Créditos: Montagem: Adrenaline

PC GAMER com performance do Xbox Series X: quanto custa ter esse desempenho hoje? [+gameplay]

Buscamos criar uma máquina o mais próximo possível do que o console terá para oferecer
Por Diego Kerber 20/03/2020 15:08 | atualizado 20/03/2020 15:38 Comentários Reportar erro

Com mais detalhes do hardware que o Xbox Series X irá trazer, podemos novamente nos aventurar em um experimento: tentar construir uma máquina com um nível de performance próxima ao do novo console. 

Com a Microsoft trazendo o console apenas no final do ano, vamos construir o nosso próprio Xbox Series X PC, com blackjack e games. Mas há vários empecilhos nessa empreitada, pois há muitas mudanças na microarquitetura que não é possível recriar completamente em um computador doméstico com as peças do mercado atual.

Vamos peça a peça falando das similaridades e diferenças possíveis, e depois vamos descobrir o que dá para fazer com essa máquina!

Nosso Processador vs CPU do Xbox Series X

O Xbox Series X, assim como o Playstation 5 também será, usa um chip customizado da AMD. O processador é talvez a peça que conseguimos passar mais perto, pois ele usa uma estrutura muito conhecida pela galera fã de montar PC: ele é equipado por dois módulos CCX com quatro núcleos cada, totalizando oito núcleos. A microarquitetura utlizada é a Zen 2, com dois modos de operação: oito núcleos sem SMT em 3.8GHz, e com SMT em 3.6GHz.

O SMT, ou simlutaneous multi thread, é a tecnologia que permite criar dois núcleos lógicos por núcleo físico do processador, melhorando a performance em aplicações que fazem um bom uso de mais threads no processador. Em games, não raro vemos eles se saindo melhor sem essa tecnologia em alguns processadores Ryzen, já que apesar de reduzir pela metade a quantidade de threads, em muitos games mais performance por thread é mais importante. E oito threads já é uma excelente contagem.

Então vamos partir de um AMD Ryzen 7 3800X, que pode ser configurado nas duas variações. A principal diferença será a litografia: esse processador é feito em 7nm, enquanto o SoC da AMD no Series X virá em 7nm+. Alguns dos principais refinamentos que vemos em versões melhoradas de litografias incluem clocks mais elevados e redução de consumo e aquecimento, dois fatores bastante relevantes para um console portátil, mas que não são problemas para nosso sistema, que terá uma fan dedicada apenas para resfriar esse processador que, inclusive, vai estar operando em clocks mais baixos dos que aqueles de fábrica.

Nossa placa de vídeo vs GPU do Xbox Series X

Na placa de vídeo as coisas mudam muito de figura, já que não há como encontrar peças semelhantes nos computadores gamers domésticos atuais. O Xbox Series X usará uma GPU baseada em RDNA 2, uma microarquitetura que nem chegou nas placas de vídeo Radeon. Para piorar, esse chip é muito mais robusto que o melhor disponível hoje para compradores de placas AMD. A RX 5700 XT possui um total de 40 Compute Units, longe das 52 CUs disponíveis em um Xbox Series X. Se somarmos os prometidos 50% de performance da nova microarquitetura, não há nenhuma Radeon disponível capaz de rivalizar com o que está por vir no videogame da Microsoft.

O jeito é trocar para o lado verde da força. Por um lado, isso quer dizer que nosso experimento não tem como chegar próximo ao que será o Xbox Series X completamente, já que vamos ter que usar uma microarquitetura muito diferente. Mas dado o que o mundo do hardware de PC tem, é o mais próximo que podemos conseguir.

Para nosso experimento, vamos usar uma RTX 2080 Super da Nvidia. Ela possui pouco mais de 11 TFLOPS de performance, chegando perto dos 12 TFLOPS prometidos no novo Xbox, mas lembrando que isso não significa tanta coisa já que são arquiteturas completamente diferentes.

Nossa RAM vs memória do Xbox Series X

A estrutura de memória é talvez uma das maiores divergências entre como o Xbox Series X vai operar e nosso computador. Isso acontece porque a Microsoft está apostando em uma arquitetura bastante diferente, com direito a memórias assimétricas, diferentes hierarquias e soluções muito diferentes da estrutura de um PC doméstico. 

O Xbox possui um SoC com memórias compartilhadas, enquanto nosso PC segue a estrutura tradicional de DDR4 para o processador e VRAM GDDR6X para o chip gráfico. A RTX 2080 Super tem 8GB operando em 496GB/s, versus os 10GB a 580GB/s e 6GB a 360GB/s do Series X.

Quanto a CPU... seria relevante saber a latência das memórias, algo importante para performance do processador em games, porém esse é um dado que não temos informação. Vamos com nossas memórias DDR4 a 3200MHz e é o que tem para hoje, sem uma noção clara do quanto isso será diferente do que está presente no console da Microsoft.

Nosso armazenamento vs Velocity do Xbox Series X

Continuando pela parte mais complicada para recriar no PC, chegamos no armazenamento. O Xbox Series X inova com uma tecnologia chamada Velocity Architecture, que usa compressão de dados, uso inteligente de carregamento das texturas e compressão alta e eficiente dos dados para trazer até 6GB/s de dados do SSD para o SoC.

Não temos como competir com isso. Usando a melhor tecnologia de SSD NVMe no padrão PCIe 4.0, algo que felizmente já temos disponível no PC, mas que em contrapartida encarece nossa máquia já que obriga usar uma placa-mãe X570, conseguimos atingir aproximadamente 5GB/s de leitura. Mas isso não é ruim: o Xbox Series X promete 2,4GB/s de leitura estável, chegando a picos de 4,8GB/s, então não ficamos longe.

Software

Aqui obviamente não há muito a se fazer. Por mais que o console compartilhe de muitas bibliotecas ao usar a API DX12, há muita diferença entre o sistema Windows 10 e o que equipará o console. O nível de otimização que um videogame possui é muito superior ao que temos no PC, com o desenvolvedor podendo testar minuciosamente o comportamento de seu software na arquitetura bem delimitada do console, enquanto no PC precisa ser mais generalista, encarando desde máquinas bem equilibradas até aquele que acha que pra 4K qualquer processador serve.

Especificações da máquina

Ao final de nossa jornada, o mais perto que conseguimos chegar da máquina criada pela Microsoft fica assim:

- AMD Ryzen 7 3800X (desabilitado o SMT, clock cravado em 3.8GHz) - tabela de especificações - R$ 2.170 - US$ 350
- Placa-mãe Gigabyte X570 Aorus Master -  análise completa - site oficial - R$ 1.399 - US$ 200
- 2x8GB DDR4 @3000MHz TeamGroup Pichau Gaming - link de compra - R$ 460 - US$ 65
- Nvidia GeForce RTX 2080 Super - análise completa - R$ 4.200 - US$ 750
- SSD NVMe PCI 4.0 2TB - análise completa - R$ 999 - US$ 250 

Total: R$ 9.228 / US$ 1.615

Com nossa máquina montada, agora só falta conhecer seu desempenho! Amanhã vamos colocar no ar nosso gameplay com essa máquina, e ver até onde as promessas de 4K, de 120fps e de Ray Tracing são possíveis nesse hardware poderoso!

Gameplayi

Mas chega de teoria, vamos para a prática. Pegamos essas peças e caímos em um gameplay, com o intuito de entender qual o nível de performance que esse hardware pode entregar.

No primeiro experimento, usamos o game Wolfenstein: Yuongblood. Apesar de não ser tão popular, a escolha é devido as tecnologias usadas: ele tem algumas das implementações mais modernas em técnicas como o Ray Tracing e o VRS, o variable rate shadding, que estão entre as novidades que os novos consoles devem apostar.

Conseguimos resultados excelentes em nosso gameplay. Já de cara deu para alcançar entre 40 e 50fps em 4K e Ray Tracing ligado. Considerando que as desenvolvedoras dificilmente vão mirar em 4K nativo quando usarem tecnologias pesadas como o RT, não ficamos longe de alcançar 60fps. Colocando a resolução em QuadHD (2560x1440), aí nossa máquina passou a sobrar, rodando em 70fps.

Também experimentamos o DLSS, o Deep Learning Supersampling, tecnologia proprietária da Nvidia e que possui hardware dedicado apenas a isso. Apesar da AMD não ter apostado em componentes dedicados, como os núcleos tensores da GeForce RTXs, existe um padrão aberto desenvolvido com a Microsoft para algo semelhante, porém usando os shadders tradicionais. Por um lado, dá pra esperar alguma implementação semelhante, por outro, ela vai necessariamente tirar parte do hardware disponível para fazer essa função. Dependendo do balanço entre custo e benefício, pode valer a pena mesmo assim.

Com o DLSS aí fica fácil. Com 4K como resolução final, o jogo passa a ter folga para [email protected] em qualidade alta e Ray Tracing ligado. Como comentamos em nosso vídeo aprofundado sobre o Wolfestein Yougblood, apesar do jogo ser renderizado em uma resolução menor, o resultado final é tão excelente que é comparável com o jogo rodando nativamente em 4K sem a tecnologia. Claro que a Nvidia precisou tropeçar ao longo do caminho para chegar nesse estágio de implementação, mas vamos ver se a AMD e, especialmente, a Microsoft, não consegue tirar também algum coelho da cartola com tecnologias de inferência e aprendizado da máquina.

Outro jogo testado foi Call of Duty Modern Warfare em seu novo modo, o Warzone. Aqui estamos de olho na promessa de mais quadros, especialmente no estresse que o novo processador do Series X será capaz de suportar. Com 150 jogadores em um mapa amplo, é preciso um CPU com fôlego para dar conta, e nosso Ryzen 7 3800X transformado em um SoC do Series X deu conta! Praticamente o tempo todo conseguimos mais de 120 quadros, chegando a picos em 150fps e momentos que, mesmo rodando em 1080p, o chip gráfico não deu conta de subir mais.

Baseado nos nossos experimentos, dá pra acreditar que o Series X vai entregar uma proposta de games em 4K, em 120 quadros e também Ray Tracing. Porém não tudo ao mesmo tempo. Os desenvolvedores terão "músculos" suficientes no novo console da Microsoft para entregar altíssima taxa de quadros, altas resoluções e tecnologias gráficas inovadoras, porém terão que escolher prioridades. E isso não é um problema.

Series X vai entregar uma proposta de games em 4K, em 120 quadros e também Ray Tracing. Porém não tudo ao mesmo tempo

O hardware que criamos tem plenas condições de lidar com múltiplas situações. É um jogo competitivo? Vai empurrar 120 quadros com alta qualidade. É um jogo imersivo? Vai por [email protected] em qualidade alta. Quer uma experiência extremamente avançada com Ray Tracing? Mira em uma resolução menor e abusa dos traçamentos dos raios de luz. Com um hardware avançado como esse, os próximos games terão muita margem para buscar novas experiências, isso tudo somado a velocidade impressionante do armazenamento em SSD promete um salto na próxima geração de consoles, algo que também pode ser comemorados pelos gamers no PC, afinal o hardware base costuma ser os consoles e as desenvolvedoras vão ousar daqui para frente. 

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

Qual o seu palpite para os preços dos consoles da próximo geração?

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.