Créditos: Montagem: Adrenaline

RTX Voice: colocando sua placa de vídeo pra melhorar seu microfone!

Testamos o recurso "exclusivo" das GeForce RTX (em placas GTX também)

Com muita gente preso em casa e usando mais que nunca suas webcams e microfones, a Nvidia decidiu lançar um projeto incrivelmente relevante para nossos tempos, o RTX Voice. Ele usa aprendizado da máquina para tentar tirar os ruídos no fundo de lives e gravações, algo muito útil com tanta gente precisando usar seus microfones do PC para se comunicar com o mundo.

Tutorial da Nvidia de como configurar o RTX Voice

O recurso segue uma lógica parecida com o DLSS das placas RTX: entram em ação as capacidades de aprendizado das placas GeForce RTX para pegar o áudio que entra, usar um algoritmo treinado para entender o que é ruído e o que deve ser mantido, e o resultado é um som mais limpo e claro da voz.

Assim como aconteceu com o DLSS, um ponto crucial da funcionalidade é a evolução do aprendizado da máquina, e o recurso ainda está em fase beta, então quem deseja experimentar deve estar pronto para algumas instabilidades.

Outro detalhe que ainda não está claro é a necessidade de uma placa RTX: através de uma gambiarra, dá para instalar o recurso e rodar mesmo com uma placa da linha GeForce GTX. Então vamos rodar testes com tanto modelos GTX quanto RTX pra ver o que acontece em termos de performance e de qualidade do pós-processamento do áudio.

Para nossos testes de performance usamos:

- AMD Ryzen 5 1600 AE
- 2x8GB DDR4 2933MHz
   - Zotac GeForce RTX 2060 Super
   - Zotac GeForce GTX 1660

- Continua após a publicidade -

Colocamos dois cenários de games: The Witcher 3 Wild Hunt e Wolfestein Youngblood. Começando pelo melhor jogo de 2015, temos um efeito bem esquisito:

Ambas as placas não tiveram uma mudança perceptível no desempenho, com ou sem o software em segundo plano. Esse resultado é inesperado e não condiz com muitos testes que tenho visto, onde há um impacto na performance, e mostra que o software ainda é instável, nesse caso talvez nem está em ação.

Mas em Wolfestein a coisa mudou, e vemos diferenças em ter o software aberto ou não:

Coisas começam a acontecer por aqui, e há uma mudança na performance perceptível em ambos os modelos. A GeForce GTX 1660 caiu pouco mais de 10%, enquanto a RTX  2060 Super não chegou a dois dígitos na porcentagem do impacto em desempenho. Não é uma mudança grande, porém considerando que nossa margem de erro é de uns 5%, dá pra considerar sim que há um impacto por aqui.

E tentamos rodar o teste, mas dessa vez pondo mais da placa RTX para trabalhar: ligamos o Ray Tracing e o DLSS, o que quer dizer que "demos trabalho" para os núcleos tensores e núcleos RT desses modelos.

Também brincamos com o software em aplicações que em teoria ele não tem suporte, com resultados positivos e.. bom, algumas incompatibilidades. Em uma live com Marcel Campos, ele funcionou bem por uns 50 minutos e então "enlouqueceu", e precisei desligar.

- Continua após a publicidade -

Não parece ter havido uma grande mudança por aqui, com uma variação ainda menor na performance que o teste sem as tecnologias RTX em ação. 

E a qualidade do efeito? Novamente é importante destacar aqui que o recurso está em desenvolvimento, então isso deve ser levado em consideração, mas já temos alguns efeitos bem impressionantes. Se aplicado a 100%, dá para perceber algum nível de distorção natural de uma supressão de ruído muito intensa, mas usando algo intermediário já temos um bom balanço entre redução do barulho e defeitos no áudio.

Em nossos testes ele impressiona em alguns resultados, fazendo desaparecer o som de trânsito que temos aqui pelo Adrenaline, tirando latidos do Guerreirinho, o cão do @supermognon, que faz participações em algumas lives, e até uma trilha muito barulhenta ao fundo praticamente sumiu através do filtro.

Mas é um programa em fase beta, e tem alguns defeitos. Em alguns momentos ele cortou sons "legítimos", como risadas ou o começo da fala de uma pessoa, em nossos testes. E claro, a eventual surtada que ele apresentou em duas ocasiões, transformando a fala em uma chiadeira completa até ser reiniciado. Outro efeito negativo é a adição de uma pequena latência, mas nada que vá derrubar a qualidade do stream, não levando a uma dessincronia do áudio com o vídeo suficiente para ser notada ou incomodar.

Apesar de ainda estar em fase beta, o RTX Voice já merece um teste e pode ajudar muito a qualidade de seu áudio em lives e chamadas com voz no PC

Então, vale a pena? Baseado em nossos testes, o RTX Voice vale uma chance especialmente para as pessoas que tem problemas com ruídos excessivos em suas lives ou mesmo jogando com seus parças em partidas online. Só é importante ter em mente a possibilidade de crashes, que se forem muito frequentes devem inviabilizar o uso da função, e também o impacto em performance. Se esses 10% não são um problema, e seu PC tá com margem para dar conta dessa redução ainda entregando um bom nível de desempenho, definitivamente merece um teste, e ainda mais se você estiver usando a aplicação para momentos que sua GPU nem está em alto uso, como em chamadas por vídeo.


  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

Deve ter lançamentos como leve melhorias na mesma arquitetura

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.