Entenda os processadores da MediaTek e como a empresa fez sua fama [+update]

[+ Update]
A MediaTek anunciou que vai parar de fabricar processadores topo de linha para smartphones e tablets. A suspensão da produção é planejada para durar entre um e dois anos, sendo que nesse período a empresa não vai mais estar presente em dispositivos com hardwares mais potentes. O último modelo lançado pela MediaTek voltado para linha de smartphones premium foi o Helio X30, embarcado em modelos Meizu e Elephone. [Leia +]

"... O chipset e o modem devem ser capazes de atender requisitos de alto padrão para os Estados Unidos, China, Japão, Coreia, Africa, Índia e Europa, certo? Então ele precisa de especificações de modem mais recentes e otimizadas. O Helio X30 provavelmente não estava nesse nível, em termos de requisitos globais, mas nós sabíamos disso, né?"
- Diretor geral de vendas internacionais da MediaTek, Finbarr Moynihan

"... O chipset e o modem devem ser capazes de atender requisitos de alto padrão para os Estados Unidos, China, Japão, Coreia, Africa, Índia e Europa, certo? Então ele precisa de especificações de modem mais recentes e otimizadas. O Helio X30 provavelmente não estava nesse nível, em termos de requisitos globais, mas nós sabíamos disso, né?"
- Diretor geral de vendas internacionais da MediaTek, Finbarr Moynihan

Depois de suspender a produção de processadores de alto desempenho, a MediaTek anunciou o SoC MT2621, primeiro modelo System-on-chip dual-mode do setor projetado para aplicações de Internet das Coisas (IoT), tanto de banda NB-IoT, quanto para conectividade GSM/GPRS. O chipset MT2621 é compatível com grande variedade de dispositivos conectados, incluindo rastreadores para área da saúde e outros dispositivos wearables, sensores de segurança de IoT, medidores inteligentes e vários dispositivos industriais. Segundo a MediaTek, esse SoC promete consumir pouca energia. [Leia +]

 

[Original]
Quando se trata de smartphones, as primeiras marcas que nos vêm à cabeça são Samsung e Qualcomm com seus respectivos processadores Exynos e Snapdragon. Mas há uma outra empresa que também participa desse segmento, e que, embora pareça ofuscada pelas duas grandes, tem colaborado e crescido no segmento mobile: a MediaTek

Para fazer este artigo, eu prestei atenção em muitos comentários sobre a MediaTek feitos por brasileiros, e foi perceptível que a opinião de muitos convergia ao julgamento de chips com sobreaquecimento e baixo desempenho. Muitas vezes nos equivocamos porque a MediaTek não teve uma participação significativa no segmento de alto desempenho nos últimos anos, até agora. Segundo pesquisas do IDC, a empresa teve um crescimento de mercado no Brasil de 145% no primeiro trimestre de 2017 se comparado ao mesmo período em 2016. Hoje, aqui na América Latina, a participação da empresa no segmento de smartphones é de 33,4%.

Mas para entender melhor a participação atual da empresa no segmento de smartphones, um breve histórico:
A MediaTek foi fundada em 1997 (neste ano ela comemora o aniversário de 20 anos!), uma fabricante de semicondutores com produção terceirizada (assim como a Qualcomm em alguns de seus SoCs, que são fabricados pela Samsung). A empresa começou produzindo soluções para TVs, daí o nome MediaTek. Em 2004, a marca começou a se preocupar com o segmento de celulares e começou a experimentar soluções para smartphones. Como a MediaTek foi, inicialmente, percebida por fabricantes "menores", muitos apelidaram Tsai Ming-kay, CEO da empresa, de "rei dos celulares 'xing ling'". Em uma entrevista, ele até falou que "é uma besteira chamar os aparelhos com nosso chip de xing ling". Com o passar do tempo, grandes nomes asiáticos como Lenovo, Huawei e Xiaomi começaram a incorporar os MediaTek.

Embora raro, aqui no Adrenaline já testamos aparelhos com chip MediaTek. Leia as análises abaixo:
Quantum Fly - Smartphone intermediário com design e performance de premium
LG X Power - Aparelho funcional e confiável por um valor bem competitivo
Quantum Muv Up - 3GB de RAM. E, bom... só tem isso de interessante mesmo
Motorola Moto E4 Plus - Muita bateria em um celular que fica devendo desempenho

Mais de 1,5 bilhões de produtos no mundo embarcam processadores dessa empresa, e incluem atualmente desde dispositivos IoT (Internet das Coisas) a smartphones. Eletrônicos multimídia, gadgets, tablets, TVs Digitais, OTT Boxes, vestíveis, roteadores, GPS e soluções automotivas incorporam a tecnologia da MediaTek.

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A MediaTek possui soluções para diversos aparelhos eletrônicos, como dispositivos IoT

MediaTek em smartphones
Então é de se esperar que com tantos produtos para dar atenção, a marca fique "apagada" em outros segmentos mais competitivos (ou monopolizados...), como no caso dos smartphones. Esse último segmento mostrou-se uma das principais áreas de atuação da empresa, sendo uma de suas maiores fontes de receita, segundo Samir Vani, gerente da MediaTek Brasil. Mas em meio às grandes companhias, qual a postura da MediaTek para competir no segmento? É "tentar conectar as pessoas no número dos bilhões", esta é uma das filosofias da companhia. Para isso, ela busca oferecer plataformas a preços competitivos, já que o mercado intermediário é o mais atrativo hoje, tanto para fabricantes quanto para consumidores. 

Novo chip quad-core da MediaTek é feito para aparelhos como Google Home e Amazon Echo

O chamado mercado "Super-mid", que se resume no comprador que quer desempenho sem pagar muito por isso, é o foco atual da MediaTek, que mudou sua estratégia há poucos anos para atender essa nova demanda mundial. Ou seja, podemos perceber que os últimos chips da empresa, como o Helio X30 e Helio P25, se concentram em produtos com preço X desempenho (ou custo X benefício). Ainda segundo Samir Vani, o tipo de consumidor de smartphones embarcados com processadores MediaTek é aquele que quer performance e funções multimídia (conectividade, fotografia, etc), em um nível confortável para a experiência e para o bolso. Outro recurso no qual a fabricante investe é o de autonomia: os processadores estão preparados para lidar com baterias que durem muito tempo, de preferência o dia todo, já que muitas pessoas passam o dia longe de casa e esperam que seus celulares não descarreguem tão cedo. É nesse ponto que entra a questão do porquê a MediaTek coloca tantos núcleos em seus processadores: autonomia.

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Um núcleo potente requer mais energia, logo, mais aquecimento e menos tempo de bateria. Esse também é um problema de quando se tem vários núcleos. Então o que fazer? Processamento em paralelo. Para suprir a necessidade de maior capacidade de processamento, a MediaTek coloca muitos núcleos em seus SoCs, mas eles atuam sincronizadamente de forma que, dependendo da aplicação, alguns núcleos trabalhem e outros não. Isso garante um melhor gerenciamento de bateria e evita que núcleos fiquem "ativos" sem necessidade. A Samsung e a Qualcomm adotaram processos semelhantes quando começaram a incorporar muitos núcleos em seus SoCs. 

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Tecnologia Core Pilot 
Assim como outras fabricantes de SoCs, a MediaTek conta com sua solução para fazer os processadores funcionarem melhor. A empresa adota o processo CorePilot, um conjunto de tecnologias de agendamento de tarefas usado em suas linhas de chips. Segundo a marca, a solução aumenta a eficiência energética diminuindo o risco do aparelho superaquecer. O CorePilot 4.0 é a versão mais recente, estando presente nos Helio deca-core. Abaixo, você confere a evolução das gerações da tecnologia:


É claro que a cada ano as empresas otimizam suas tecnologias, e apesar de parecer que a MediaTek fica atrás, benchmarks mostram que, aos poucos, ela está oferecendo mais performance para chegar ao nível das concorrentes. O novo Helio X30, topo de linha da empresa atualmente, alcançou números em testes como Geekbench e Antutu próximos à pontuação do Snapdragon 821. Ainda que o Snapdragon 821 não seja o SoC mais potente da Qualcomm, é um ótimo processador do segmento premium. Abaixo você confere um vídeo da MediaTek que compara o aquecimento de um smartphone usando o Helio X30 com outro modelo equivalente da concorrência. *Lembrando que este é um vídeo promocional da MediaTek e que o modelo da concorrência não é especificado - mas especulo que seja um Snapdragon 820, presente no Galaxy S7.

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Helio X30 - carro chefe
Deixando a concorrência um pouco de lado (isso é assunto para um futuro artigo comparativo), o carro-chefe da MediaTek é o já citado Helio X30, que chegou com 35% a mais de performance se comparado ao antecessor Helio X20. O processador topo de linha é deca-core (dez núcleos) feito na litografia de 10nm, sendo 4x Cortex-A73 a 2.8GHz, 4x Cortex-A53 a 2.2GHz e 2x Cortex-A53 a 2.0GHz. A GPU utilizada neste SoC é a PowerVR 7XT, mesma família de GPUs presentes em iPhones e iPads. O chipset suporta 8GB de memória LPDDR4, UFS 2.1 e sistema dual-camera de até 26MP. Para conectividade, seu modem é LTE Cat.12. 


Aos poucos, a MediaTek está oferecendo mais performance para chegar ao nível das concorrentes

Os smartphones com Helio X30 ainda estão começando a chegar no mercado, já que o processador foi lançado no meio de 2017. Hoje, temos os Meizu Pro 7 e Pro 7 Plus embarcados com este modelo da MediaTek, smartphone da Meizu para o segmento premium. Hoje, possivelmente a maioria de smartphones de entrada que você encontrar por aí estarão embarcando um SoC MediaTek. 

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Meizu Pro 7 Plus que estreou o processador MediaTek Helio X30. Também há um modelo Meizu Pro 7 high-edition com o mesmo SoC.

Nomenclatura
E como fica a nomenclatura? Essa parte é sempre complicada quando vamos falar de processadores. Aliás, por causa disso, as fabricantes tentam diferenciar os nomes baseando-se no segmento no qual o processador será inserido. No casso da MediaTek, temos quatro segmentos (para smartphones):

Segmento Premium:
• A linha "P" da MediaTek é para focada no segmento de smartphones Premium: Helio P25, Helio P20 e Helio P10.
• Há também a linha "X", de Extreme, o que significa que esses processadores são os chips mais poderosos: Helio X30, Helio X27, Helio X25, Helio X23, Helio X20 e Helio X10.

Segmento intermediário:
Para smartphones voltados ao consumidor "médio", a MediaTek nomeia os processadores com MT (sigla da empresa) seguidos do número 675MT6753, MT6752, MT6750.

Segmento de entrada:
Já para o consumidor menos exigente, os SoCs da MediaTek começam com MT seguidos do número 673: MT6738, MT 67377.

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Outros tipos de nomenclatura de chips MediaTek fazem referência a processadores que estão em produtos como vestíveis, dispositivos conectados (IoT), dispositivos de localização ou gadgets smart como aparelhos com assistentes de voz. 

Abaixo você confere alguns dos smartphones que embarcam alguns modelos de SoCs da MediaTek, tanto do segmento Premium (família P e X) quanto o mais recente modelo intermediário, o MT6753. Logo abaixo da lista, suas especificações.

MT6753 - Quantum Go 4G, Quantum MUV PRO, Lenovo K4 Note, LG K10 (K430DSY), LG X Cam, BLU Vivo XL, HTC Desire 628 e Huawei Enjoy 5s.

Helio P20Sony Xperia XA1, Sony Xperia XA1 Ultra, Samsung Galaxy J7 Max, Meizu M3X e Meizu ME2.

Helio P25 - Ulefone Armor e Gionee A1 Plus. 

Helio X20 - Meizu MX6, Lenovo K8 Note, Xiaomi Redmi Pro, Xiaomi Redmi Note 4 e Quantum Fly.

Helio X25Meizu Pro 6, Xiaomi Redmi Pro, Meizu Pro 6S e Meizu Pro 7 (standard edition).

Helio X30 - Elephone X8 Lite, Meizu Pro 7 e Meizu Pro 7 Plus.

Neste link é possível conferir todas especificações de processadores MediaTek. Fiquem ligados no Adrenaline que em breve lançaremos um vídeo explicativo sobre esses SoCs.

Fonte: Fudzilla, MediaTek, IstoÉ, GSMArena
  • Redator: Mariela Cancelier

    Mariela Cancelier

    Mariela é jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina e gosta de jogos de luta e MOBAs. Foi estagiária do Adrenaline e Mundo Conectado e atualmente é redatora freelancer em ambos os sites.