Créditos: Adrenaline

Pasta térmica importa? Como coloco? Arruinei meu PC colocando muito?

Fizemos múltiplos testes para ver até onde tudo isso é relevante
Por Diego Kerber 13/04/2020 19:05 | atualizado 15/04/2020 09:15 Comentários Reportar erro

Montar um PC dá trabalho. Desde a escolha das peças até a parte prática de juntá-las, são várias etapas que envolvem muita discussão. E poucas delas são mais animadas que o tópico pasta térmica.

Apesar de ser um dos componentes mais baratos e sua aplicação levar poucos segundos, discussões acerca do uso correto desse material e o quanto ele realmente impacta no desempenho do PC sempre surgem. Fizemos um experimento e vamos mostrar para vocês o quanto isso é relevante!

Para que a pasta térmica?

Antes dos testes, vamos passar por um pouco de teoria. Apesar de parecer lisa, a superfície metálica nos processadores e coolers, na verdade, são cheias de pequenas imperfeições que, quando esses componentes são encaixados, formam bolhas de ar

Para você dimensionar o quanto isso atrapalha o resfriamento, essa "bolha de ar" é igual ao princípio de uma garrafa térmica. A vasilha é projetada para criar um "bolsão de ar", separando o conteúdo interno do ar exterior, e assim atrapalhar a troca de calor e a mudança de temperatura do que você quer manter frio ou quente. No caso da garrafa, esse processo é intensificado com o uso de ar rarefeito nesse bolsão, mas o ar entre os contatos metálicos dificulta igualmente a transmissão do calor do chip para a solução de resfriamento.

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Então, a função primordial de uma pasta térmica é evitar que ar fique acumulado no espaço entre as imperfeições do topo do processador e da base do cooler, preenchendo esses locais e empurrando o ar para fora, além de impedir a criação de bolsões de ar. 

Configurações dos testes

Começando pela nossa máquina de testes, o computador usado é composto por:

- AMD Ryzen 5 3600 - análise completa
- AMD Wraith Stealth
- 2x 8GB RAM DDR4 @3200MHz
- MSI GeForce RTX 2060 Super Gaming X - análise completa

Escolhemos nosso cenário de testes mirando nem muito alto, nem muito baixo. O processador é o Ryzen 5 3600, modelo com TDP de 65W, configuração  em que muitos dos processadores domésticos de alto desempenho se encaixam. A solução de resfriamento é a que já vem na caixa do produto, o Wraith Stealth.

Em nossos testes, vamos usar um projeto bastante pesado do Blender. O objetivo é forçar o processador a uma alta carga por um longo período, forçando um ponto de equilíbrio entre frequências e aquecimento.

Mantivemos as curvas das fans no padrão de fábrica, deixando o computador se comportar na configuração que muitos dos usuários mantém em casa.

Para comparação, experimentamos diferentes pastas térmicas e também diferentes formas de aplicação. Tratando-se de materiais, usamos:

- Noctua NT-H1 3.5G - link oficial
- Pasta térmica Implastec - link do produto
- Pasta dental Colgate Total 12 - link do produto

Temos um produto topo de linha, caso do Noctua que tem como destaques a alta durabilidade de 5 anos e uso de materiais de qualidade; a pasta branca da Implastec, baseada em silicone e com preço acessível; e a Colgate Total 12, com uma fórmula exclusiva e clinicamente comprovada para proporcionar branqueamento e reduzir as manchas superficiais para um sorriso mais branco.  Essa última, especificamente, está aqui para mostrar como um material não especializado se comporta.

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E o resultado dos testes está no gráfico abaixo:

Várias linhas em um único gráfico podem assustar, mas não se preocupe. Vale a pena ter as informações juntas para ver o comportamento das diferentes soluções ao longo do teste. As linhas tracejadas são as frequências em que o processador operou, enquanto a linhas sólidas são as temperaturas. Na medida que o teste roda, fica evidente que as temperaturas vão subindo e as frequências, em contrapartida, precisam descer para compensar esse efeito.

O gráfico deixa algo bem evidente: não usar nada é péssimo. Não aplicar nenhum material resultou nas linhas amarelas, que não à toa representam onde o processador operou nas frequências mais baixas e, ainda assim, nas temperaturas mais altas.

Usar qualquer material entre o processador derrubou a temperatura em 10ºC. Sim, isso inclui a pasta de dente. Quanto melhor o material usado, vemos um leve incremento de eficiência, como na dissipação de calor, com a pasta da Noctua sendo a que mais demora pra aumentar a temperatura e a que estabiliza um pouco abaixo das demais. Também vemos o Precision Boost conseguindo aproveitar essa margem térmica para manter os clocks entre 50 e 100MHz nas soluções térmicas mais eficientes.

Fato curioso é ver que mesmo sem pasta térmica nenhuma, o Ryzen 5 3600 manteve o clock a, ao menos, 3,8GHz. Ou seja, conseguiu um boost sobre o clock base de 3,6GHz.

Agora, para o segundo round. Vamos comparar a aplicação da pasta térmica e a forma como isso impacta no desempenho. Testamos as seguintes formas, todas usando a NT-H1:

Usamos o próprio dedo para criar uma camada uniforme, espalhando a pasta térmica; um conjunto de pequenos pingos ao longo do HIS; e também um dos favoritos da galera aqui no Adrena, devido sua praticidade, o "feijãozinho" no meio do processador. Além disso, jogamos um monte de pasta térmica só pra ver o que acontece.

E o gráfico é bem menos diverso que o anterior:

Passada a fase inicial do teste onde temos oscilações maiores, com temperaturas e frequências tendendo a estabilizar com o tempo, o resultado é uma diferença praticamente inexistente entre as frequências na reta final, enquanto as temperaturas ficaram bem próximas.

A vencedora, por margem estreita, foi a aplicação espalhada. Aplicar de forma homogênea uma fina película parece, baseado nesse teste, a forma mais eficiente de usar a pasta térmica.

Mas, entre a aplicação no centro, com pingos espalhados e espalhar manualmente de forma homogênea, temos as temperaturas finais de 85ºC, 84ºC e 83ºC, respectivamente. Ou seja, diferenças mínimas. 

O pior resultado foi jogar um monte de pasta. A função da pasta térmica é evitar a formação de bolsões de ar nas imperfeições dos contatos entre a parte superior do processador e a base do cooler, não ser o condutor em si. Se a camada é excessivamente grossa, pode até se tornar parte do problema.

Mas isso não é a maior questão Devido a pressão do cooler contra o processador, a tendência é que o excesso seja lançado para fora. Sim, o problema de exagerar na pasta térmica tem menos a ver com os 4ºC a mais na temperatura final, comparado a aplicação espalhada, e mais a ver com o desperdício de pasta térmica e a "lambança" que isso causa, como dá pra ver na imagem abaixo:

Então, a pasta térmica e sua aplicação são tão relevantes?

A resposta é sim e não. Sem dúvida, você deve prestar atenção nessa etapa da montagem de seu computador, mas, ao mesmo tempo, não deve ficar quebrando a cabeça como se houvesse algum misticismo por aqui - você não vai precisar desenhar um pentagrama com metal líquido para desbloquear o poder de overclock do seu chip.

Aplicar com cuidado, para maximizar a eficiência da pasta, e escolher um produto de boa qualidade são coisas bem-vindas graças à margem de frequências mais altas que o chip terá para funcionar, a rotação mais baixa que o cooler poderá operar e, por consequência, seu PC ficará mais silencioso. Fora o fato de que você vai ter um bom tempo antes de precisar fazer a troca da pasta térmica.

Aqui também recomendamos uma proporcionalidade. Se você está com um sistema intermediário, como o usado em nossos testes, ou de entrada, a dissipação de calor é um problema menor. Agora, se vai usar um chip potente e que dissipa mais calor, ou vai fundo no aumento das frequências de operação, definitivamente a escolha da pasta térmica (bem como todo o sistema de resfriamento) deve ser contada como investimento adicional do sistema em geral, e portanto você deve dar preferência a produtos de maior eficiência.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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