Trabalhando em notebook vs desktop: comparamos em edição de vídeo, fotos e CAD

Já faz algum tempo que recebemos pedidos de testes para mostrar o desempenho de componentes para aplicações profissionais, como edição de fotos, vídeos, CAD ou manipulação e criação de objetos em 3D. O foco do Adrena em hardware costuma ser entretenimento e games, mas chegou a hora de atender a essa demanda!

Para isso, vamos fazer um primeiro artigo fazendo um comparativo que será muito últil para quem está na dúvida entre um notebook ou um desktop para trabalho. Qual a diferença de desempenho que você obtém em cada plataforma?

Tentamos trazer duas plataformas equivalentes para a disputa. Nossos testes utilizam o Avell Titanium 1556 MX, um notebook/workstation poderoso que em sua versão mais básica já conta com um Intel Core i7-770HQ, 16GB de RAM e uma Nvidia GeForce GTX 1070. Toda essa configuração sai por R$6.999 no site da Avell. Montamos um PC equivalente nas configurações, colocando em ação uma Nvidia Geforce GTX 1070 referência:

- CPU Intel Core i7 7700K - R$ 1.339
- Mainboard LGA 1151 - R$ 419
- 16GB de memória RAM - 2x R$ 180
- Placa de vídeo Nvidia GeForce GTX 1070 - R$ 1.789
- HD 1TB - R$ 260
- Gabinete - uns R$ 260
- Jogo com teclado e mouse -  R$ 100
- Monitor - um básico em torno R$ 450
- Fonte 500W - R$ 240

Preço total estimado: R$ 5.867 

É importante destacar que algumas de nossa escolhas são genéricas, já que o gabinete fica por conta do usuário, enquanto teclado e monitor usamos como referência preços de modelos bem modestos, que ficam próximo do porte da tela do próprio notebook, por exemplo. Alguém que pretende trabalhar em seu PC deve reservar mais dinheiro para uma tela mais ampla ou, ainda melhor, múltiplas telas. 

Nesse comparativo já fica evidente uma coisa: quanto custa a portabilidade. Investimos em torno de 3 mil reais a mais para comprar o notebook, quando comparado ao valor de comprar cada uma das peças e montar um PC com os mesmos componentes. Esse processo já é bem conhecido dos consumidores e fãs de notebooks: a miniaturização dos componentes e os projetos mais complexos para montagem desses PCs compactos são acompanhados por um maior custo.


Fonte de 600W versus 230W. Uma das causas das diferenças de performance

Porém não é só no preço que temos algumas adversidades. Com menos espaço para o sistema de resfriamento e sistemas mais modestos de alimentação de energia, mesmo nos casos em que o chip usado é o mesmo do desktop, existem diferenças de desempenho. Mas, afinal, qual o tamanho da diferença? Vamos ver agora nos testes!

Vídeo

- Continua após a publicidade -

Edição de imagens

Nossos primeiros três testes usam o Photoshop para verificar o poder dos hardwares em realizar ações em edição de imagem. Escolhemos três ações devido ao alto poder de processamento envolvido, já que testes mais leves gerariam resultados muito próximos e pouco úteis pois o Photshop retorna o valor em segundos. O filtro Extrude é um velho conhecido nosso, nos testes no Adrena: ele é um efeito que gera um quadriculado tridimensional da imagem, algo muito intenso em uso de CPU. As outras duas ações estão listadas no site da Adobe como "acelerados por GPU": o efeito de borrão em espiral e redimensionar imagem para um tamanho muito maior.

Edição de vídeo

- Continua após a publicidade -

Para testar performance na edição de vídeo, colocamos dois softwares em ação. Renderizamos um projeto do Premiere CC 2017 composto em partes por um vídeo simples transições e correções de cor e um segundo trecho com uma montagem mais complexa, com quatro vídeos com tempo acelerado e gráficos inseridos. Vocês podem ver o vídeo final aqui. O outro software é o V-Ray

Modelagem 3D

Para testar a capacidade dos componentes em atuar na modelagem de objetos em 3D colocamos em ação o Blender, uma poderosa ferramenta de código aberto utilizada na criação e manipulação de objetos. Utilizamos o teste BMW Benchmark, um teste clássico desse aplicativo, que está disponivel para download nesse link. O teste é separado em dois projetos: um com uso mais intenso de CPU e outro de GPU.

CAD

Para criação de designs auxiliados pelo computador usamos uma das ferramentas mais tradicionais e validadas pela indústria: o SpecViewPerf. Ele faz um conjunto de testes com diferentes ênfases, focando em diversas áreas de uso intensivo de processamento.

O Creo e o Catia fazem manipulação de objetos complexos em 3D, o Maya manipula uma imagem gerada pelo software da Autodesk, o Energy manipula dados complexos de monitoramento de terrenos e o Medical se encarrega de visualizar imagens em 4D de um coração e de um besouro. Estamos falando renderizações que passam muitas vezes das centenas de milhares de vértices.

Todos esses testes são intensos em uso de GPU, e o próprio site oficial não recomenda rodá-los sem ao menos 1GB de VRAM. O download é gratuito, para quem quiser experimentar em seu PC.

Veredito

Ficou evidente ao longo dos testes que a perda de desempenho do notebook comparado ao desktop ficou na casa dos 15 a 20%. Na prática, estamos falando de uma renderização no Premiere levar 07min25seg no computador de mesa e 09min41seg no notebook, ou um filtro que leva 144 segundos no desktop tomar 176 segundos no notebook.

A diferença gira entre 15 a 25% na maioria dos testes

Ao longo dos testes também foi possivel ver outro padrão: a Nvidia parece ter feito um serviço mais competente em seus chips para dar conta das situações adversas de um notebook, como aquecimento e consumo. Em testes com ênfase na GPU, como CAD ou render 3D focado em chip gráfico, vimos o Avell praticamente empatar com o desktop ou trazer resultados muito próximos, mostrando que a GTX 1070 consegue trazer excelentes resultados mesmo "espremida" na fina carcaça de um notebook. Essa melhor equivalência entre GPUs comparado a CPUs não é surpresa, pois já era visível em testes com games (GPU 10% mais lenta, e CPU 30% mais lenta):

A CPU penaliza mais o notebook do que a GPU ao longo dos testes

Um fator que influenciou na diferença dos processadores é que os Core da geração Kaby Lake ainda são CPUs de uma era um tanto estagnada nesses hardwares. A AMD "chacoalhou o mercado" com a introdução dos processadores Ryzen, entregando mais núcleos e threads pelo mesmo preço e com baixo consumo e aquecimento. Todos esses elementos são muito promissores para futuros notebooks equipados com essas CPUs da AMD, já que mais núcleos são excelentes para muitas dessas aplicações que testamos. No momento ainda não foi anunciado nenhum modelo com esses novos processadores da AMD, mas já há eventuais teasers por aí.

Os Ryzen em notebooks podem fazer muita diferença em futuros comparativos

Mas não é só na performance que as diferenças surgem. Como mostramos lá em cima, há uma diferença de preço considerável entre montar essas configurações em um desktop e comprar um notebook. Nesse nosso experimento, estamos falando de 3.000 reais a mais para obter a portabilidade. Outro elemento que entra também na equação é a possibilidade de upgrades futuros. Nos notebooks é raro ser fácil trocar algo além das memórias RAM e o armazenamento, o que significa menos potencial de trocar peças e aumentar a vida útil do computador. No desktop, em contrapartida, tudo pode ser modificado.

Então se é mais caro, tem menos desempenho e não permite ser atualizado, por que optar por um notebook? A palavra chave é a mesma na decisão entre um notebook gamer ou um desktop gamer: portabilidade. Apesar de levar 20% mais tempo, um notebook/workstation ainda termina a renderização de um vídeo em um excelente tempo, e tem um talento que o desktop não tem: entrar em uma mochila. E nossa própria experiência de coberturas em eventos, como BGS, CES, Computex, etc, notebooks de alto desempenho foram cruciais para nos dar mobilidade e tornar possível a edição de vídeos que começavam na sala de imprensa e eram finalizados no hotel, por exemplo.

A portabilidade é o elemento principal para optar por um notebook, caso contrário a melhor opção é o desktop

Se poder levar seu trabalho com você para qualquer lugar é importante, mesmo havendo esses pontos negativos a opção pelo notebook ainda é a melhor. Para os demais casos, a maior performance, menor custo e facilidade de upgrades tornam a opção por um desktop imbatível.

Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube