Quanta performance uma GTX 1070 tem em um notebook muito fino?

A geração 10 da Nvidia trouxe níveis de performance muito interessantes para notebooks, com diferenças bem mais reduzidas entre um modelo de chip gráfico de notebook e de sua contraparte de desktop. Isso foi possível por excelentes níveis de consumo e aquecimento de chips gráficos baseados na microarquitetura Pascal, que tornaram viável colocar, no espaço restrito de um notebook, o mesmo chip da placa de vídeo para computador de mesa, e ainda manter um nível próximo de performance.

Enfim os notebooks alcançaram os desktops? Os resultados impressionantes da serie 10 da Nvidia

Alguns notebooks estão levando esse conceito ao extremo. A Nvidia vem encabeçando essa proposta com a nomenclatura "Max-Q design" e não se tratam de chips diferentes, e sim o conceito de notebooks muito finos mas capazes de entregar altíssima performance. Recebemos para testes o Avell G1570 Lite, um desse modelos com proposta de entregar designs muito finos e, ao mesmo tempo, muito desempenho. Em apenas 1,85cm de altura, ele condensa um processador Core i7-7700HQ, 16GB de RAM e uma GTX 1070!


Pouca espessura e fonte de energia compacta (para os padrões dos notebooks gamers)

O G1570 Lite coloca uma GTX 1070 em um notebook com apenas 1,85cm de altura

Não é só o sistema de resfriamento que está trabalhando em um espaço mínimo. Um detalhe que as vezes é esquecido em notebooks gamers são suas gigantescas fontes, que podem passar de um quilo! No caso do Lite, a fonte é bem mais compacta que as presentes nesses notebooks de alto desempenho, algo que faz muita diferença quando você for carregar seu notebook na mochila (e você vai levar o carregador, pois a autonomia não é das melhores nesse perfil de aparelho).

Para ter noção da diferença de desempenho que essa restrição toda de espaço, fizemos uma bateria de testes que inclui uma GTX 1070 referência da Nvidia, uma GTX 1060 6GB (primeira placa de desktop abaixo no line-up) e outro modelo também equipado com uma GTX 1070, o Avell 1556 MX. Porém, diferente do Lite, o MX tem 3,64cm, o dobro de espaço para ventilar o Core i7 e a GTX 1070. 

Vídeo

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Benchmarks

Com exceção de Rise of the Tomb Raider, onde há um resultado bastante atípico, tivemos um resultado bastante consistente do G1570 Lite. A GTX 1070 em notebooks de maior porte entregou uma performance que se situa entre o desempenho de uma GTX 1070 e 1060 em um desktop. Restringir mais sua alimentação de energia e sistema de resfriamento fez com que o desempenho se emparelhasse com o da GTX 1060 de desktop. Comparando os dois modelos da Avell, um com um sistema robusto de resfriamento e o mais fino, a perda de performance foi na casa dos 15%. Enquanto isso, comparado com a GTX 1070 de computador, a perda fica entre 25 a 35%.

Em espaço muito restrito, a GTX 1070 no notebook rende o equivalente a uma GTX 1060 de um desktop

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Também incluímos Assassin's Creed Origins e Middle-earth: Shadow of War no comparativo, porém por conta de serem jogos mais recentes temos uma biblioteca bem mais restrita de modelos testados, até o momento. Novamente a performance é entre 25 a 35% inferior ao do modelo de computadores de mesa.

Ela fica até 35% abaixo da GTX 1070 de desktop, e uns 15% abaixo de um notebook mais robusto

Esses resultados são reflexos das reduções necessárias para manter os limites de temperatura e aquecimento aceitáveis. Enquanto a GTX 1070 no Avell 1556MX tem como clock base 1443MHz e vimos romper a barreira dos 1700MHz em gameplay através do GPU Boost 3.0, o modelo ultrafino da Avell tem clock base em 1101MHz e costuma estabilizar na casa dos 1200 a 1300MHz em uso intenso devido a suas grandes limitações de consumo de energia e resfriamento.

Temperatura e ruído

E baixar as frequências foi o bastante para manter aquecimento em ordem? Sim e não. Em nossos testes o aquecimento não foi muito acima do aferido em outros modelos de alto desempenho, com uma margem bem tranquila considerando que o limite térmico do chip é de 94ºC. 

O problema foi no chip do lado de lá... o Intel Core bateu impressionantes 88ºC em nosso teste com o wPrime, e durante testes com o 3DMark chegou a atingir 94ºC. Isso é pouca margem de sobra comparado aos 100ºC que são o limite aceitável.

Apesar desse valor elevado, não houve sinal de thermal throttling, que é quando o chip é obrigado a reduzir seu desempenho para escapar do superaquecimento. Além de manter frequências na casa dos 3.2GHz muito do tempo (nada mal considerando que o clock base é 2.8GHz), as pontuações dos testes ficaram na mesma casa das alcançadas por outros modelos com o Core i7-7700HQ, inclusive os notebooks com sistemas bem mais robustos de resfriamento.

A GTX nem esquentou muito. Já o Core i7...

O problema é outro. Para conter esse aquecimento, todas as ventoinhas operam com potência muito alta, e o resultado é o notebook mais barulhento que testamos até o momento em alta carga. Informação importante: decibéis não é uma grandeza linear, e a cada 10dB temos sensação de dobrar o ruído. Em atividades rotineiras ele também não se sai bem, e não raro as fans começam a trabalhar com maior intensidade quando não há nada aberto, ou há apenas aplicativos leves como o navegador em execução.

O ruim de ter um sistema tão compacto é que fica muito difícil evitar que o calor atinja áreas como o teclado, e que ocasione eventuais desconfortos ao usuário. O notebook chega a apresentar um aquecimento perceptível na área do teclado e do apoio dos pulsos. Deixar no colo para jogar é algo definitivamente fora das opções disponíveis.

Conclusão

É um resultado bastante impressionante ver um nível excelente de performance em tão pouco espaço. Mesmo com as perdas de capacidade do chip GTX 1070 por conta de estar "estrangulado" em termos de resfriamento e consumo, ele consegue manter a performance de uma GTX 1060 de desktop, o que se traduz em games rodando na qualidade Ultra e resolução FullHD e até mesmo qualidade Alta em QuadHD (1440p).

O problema é que o impacto foi grande na eficiência do sistema de resfriamento, que precisa de rotações muito altas nas ventoinhas para compensar a pouca estrutura passiva de dissipação, como a falta de amplos heatsinks, por exemplo. O resultado é um notebook bastante barulhento, e que mesmo assim atinge temperaturas altas. A grande decepção foi o processador: se a microarquitetura Pascal está mandando bem em eficiência, o Kaby Lake de alta performance até mantém bom desempenho, mas em contrapartida atinge temperaturas bastante elevadas.

O desempenho é impressionante considerando a portabilidade,
mas é notável o aquecimento

O maior impacto acontece em outra ponta: o custo. O Avell G1570 Lite é vendido com preço a partir de R$ 9 mil, algo que não inclui nem o sistema operacional. Apesar de entregar níveis de performance e portabilidade antes indisponíveis, os notebooks da linha Max-Q vêm com preços que são impeditivos para a maioria dos consumidores.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube