Computadores compactos com desempenho próximos de desktops

Em 2014 e 2015 uma nova geração de modelos de computadores compactos seguindo o conceito NUC (Next Unit of Computing) chegaram ao mercado, a Gigabyte trouxe modelos com Core i7 de 4ª geração e a Intel lançou a 5ª geração dos modelos NUC também trazendo o poder de modelos de processadores da linha Core i7 através do modelo NUC5i7RYH, com modelos Core de 5ª geração. Passado um "boom" inicial algumas poucas empresas seguiram lançando versões desses computadores compactos, sendo a Gigabyte uma que continua até hoje, com projetos mais refinados e com algumas características diferentes dos modelos da Intel, chamando esse "perfil" de computadores de BRIX.

Desempenho próximo de dektops mais baratos, e tamanho muito menor

Já fizemos alguns artigos com modelos dessa linha como do Brix Pro com Core i7 de quarta geração, do Brix S com um Core i7 Skylake e também de um modelo compacto com uma GTX 1060 integrada, e agora voltamos com um novo que promete ir um pouco além dos anteriores em poder de processador, seguindo o mesmo conceito de PC compacto, mas aumentando desempenho e diminuindo a temperatura e especialmente o consumo de energia. O modelo que vamos tomar como base para esse artigo é o Gigabyte BRIX de 8ª geração com um processador Core i7-8550U, modelo topo de linha da série "U", com 4 núcleos e 8 threads. Não podemos deixar de destacar também o modelo "Gamer" da própria Intel, que passou por aqui recentemente, estamos falando do Intel NUC Hades Canyon, com um Core i7-8809G, 16GB de RAM e vídeo integrado Radeon RX Vega M GH.

Intel+AMD: jogamos no NUC Hades Canyon

Vale destacar que a Gigabyte possui vários modelos com esse mesmo CPU, mudando de acordo com a região onde ele é lançado. Existe também modelos mais baixos e mais altos, com a única diferença de adicionar o suporte a um drive em formato de 2.5 polegadas, o modelo que temos aqui não traz esse suporte, porém traz a vantagem de fica menor e mais compacto. Para ver uma lista com vários modelos da empresa clique aqui.

Na foto abaixo é possível ver a diferença entre dois modelos, o mais baixo sem suporte a drives no formato 2.5 polegadas, e o mais alto adicionando esse suporte.

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Link com modelos BRIX da Gigabyte


BRIX vs Desktop

Tamanho
A primeira coisa que chama a atenção quando se compara um BRIX (ou NUC) com um modelo tradicional de computador desktop é logicamente o tamanho. Muitas empresas continuam investindo em gabinetes grandes, mas com a queda do mercado de desktop hoje esse conceito de produto "gigante" já não vende como antigamente, justamente pelo espaço que ocupa, além é claro do preço já que a concorrência atual é muito maior. Modelos que foram ícones em gabinetes como o Cosmos da CM, mesmo ainda sendo espetacular, já não atrai os olhares interessados como no passado.

Na foto abaixo temos uma foto de um gabinete em tamanho mid-tower, ou seja, formato médio de gabinetes tradicionais, que suporta apenas uma mainboard Micro-ATX, sendo assim se trata de um gabinete que não é dos maiores. Ao lado dele o Gigabyte Brix com Core i7-8550U de 8ª geração, modelos mais compacto da empresa com suporte a apenas drives SSD em formato M.2, falo isso porque como já mencionamos existe um modelo um pouco mais alto suportando além de um SSD M.2 um drive em formato 2.5 polegadas SATA, que pode ser SSD ou HD.

O grande diferencial de um gabinete maior é na hora da atualização do sistema

A diferença de tamanho é gritante... a ideia do artigo é mostrar que em alguns casos não há a necessidade de um sistema com gabinetes tradicionais para ter o mesmo desempenho, isso porque tivemos uma evolução grande nos sistemas compactos nos últimos anos, a prova disso é justamente o Intel NUC Hades Canyon que já consegue entregar alto desempenho rodando de forma satisfatória games mais populares em FullHD. Lógico que mais desempenho também significa preço mais alto.

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Upgrade
Agora não podemos deixar de destacar o grande diferencial de um desktop, seu poder de upgrade, que é limitado a memórias e armazenamento em um BRIX ou NUC, e para muitos isso faz toda a diferença. O modelo que analisamos requer a compra/instalação de um kit de memórias e do SSD, algumas empresas vendem o pack para facilitar a vida do usuário, sendo necessário apenas ligar. Agora diferente do desktop onde é possível aumentar o desempenho do sistema de diversas formas, CPU, placa de vídeo e memória especialmente, nesse tipo de sistema mais compacto as possibilidades de upgrades são bem limitadas.

Upgrade de memórias e SSD, nada mais

Esse tipo de sistema é indicado especialmente para uso onde não há muito espaço disponível, e com aplicações que não demandem muito do hardware, especialmente na parte dos gráficos. Porém "dá para brincar" com alguns games como demonstraremos mais adiantes em um comparativo que fizemos com um BRIX de 6ª geração(Core i7 de 2 núcleos e 4 threads), com esse novo BRIX de 8ª geração (Core i7 de 4 núcleos e 8 threads) e o PC da Crise, equipado com o CPU AMD Ryzen 2200G de 4 núcleos e 4 threads e vídeo integrado Radeon Vega 8, que promete resultados superiores aos gráficos integrados Intel, tanto é que a própria Intel já utiliza ele em alguns de seus processadores, como o NUC Hades Canyon.


Bancada do PC da Crise,montada na caixa da própria mainboard

Lista de testes com o PC da Crise em games

Combinação ideal com um Monitor
Os NUC mais compactos como esses modelos BRIX das fotos, assim como NUCs, são ideais para ficarem instalados juntos a monitores com furação VESA na parte traseira. Nas fotos abaixo mostrando essa combinação, sendo importante ficar atento ao monitor, já que alguns usam a furação VESA para prender a base do monitor, inviabilizando a instalação dessa forma, no caso do modelo utilizado, a base fica embaixo liberando o encaixe para a instalação do BRIX. Uma forma de resolver se não tiver a furação é utilizar fitas dupla face, aquele 3M tradicional serve bem, já que eles são bem leves.

Uma situação curiosa acontece com o modo como é sugerido colocar o BRIX quando usando o suporte VESA, já que as conexões de vídeo ficam pra cima, o que não tem sentido já que o lógico e mais fácil para esconder e organizar os cabos é justamente o contrario. No próprio BRIX ele tem uma marcação também, quando elas ficam na posição sugerida, o cenário não é o ideal, porém girar 180º e pronto, o encaixe se mantêm igual e tudo fica certinho como podem ver na última foto, com as conexões de acesso rápido em cima, leia-se USB Tipo A e C, além de P2.


Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- Intel Graphics Driver 25.20.100.6618
- AMD Adrenalin Edition 19.4.1

Aplicativos/Games:
- 7-Zip [site oficial]
- Adobe Premiere [site oficial]
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 / R20 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.x [site oficial]

- 3DMark FireStrike / Sky Diver (DX11)
- Bioshock Infinite (DX11)
- GRID 2 (DX12)
- Tomb Raider (DX11)

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc.


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,
independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,
já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance, separamos um que mostra um cenário diferente dos demais, a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R20
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também, já na versão R20 lançada em março de 2019:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBOT x265 Benchmark 2.0
Agora outro teste de conversão de vídeo, mas com o codec h265 e testes em FullHD e 4K:

Adobe Premiere CC
Mais um teste de renderização de vídeo, em um cenário real renderizando um vídeo com o Adobe Premiere CC 2018 sem uso de GPU:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto, possuindo também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance, abaixo o desempenho dos sistemas com ele:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Além de aplicativos, também fizemos testes com alguns games, sempre destacando que o PC da Crise poderia ser atualizado com uma placa de vídeo dedicada, já computadores como os BRIX, dependem de uma conexão Thunderbolt e de um dock externo com suporte para placas de vídeo dedicadas, solução que ainda não se tornou popular por alguns fatores, entre eles o preço.

Bioshock Infinite
Clássico no estilo FPS ainda tem bons gráficos e é uma boa forma de testar sistema um pouco mais antigos ou gráficos não tão potentes como é o caso:


GRID 2
O game GRID 2 tem um diferencial de ter sido desenvolvido em parceria com a Intel, logo tende a ter um bom desempenho em gráficos integrados, como se comprovou nos testes, o fato curioso é o desempenho melhor do gráfico integrado do modelo de 6ª quando comparado com o de 8ª, outro ponto o resultado abaixo do esperado da Vega do 2200G.


Tomb Raider
Por fim o clássico Tomb Raider, apoiado pela AMD, mas apesar dos resultados melhores do GPU Vega, quem chamou a atenção foi o gráfico integrado do modelo de 8ª geração, que ficou bem acima do modelo de 6ª geração.


Gameplay com NUC Hades Canyon

Abaixo um vídeo de gameplay com o NUC topo de linha da Intel, modelo capaz inclusive de rodar games em FullHD 60 FPS, e com processador top para notebook, muito utilizados nos modelos gamer que buscam entregar o melhor desempenho para esse tipo de produto. É com certeza a melhor solução em vários aspectos quando se trata de um PC compacto.


Conclusão

Nos testes foi possível notar que mesmo não trazendo um avanço muito grande, o desempenho do BRIX com Core i7 de 8ª mostrou uma consistente evolução sobre a versão de 6ª geração em boa parte dos testes. Nos games testados, que pararam de ter suporte por parte das desenvolvedoras e mesmo das empresas de GPU em relação a otimizações via drivers, dá para ver o desempenho alternado.

De positivo vejo esses computadores com tecnologias atuais, sendo boas alternativas para quem quer um computador para trabalhar em casa, sem forçar de mais o sistema como para uso em edição de vídeos ou algo do gênero, será possível rodar um game ou outro em qualidade média e resoluções mais baixas, aquele PC para "quebrar o galho" quando quiser relaxar um pouco, mas fica por isso, rodar um medalhão AAA não vai ser tão simples, talvez em algum modelo com GPU da linha Radeon como o NUC Hades Canyon, que traz um CPU mais parrudo e vídeo integrado topo de linha.

Compacto com tecnologias atuais

O porém desse tipo de produto é seu preço, ainda um pouco caros. Nos EUA um modelo como o Gigabyte BRIX de 8ª geração utilizado para esse artigo custa na casa de US$540 atualmente, sendo necessário ainda adquirir memórias e um SSD M.2, levando o preço final para algo na casa de US$650 dólares (8GB RAM + 250GB armazenamento). Com esse valor nos EUA se monta um bom desktop com um Ryzen 5 2600, que é um processador mais parrudo, inclusive com uma placa de vídeo de entrada superior aos modelos integrados dessas soluções mais compactas. Mas ai entramos naquela, o tamanho e conceito muda muito, e a diferença de desempenho tem caído desde o lançamento, inclusive agora aparecendo soluções comCore i7 e número maior de cores/threads surtindo melhora em algumas aplicações. Ainda não da para igualar em desempenho, especialmente porque a questão de upgrade é um diferencial a se levar em conta em um computador desktop, mas o tamanho reduzido aliado a baixo consumo de energia são fatores que podem atrair muita gente.

Se um modelo como o NUC Hades Canyon viesse com preço mais atrativo será uma opção muito legal para quem deseja um bom computador, inclusive com gráficos integrados razoáveis, e não abre mão de ter um produto de tamanho bem menor que os tradicionais gabinetes. Outro ponto difícil é que no Brasil temos uma dificuldade bem maior para achar esse tipo de produto, quando se acha, bem mais caros.

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.