O PC Gamer ultracompacto da Gigabyte, o Brix Gaming VR

O sistemas Brix da Gigabyte são compostos por computadores ultracompactos com diversas especificações. O Gaming Brix VR é um dos mais impressionantes entre eles pois, além de compacto, traz um hardware poderoso. Como o nome indica, ele obedece as especificações indicadas para realidade virtual graças a um chip Nvidia Geforce GTX 1060 e um processador Intel Core i7 7700HQ.

Site oficial Brix Gaming VR GB-BNi7HG6-1060
Brix Pro: testamos e desmontamos o pequeno PC da Gigabyte

Para conseguir colocar um hardware tão potente em um espaço tão restrito, a Gigabyte fez um projeto totalmente customizado para a placa de vídeo, para a placa-mãe e também para diversos dos componentes desse PC. O resfriamento traz como solução um método que já vimos em outros PCs como o Mac Pro: ar é puxado por uma fan na base do aparelho e direcionado para o topo, por onde é expelido, auxiliando a dissipar o calor dos componentes internos formando esse fluxo de ar interno.

Vídeo

Espec. Tecn.

Tamanho 220 mm x 110 mm x 110 mm
CPU Intel Core i7-7700HQ 2.8GHz / 3.80 GHz
2 slots SO-DIMM DDR4 2133 MHz (Max. 64GB)
LAN Gigabit LAN (Intel i219LM)
Placa de vídeo GeForce GTX 1060 6GB
Wifi Card Intel Dual Band Wireless-AC Intel 8265
Audio Realtek ALC255

Armazenamento:
1 slot  M.2 PCIe /SATA (com suporte a Intel Optane)
1 slot  M.2  PCIe
1 x PCIe M.2 NGFF 2230 A-E key (slot em uso pelo adaptador wireless)

Conexões:
2 x HDMI (2.0)
2 x Mini DisplayPort (1.3)
3 x USB 3.0 
1 x RJ45
1 x DC-In
1 x Kensington lock slot
1 x Head phone Jack
1 x Microphone Jack
2 x USB 3.1 (1 x USB tipo C)

Seu maior desafio é o térmico: em pouco espaço, o aquecimento de componentes como um Core i7 e uma GPU GTX 1060 podem dar muita dor de cabeça, e para contornar essa questão a Gigabyte usou algumas já bem conhecidas por quem acompanha projetos de notebooks. A primeira foi optar por um Core i7 7700HQ, o que reduz sensivelmente o TDP do processador comparado a um modelo de desktop, auxiliando na redução das temperaturas. Outra decisão foi optar por uma fonte externa, algo que "coloca para fora" um componente que geraria mais aquecimento e liberando espaço interno, dando ao mesmo tempo mais facilidade em realizar o design de um produto tão compacto.

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Montagem

Com um projeto próprio da Gigabyte, abrir o Brix Gaming é bem diferente da experiência com outros computadores e notebooks. Apesar da falta de espaço, a empresa "mandou bem" ao facilitar ao máximo o acesso dos componentes, algo muito importante já que obrigatoriamente o usuário irá abrí-lo para instalar as memórias RAM e um armazenamento interno, algo que não vem instalado nesse aparelho.

Basta retirar quatro parafusos para remover a base e poder deslizar uma tampa lateral. Depois disso, após retirar dois parafusos a estrutura da placa de vídeo "gira" em um eixo e se abre como uma "caixinha de música", dando acesso aos slots de memória e dois slots para M.2. Se você quiser instalar um HD ou um SSD de 2.5" é só soltar uma bandeja do outro lado e deslizá-la para fora. Considerando o pouco espaço disponível, a Gigabyte fez um excelente serviço ao tornar upgrades e mexidas no Brix Gaming em algo muito fácil de ser feito.

Benchmarks

Em testes de performance, é possível ver o chip GTX 1060 sendo "penalizado" por seu sistema de resfriamento e alimentação mais modestos, e como resultado temos um desempenho 20% abaixo do que vemos em uma placa de desktop, perdendo também para o modelo de 3GB da GTX 1060. Como resultado, o Brix acaba entregando um resultado bem próximo ao que vemos em uma Radeon RX 470. Não é um grande problema, mas nos indica que o ideal é jogar em qualidade Alta, e não Ultra, nos games mais pesados.

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Também colocamos o processador para trabalhar e, como não deve ser supresa para ninguém, ele tem uma performance muito semelhante ao que vemos em notebooks equipados com o mesmo chip, caso do Dell 15 Gaming. E isso não é ruim: não fica muito distante do potente Core i7-7700K, e é mais interessante que um Core i5-7400, por exemplo.

E quando o assunto é temperatura, ele conseguiu lidar bem com todas as restrições? Beeem, aí chegamos ao ponto crítico. A performance inferior a outros chips GTX 1060 deixa evidente que as restrições térmicas e de energia do Brix Gaming VR estão limitando a capacidade do chip GTX 1060. Porém, é colocar o "bichinho" em um teste de estresse e medir as temperaturas para descobrir que ele se sai consideravelmente pior que uma placa de vídeo GTX 1060 de desktop (o que não é nenhuma surpresa) e também pior que notebooks gamers, que também tem a GPU em espaços bastante confinados.

O curioso do funcionamento do Brix é que seus ajustes de ventoinhas é bastante conservador, buscando produzir pouquíssimo ruído. Como resultado, mesmo com as temperaturas chegando a casas elevadas, a ventoinha continua operando de forma silenciosa. E é por isso que faz falta um bom software de ajustes dessa configuração, já que daria ao usuário maior flexibilidade para encontrar um melhor balanço entre produção de ruído e ganho de performance graças a uma melhor ventilação. Só é possível colocar a fan em 100% na BIOS e a experiência é pavorosa, com um som impossível de se lidar.

Veredito

O Brix Gaming VR é um produto muito interessante pois cria algumas soluções novas para tentar "espremer" muita performance em pouco espaço. Como resultado, temos uma compacta torre que tem plenas condições de rodar qualquer game em resolução FullHD e qualidade alta em uma taxa de quadros próxima dos 60FPS.

Porém a façanha não veio sem suas penalidades. O Brix Gaming VR aquece consideravelmente durante o gameplay, colocando tanto o processador quanto a placa de vídeo em temperaturas acima dos 90ºC em alguns momentos (algo que não deixa muita margem para as temperaturas máximas indicadas pelas fabricantes, que são de até 100ºC para a CPU e 94ºC).  Isso não inviabiliza seus funcionamento, mas não é recomendável ficar usando por longos períodos um chip tão próximo de suas temperaturas limite.

Apesar dessa falha, é muito interessante ver empresas que já lidam com computadores tradicionais buscando novos formatos e soluções diferenciadas. A Gigabyte conseguiu por em pouco espaço algumas das melhores tecnologias disponíveis no mundo dos PCs e, apesar das falhas na implementação, é um caminho que vale a penas ser seguido pois dele podem nascer muitos produtos bem diferenciados dos tradicionais computadores.

Para quem está cogitando a compra, só é possível indicar esse produto caso você realmente possua a necessidade desse formato. Ele pode ser encontrado por mais de US$ 1 mil no mercado estrangeiro, valor que paga facilmente um computador desktop tradicional mais potente (que inclusive pode ser compacto), e também pelo mesmo valor dá pra pegar notebooks equipados com o mesmo chip GTX 1060 e Core i7-7700HQ.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube