detalhado não é o único responsável pela multiplicação de gigabytes. Outra variável presente é o áudio do jogo. Assim  como os gráficos, os dados de som também se tornaram mais complexos.  Como o How-To Geek comenta, "as trilhas sonoras dos jogos com cartuchos [...] precisavam se ajustar a tamanhos de arquivo menores do que qualquer imagem na página que você está lendo no momento". Em comparação, os efeitos sonoros realistas, trilha de fundo, DIÁLOGOS E GRUNHIDOS atuais são gigantescos.

"Você precisa entender o que há nesses arquivos que ocupam todo esse espaço. O Titanfall para PC exigia 48 GB [para instalar], mas 35 GB eram apenas os arquivos de áudio do jogo." - Zach Barth, da desenvolvedora independente Zachtronics, à Digital Trends.

"Você precisa entender o que há nesses arquivos que ocupam todo esse espaço. O Titanfall para PC exigia 48 GB [para instalar], mas 35 GB eram apenas os arquivos de áudio do jogo." - Zach Barth, da desenvolvedora independente Zachtronics, à Digital Trends.

Às vezes, esses arquivos são trabalhados para o PC ou console não ter ma camada extra de processamento o sobrecarregando, mas cada som que você ouve durante a jogatina também é armazenado em algum lugar.


Mundos maiores

Além de quadros e áudio, outra coisa que impactou - e muito - o tamanho dos games é justamente a expansão de onde eles se passam. Com os anos, os mapas de diversos games começaram a aumentar progressivamente, e até hoje estamos nesse caminho. A explosão de jogos de mundo aberto nos últimos dez anos, principalmente, criou uma espécie de corrida entre desenvolvedores para ver quem consegue criar os maiores mapas. Jogos que se organizam em níveis também tem sentido as consequências, já que os trechos e fases tem ficado maiores.

Logicamente, um mapa maior requer mais estruturas, mais texturas e, claro, mais dados. Arquivos de áudio e gráficos precisam ser ampliados.Então, já dá para ter uma noção do porquê eles influenciam no tamanho dos jogos com as informações que você analisou até aqui. 

Abaixo, você confere o exemplo de Grand Theft Auto e como seu mapa se expandiu com o tempo. Para compreender a evolução,  GTA III, de 2001, foi considerado um dos maiores jogos de roaming gratuito já feitos na época do seu lançamento.


A "morte" dos jogos físicos

Outra questão que merece ser considerada no aumento de espaço dos jogos é justamente a "extinção" de jogos físicos. No passado, o tamanho dos games era limitado pela capacidade máxima de armazenamento de discos. Mesmo que alguns jogos tenham sido lançados em várias partes, cada uma em um CD, muitas empresas preferiam evitar o custo de adicionar mais um disco.

Atualmente, já é bastante natural adquirirmos jogos apenas digitalmente, o que afasta das companhias o custo de um produto físico e a limitação de espaço. Titanfall 2 no PC nunca incluiu um disco, por exemplo. E o próprio PlayStation 5 tem variantes com e sem leitor físico.

"O ponto é que, se ainda estivéssemos fazendo mídia de distribuição física, estaríamos vendo jogos exigindo 20 DVDs, 250 CDs ou meros 121.500 disquetes de 3,5 polegadas." - Pcgamer.

"O ponto é que, se ainda estivéssemos fazendo mídia de distribuição física, estaríamos vendo jogos exigindo 20 DVDs, 250 CDs ou meros 121.500 disquetes de 3,5 polegadas." - Pcgamer.

Além disso, os títulos digitais vem trazendo vantagens sobre os físicos. O recurso "Play Anywhere", que permite compartilhar o jogo entre um PC e um Xbox, só está disponível se você comprar o jogo digitalmente. Os jogos em disco não possuem essa opção. 


Espaço de armazenamento mais barato

Por fim, assim como os jogos não exigem mais a existência de um CD, houve o barateamento e aprimoramento do espaço de armazenamento (em um contexto não-pandêmico). Entre memória de estado sólido (solid-state memory), HDs e, claro, SSDs, os computadores e consoles tem ganhado cada vez mais poder. Até discos rígidos tem ficado mais baratos.

 Um SSD ajuda consideravelmente a diminuir os tempos de carregamento de sistema, jogos e programas, além do tempo de cópia de arquivos.

Claro, ter esses componentes extras pré-instalados na sua máquina não é o melhor custo x benefício do mundo, visto que empresas buscam o lucro sobre seus produtos. Mas, em comparação com o passado, é muito mais fácil adquirir um drive de armazenamento externo, por exemplo. 

"Entre unidades maiores e conexões mais rápidas, os desenvolvedores ficaram desleixados com o tamanho dos arquivos. Afinal, se seu player possui 1 TB de armazenamento, qual é o problema de um jogo de 100 GB que ocupa apenas um décimo dele? [...] Agora, os desenvolvedores não precisam se preocupar em otimizar jogos para armazenamento - embora talvez devessem, apenas para salvar seus jogadores da frustração de instalações e exclusões constantes." - How-To Geek.

"Entre unidades maiores e conexões mais rápidas, os desenvolvedores ficaram desleixados com o tamanho dos arquivos. Afinal, se seu player possui 1 TB de armazenamento, qual é o problema de um jogo de 100 GB que ocupa apenas um décimo dele? [...] Agora, os desenvolvedores não precisam se preocupar em otimizar jogos para armazenamento - embora talvez devessem, apenas para salvar seus jogadores da frustração de instalações e exclusões constantes." - How-To Geek.


O que pode "comer seu espaço de armazenamento"?

"É incrível quantos jogos são entregues com conteúdo que nem sequer está no jogo, como gráficos antigos da interface do usuário do espaço reservado ou conteúdo que foi removido e substituído, mas os recursos artísticos permanecem." -  Cliff Harris, da Positech Games.

- Arquivos não compactados corretamente;
- Áudio para todos os idiomas;
- Aumento de tamanho de mundo / mapa;
- Atualizações ou downloads adicionais e frequentes;
- Conteúdo adicional;
- Gráficos mais detalhados;
- Recursos artísticos maiores / antigos;
- Recursos de áudio não compactados; 
- Suporte a resoluções mais altas.


Alguns jogos e sua exigência

- Assassins Creed Odissey: 98,5GB (Adrena);
- Call of Duty: Modern Warfare + Warzone: 175 GB;
- Call of Duty: Warzone: 93GB;
Final Fantasy 15: 100GB ou mais;
- Red Dead Redemption 2: 150 GB;
- The Last of Us 2: 100 GB (mínimo);
- Tom Clancy's Rainbow Six Siege: 75,7GB (sem texturas extras);
Quantum Break: 178GB.


Conclusão - O streaming vai nos salvar?

Infinity Ward deixa Warzone mais leve

Infelizmente, o cenário para quem sofre em baixar seus jogos e mantê-los instalados simultaneamente não tende a mudar no curto prazo. Diversos títulos, principalmente AAA, estão cada vez mais trabalhados gráfica e sonoramente, mapas crescem e os dados aumentam em um gráfico exponencial. Em contrapartida, os dispositivos de armazenamento não avançam tão rápido assim. Essa é a realidade do desenvolvimento de jogos hoje em dia, mesmo com um balde de otimizações.

O streaming é um adversário interessante, mas não é o salvador

No entanto, temos visto uma "luz no fim do túnel" ganhando força: o streaming de jogos. Gigantes como a Google, Nvidia e Sony já oferecem transmissão por conexão de alta velocidade, disponibilizando jogos completos sem o jogador necessariamente precisar de um hardware "monstro". As configurações locais das empresas fazem todo o trabalho pesado de gráficos e armazenamento dentro de um servidor remoto, deixando a pessoa do outro lado da tela muito mais "desimpedida" para jogar. 

Com isso, muitos vem questionando inclusive o futuro dos consoles, mas é cedo demais para tirar conclusões. As plataformas obviamente também tem suas limitações (jogos disponíveis, conexão à internet, estabilidade, etc.), mas o fato é que esse tipo de tecnologia está se espalhando, e parece um adversário interessante para disputar espaço na indústria gamer.


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Caso algum dado neste artigo esteja incorreto ou você conheça mais informações sobre o tema que não foram citadas, não deixe de deixar seu feedback nos comentários ou no "report de erro"! 

Fonte: Extremetech, How-To Geek, Digital Trends, Rocketz, Pcgamer, Mundo Conectado
  • Redator: Saori Almeida

    Saori Almeida

    Saori Almeida é natural do Rio Grande do Sul, técnica em administração formada pelo Centro Tecnológico de Caxias do Sul (CETEC) e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Gosta da cultura asiática e nerd no geral e tem interesse crescente por tecnologia e games desde pequena - gosto que se intensifica diariamente na redação.

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