Créditos: Montagem: Adrenaline

Qual placa de vídeo devo comprar para fazer streaming no PC?

Testamos as Radeon e as GeForce para ver quem se sai melhor!
Por Diego Kerber 13/06/2020 14:14 | atualizado 13/06/2020 14:20 Comentários Reportar erro

O streaming de games já está consolidado e, com isso, uma dúvida se tornou muito comum: como eu monto um PC para transmitir minhas partidas? Rodar os games em alta performance já é algo que por si só exige um bom desempenho dos componentes, então incluir mais uma função na lista de afazeres da sua máquina torna essa missão ainda mais difícil.

Isso acontece porque não é possível simplesmente enviar o seu gameplay para a internet. O nível de qualidade (e tamanho dos dados) fica muito acima do que seu plano segura. Dando um exemplo, em um gameplay a 60 quadros por segundo, em FulllHD e profundidade de cor 24-bit, quase 3.000 megabits por segundo de sua internet serão engolidos. Pode checar seu plano de internet, acredito que ele não dá conta disso.

Então, para enviar "suas partidinhas" online, você vai precisar baixar esse números. O caminho é compressão de imagem, mas aí outro problema surge na equação: comprimir uma imagem dá trabalho, e ainda mais se você precisa comprimir 60 imagens a cada segundo, tudo isso em um PC que já está ocupado rodando um game.

Mesmo que haja a alternativa de dedicar uma segunda máquina só para lidar com o streaming, vamos focar na solução para quem está começando, que é rodar tanto o game quanto o streaming em uma única máquina.

Para isso, há uma peça fundamental: a placa de vídeo. Além de ser essencial para rodar os jogos em alta qualidade e com boa taxa de quadros, tanto Nvidia quanto AMD desenvolveram tecnologias para que seus produtos se encarreguem da compressão das imagens - trabalho que pode ser feito pelo processador, mas tem um peso altíssimo. As placas de vídeo contam com grandes quantidades de unidades de processamento e são muito boas em "esmigalhar processos" como a compressão.

Por parte das placas GeForce da Nvidia, temos o NVENC, tecnologia que testamos recentemente. Por parte da AMD, a empresa possui aceleração via hardware, mas sem um nome específico. Em softwares, ela pode ser descrita como "Hardware" ou "AMD" na caixa de seleção.

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Máquina e jogos utilizados

Para os testes, buscamos uma boa máquina para jogos, mas, ao mesmo tempo, tentamos não dimensionar os componentes em excesso - para ficar fácil de detectar gargalos. Por isso o processador é um Ryzen 5 3500X, bom modelo para jogos, mas que possui uma configuração relativamente modesta, com 6 núcleos e 6 threads. Ou seja, se as tecnologias impactarem no CPU, será perceptível, já que não temos uma quantidade abundante de threads.

Sobre placas de vídeo, testamos uma GeForce GTX 1660 Super, bom modelo do segmento intermediário e baseada na microarquitetura Turing. Já com a AMD, testamos dois modelos: a Radeon RX 5600 XT foi usada para testar a microarquitetura Navi e RDNA, enquanto a Radeon RX 590 também entra para ficarmos de olho nesses modelos bastante populares que ainda estão disponíveis - como a RX 570 que mencionamos muito em recomendações de placas com bom "custo x benefício".

Hardwares utilizados:

- AMD Ryzen 5 3500X -  6 núcleos 6 threads - link com gameplay
- Gigabyte X470 AORUS GAMING 7 WIFI - site oficial - análise
- 2x 8GB de RAM TeamGroup DDR4 3000MHz - link de compra

Placas testadas:

- Galaxy GeForce RTX 1660 Super 1-Click OC - site oficial - análise
- Gigabyte Radeon RX 5600 XT Gaming OC - site oficialanálise
- ASRock Phantom Gaming X Radeon RX 590 - site oficialanálise

Repetimos os testes usados no artigo com o NVENC buscando criar duas situações bem diferentes de uso do hardware. Com Assassin's Creed Odyssey, vamos ver o que acontece na captura com um game pesado rodando - no caso do game da Ubisoft, um game MUITO PESADO tanto para o processador quanto para a placa de vídeo. Nesse cenário, temos o Ryzen 5 3500X "contra a parede", lotado com a dificuldade do próprio game e sem muita margem de desempenho para a captura.

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O outro teste é com Rainbow Six Siege. O game tem características bem opostas ao ACO, pois roda muito mais leve tanto em CPU quanto GPU. Além disso, ele recentemente recebeu um update para Vulkan que tornou ainda mais eficiente o uso de processador.

Aqui temos um jogo que é competitivo, então deve rodar em altas taxas de quadro e que facilita a visualização de algum impacto na performance da placa de vídeo quando o streaming é ativado.


Site oficial StreamLabs

O software usado é o StreamLabs OBS. Baseado no muito popular OBS, ele é bastante conhecido e recomendado para quem deseja começar no mundo das lives. Também já traz um excelente suporte tanto ao NVENC quanto à aceleração de hardware da AMD. Fizemos a gravação do gameplay na taxa de 6.000 bits - o recomendado por serviços como a Twitch para encarar FullHD 60 fps (apesar de ser recomendável baixar para 900p em jogos com muita ação).


Testes

Performance

Nós fizemos uma rodada de testes usando a compressão pela CPU e.. bom, está fora de cogitação em Assassin's Creed, como esperado. Com o uso elevado do processador, não sobra margem de desempenho para fazer a captura. Infelizmente, também não tivemos um bom resultado em Rainbow Six Siege , novamente com uma gravação apresentando muita perda de quadros.

Os games não tiveram muita perda de performance, porém a captura feita é inútil. A única solução aqui seria reduzir a captura para uma qualidade de compressão muito baixa - o que pioraria a qualidade da imagem e potencialmente não seria o bastante no caso do ACO.

Para testar as duas tecnologias AMD e Nvidia, usamos duas qualidades de compressão: a intermediária e a alta. Nosso resultados ficaram assim:

Começando pela Nvidia, temos bons resultados - como havíamos visto no artigo anterior sobre o NVENC, tendo variações sutis na performance. Essas variações são baixas o bastante para termos empates técnicos, como aconteceu com Assassin's Creed rodando com ou sem a gravação em segundo plano - algo que pode acontecer quando a diferença de desempenho é tão pequena.

Um resultado novo que tivemos por testar mais modos é ver o quanto usar o NVENC no médio e no máximo traz pouca diferença para o desempenho do sistema. Ele chegou em seu momento de maior impacto, no caso de Assassin's Creed, a 10%, mas a estabilidade foi muito similar. 

Com a microarquitetura Navi temos dois cenários diferentes. Em Rainbow Six Siege, a queda não é pesada, perdendo uns 10% de performance no modo de qualidade média e pouca coisa a mais em qualidade alta.

Tratando-se de Assassin's Creed, o tombo foi maior, chegando a 20% na qualidade média e caindo ainda mais em qualidade alta. Também não é bom ver a queda bastante notável no 1%, o que indica que o jogo rodou com muito menos estabilidade.

Com a muito popular arquitetura Polaris, que equipa as RX 590/80/70, o padrão da Navi se repete em Rainbow Six Siege, com perda na casa dos 10%, e uma queda um pouco maior em ACO. Mas, dessa vez, não foi tão notável quanto aconteceu na RX 5600 XT.

Investigando mais a fundo a variação de uso do hardware com e sem gravação, temos uma evidência bastante clara da queda maior ou menor de desempenho nas AMDs: o uso de processador. Como é visível nos gráficos abaixo, quando ligamos a gravação o uso do processador varia:

O salto mais notável é em Assassin's Creed - justamente o cenário onde houve maior perda de desempenho. Aqui fica fácil entender porque a RX 5600 XT se saiu pior com a gravação acontecendo: como ela roda o jogo em uma taxa de quadros mais alta que outras placas do comparativo, já está "pressionando" mais o uso do Ryzen 5 3500X, que está tendo que rodar o jogo em uma taxa mais alta de quadros. Com o impacto em processador na gravação com tecnologia AMD, é com a RX 5600 XT que o Ryzen 5 está na situação mais crítica.

Como já investigamos no artigo sobre o NVENC, a Nvidia faz um serviço melhor nesse aspecto, e quando montamos o mesmo gráfico de uso de CPU com a GeForce, fica difícil enxergar as mudanças no uso do processador com ou sem gravações:


Gravação

Chega de impacto de performance. Hora de ver o que conseguimos gravar. Sem dúvida, é aqui que temos o ponto mais importante. Tivemos resultados ruins nas capturas com a AMD, sendo que todos os testes rodados na qualidade alta resultaram em vídeos de baixíssima taxa de quadros. Ou seja, não são aproveitáveis.

Em qualidade média, conseguimos um resultado bom com Rainbow Six Siege usando a RX 590, mas a taxa de quadros mais alta da RX 5600 XT tornou impossível aproveitar qualquer um dos vídeos gerados. Isso mostra que é mesmo um gargalo no processador que está impedindo a criação das gravações de forma eficiente , e que o nosso saturado Ryzen 5 3500X não dá conta de incluir mais esse trabalho. E a tecnologia da AMD não está conseguindo escapar desse problema.

Com Nvidia, conseguimos bons resultados em praticamente todos os cenários. Os vídeos tem fluidez com raras exceções - uma delas foi um curto trecho em Rainbow Six Siege, curiosamente com a qualidade no médio, onde deu para perceber um pouco de instabilidade.

Isso mostra uma maior eficiência no lado Nvidia em tirar a carga do processador através de seu recurso, enquanto a AMD precisa de margem de performance da CPU pra as capturas. Fizemos testes com um Ryzen 5 1600 AE, um processador que até perde para o 3500X em alguns cenários, mas que, em contrapartida, tem o dobro de threads disponíveis, e o resultado das capturas foram melhores usando tanto uma RX 5700 XT quanto uma RX 570.


Qualidade de imagem

Agora é hora da segunda análise: qualidade do vídeo. Além de não impactar o desempenho, é importante que a tecnologia usada para comprimir o vídeo seja eficiente, ou seja, consiga um tamanho menor de arquivo, mas mantenha o máximo de qualidade.

Estamos usando o Rainbow Six Siege apenas porque é muito difícil alinhar as imagens em Assassin's Creed, devido a pouca quantidade de quadros disponíveis nas capturas da AMD. Abaixo, tentamos encaixar o mais próximo possível uma mesma cena. Enquanto a cena é mais ampla, temos um corte em 100% de um detalhe dela:

Olhando superficialmente, todas as configurações parecem entregar um resultado parecido quando precisam "espremer" os gráficos em um bit rate de 6000 bits por segundo. Mas, olhando com atenção e dando zoom em alguns elementos, acredito que o NVENC em qualidade alta faz um trabalho melhor em limpar artefatos da imagem. Porém, novamente, como foi preciso dar um zoom e ficar olhando com atenção os detalhes de um frame estático, a qualidade final é bastante comparável entre as empresas.


Conclusão

Sem dúvidas, alguém cogitando fazer streaming deve dedicar uma atenção extra para a placa de vídeo da sua máquina. Fazer a compressão através de CPU em X264 é algo fora de cogitação, exceto se você vai investir muito pesado no processador, e com certeza é mais eficiente dedicar essa função para a placa de vídeo - que fará isso com um custo muito menor, já que mesmo modelos de entrada "se viram" bem.

Em nossos testes, tivemos perdas de desempenho na casa dos 10% quando tudo estava rodando bem, com as placas da Nvidia, às vezes, perdendo ainda menos que isso. Como não demos folga no processador, ficou evidente que a Nvidia faz um trabalho mais eficiente nesse front. E mesmo sem praticamente margem nenhuma sobrando no processador, o NVENC deu conta de rodar o jogo e entregar uma boa captura.

O mesmo não pode ser dito da AMD. Sem margem em CPU, o game até rodou, mas comprometeu a qualidade da captura em muitas das rodadas de testes. Fizemos testes adicionais com um Ryzen 5 1600, que nem chega a ser  superior ao 3500X em vários games, mas tem o dobro de threads, e isso já foi suficiente para que as capturas acontecessem de forma mais eficiente. Isso mostra que a galera do lado vermelho da força pode sim deixar as capturas e compressão de suas partidas por conta da GPU, mas precisa esta ciente que a linha Radeon também vai precisar de um pouco da performance do processador. Mesmo não sendo tão eficiente quanto as GeForce, ainda é melhor que deixar tudo "nas costas" só do CPU.

E, por fim, minha recomendação é: para aqueles que vão fazer streaming de suas partidas, deem um pouco mais de margem em seu setup, mesmo considerando o baixo impacto que as GeForce conseguiram em nossos testes. Montando sua máquina com uns 15 a 20% de performance acima do que você precisa para apenas o game, você garante que não terá surpresas quando clicar no botão "LIVE", e que sua transmissão sairá com ótima qualidade e fluidez. 

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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