Créditos: Montagem: Adrenaline

PLACA VÍDEO e PROCESSADOR: faça a combinação certa para seu PC!

Como lidar com o complexo processo de combinar processadores e placas de vídeo

O questionamento a seguir é facilmente a pergunta mais repetida em nossas lives, ou a que mais chega pelas redes sociais: placa X dá gargalo em processador Y? Tenho a GeForce Bananinha, vai bem com o Intel Churros? Dá gargalo a Radeon RX Black com o Ryzen Shadow Moon?

Balancear as peças em um PC gamer é um dos maiores desafios para quem quer construir uma máquina para jogar, mas a verdade é que a maioria dos usuários não recebem a resposta correta. Por quê? Porque não fazem... a pergunta certa. Aí não adianta reclamar se a resposta for algo improdutivo, como um perdido 42.

Não existe CPU X para placa de vídeo Y. Esses dois chips formam uma dupla que precisa estar bem entrosada. Mas como você vai saber se achou o Bebeto certo para o seu Romário? Entendendo o que cada um precisa fazer.


O processador

Apesar da placa de vídeo estar nos holofotes de um PC gamer, o processador é extremamente importante. É literalmente nele que o trabalho começa. O seu processador, como o nome "Unidade Central de Processamento" indica, concentra os processos do seu PC, e é ele quem vai precisar coordenar tudo. O quadro que vai aparecer no seu monitor começa com o processo chamado drawn call, no qual o CPU vai lá, junta todos os elementos necessários e manda o trabalho para a placa de vídeo.

Além disso, CPU tem que lidar com a física, inteligência artificial (IA) e uma série de processos que se tornam especialmente difíceis quando você pega um jogo mais complexo - um Assassin's Creed com uma cidade complexa e cheia de NPCs, ou um mapa no Battlefield com 64 jogadores atirando uns nos outros e quebrando coisas.

Abaixo, um bom exemplo: temos o Core i9-9900KS vs Pentium G4560, um processador de 300 reais e com apenas dois núcleos. Há uma diferença enorme na quantidade de quadros por segundo que cada um consegue fazer:

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Com um processador mais robusto, com mais núcleos e frequência mais alta, o jogo sobe dos pouco mais de 30FPS do Pentium para mais que o dobro com o Core i9, beirando os 85FPS.

Como tudo começa no processador, se você ultrapassar a capacidade dele, vai ter sérios problemas de stuttering - que é quando o sistema congela momentaneamente e cria instabilidades no gameplay. Se o processador não dá conta e não faz o pedido do novo frame, você fica com instantes nos quais o jogo parece parar, e fica muito desconfortável continuar uma partida, por exemplo. Você pode conferir esse efeito no vídeo abaixo, chegando até a colapsar em situações extremas:

Então, quando você está escolhendo o processador, precisa definir que tipo de jogos vai jogar, pois games mais complexos pedem um CPU mais potente.

Com o processador, você escolhe as complexidades dos games que vai jogar, como tamanho de mapa e jogadores, além de garantir estabilidade


A placa de vídeo

Ok, o processador manda as instruções, mas alguém tem que fazer o serviço e entregar os quadros - é aí que entra a placa de vídeo. Ela tem a missão de fazer os visuais dos jogos, e por isso é um elemento tão crucial nos games.

Assim como no CPU, jogos com os gráficos mais complexos vão exigir mais "poder de fogo" de uma placa de vídeo. Então, games com visuais avançados precisam de uma placa com "fôlego" para terminar rapidamente o serviço pesado e entregar vários quadros por segundo. Já jogos leves podem rodar até nos chips mais modestos.

Configurações Gráficas

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Aqui tem outro elemento importante: as configurações gráficas. Você pode modificar bastante a carga sobre sua placa de vídeo de acordo com o nível de qualidade gráfica que vai usar, ou com qual a resolução será feito o quadro (mais resolução são mais pixels, e mais pixels é mais trabalho).

Aqui dá pra ver a mudança de performance com a troca da resolução:

Com a placa de vídeo, então, você está escolhendo qual o nível de qualidade gráfica você vai jogar e qual a resolução. Quanto maior esses dois elementos, mais você precisa de força na sua GPU, mais memória de vídeo e uma placa, como um todo, mais robusta pra dar conta.

Com a placa de vídeo você está escolhendo qual o nível de qualidade gráfica e a resolução que você vai jogar


E o gargalo? E os FPS?

A taxa de quadros é uma consequência do trabalho dos dois componentes citados até agora. E é por isso que a pergunta "placa X com processador Y" não faz sentido. Você precisa escolher que experiência quer, e comprar os componentes compatíveis com ela.

Não adianta ter um processador muito potente, um Bebeto distribuindo passes sem fim, se na ponta vai estar uma placa de vídeo não dando conta de fazer os gráficos. É um atacante que recebe um monte de bola mas faz pouco gol. É literalmente o que acontece no vídeo abaixo, quando o processador Intel Core i7-6950X roda um game a míseros 40FPS, porque é o quanto a placa de vídeo em testes, a GeForce GTX 750 Ti, aguenta rodar Forza Horizon em FullHD:

Claro que tudo depende da qualidade gráfica e do jogo. Essa dupla roda acima dos 60FPS em Resident Evil 2 Remake, por exemplo.

Também não adianta ter uma placa de vídeo sobrando pra qualidade e resolução que você quer jogar, mas um processador sem fôlego pra fazer tantos drawn calls por segundo e, consequentemente, subir a taxa de quadros. Aí é um Romário que tá na área, mas não recebe bola. Dá pra ilustrar essa situação abaixo, com o uma Radeon RX 590 tendo seu potencial muito desperdiçado ao ser combinada com um Athlon 3000G.

Você precisa pensar em um CPU e um GPU compatíveis com o que está buscando. Um Core i5 9400F vai combinar com uma GTX 2080 Ti se você vai jogar em 4K, afinal deve ficar na faixa dos 60fps. Mas, se quer jogar em QuadHD com altas taxas de quadros, o i5 não vai alcançar os sonhados 144Hz. Se você quer muitos quadros em jogos competitivos, que costumam ser leves, aí faz mais sentido mandar pesado no processador, com um Ryzen 7 ou Core i7, e ir mais leve na placa de vídeo - especialmente se está mirando em FullHD.

Sempre combine seus componentes de forma a alcançar o nível de performance necessário para os jogos e as configurações que você pretende usar

E não tenha medo de gargalo, muito menos fique na aflição do "não está usando 100%". Seu computador sempre terá um gargalo, afinal sempre terá um componente que será a barreira que impedirá a taxa de quadros de continuar subindo. O que importa é fazer uma dupla de processador e placa de vídeo que cheguem até o nível de performance que você deseja para seus games.


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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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