Impacto de RAM mais rápida nos processadores AMD Ryzen e também em Intel

Desde o lançamento dos Ryzen, os novos processadores da AMD vem recebendo melhorias e ajustes necessários para ganho de performance nessa arquitetura nova. Entre os ajustes sugeridos para obter mais desempenho, a empresa indicou o uso de memórias mais eficientes e operando em frequências mais altas, algo que resultou em uma enxurrada de pedidos para memórias mais rápidas em nossos testes, ao invés dos 2133 MHz que vem sendo usado como padrão em nossas análises com CPUs em DDR4 já faz anos, por se tratar de uma frequência possível em padrão DDR3 e DDR4.

É importante destacar uma observação logo de inicio. Utilizar mesmos clocks para todos os processadores testados no mínimo garante situação igual para todos, ao alterar em um já temos um cenário diferente.

AMD Ryzen 5 1400 - CPU é um dos melhores produtos para um PC Gamer disponível no mercado

Mas enfim, com tanta demanda, decidimos verificar o impacto que memórias mais rápidas influenciam, colocando em ação as memórias GEIL DDR4 EVO X, um kit de duas memórias de 8GB (16GB no total) capazes de operar a até 3200MHz. Esse kit foi enviado junto com os processadores Ryzen 5 1500x e 1600x, pela AMD.

Como sempre testamos as CPUs em 2133MHz, testar apenas o Ryzen com uma frequência superior não mostraria um CPU Intel se comportaria. Por isso vamos incluir no comparativo a performance do Core i7-7700K com esse  mesmo kit trabalhando também em 3200MHz, nos dando assim uma ideia do ganho de performance que ambas as plataformas são capazes de obter com uso de memórias mais eficientes.

BIOS


Para os testes, assim como na análise do Ryzen 5 1600X, utilizamos a última BIOS disponibilizada pela Gigabyte no dia dos testes já com as modificações sugeridas pela AMD. A mainboard utilizada é a AX370-Gaming 5 com a BIOS versão F5j. Para quem quiser fazer o download dessa versão e de outras para placas AM4 da Gigabyte clique aqui. Em se tratando da plataforma Intel usamos uma Gigabyte Z270X-Gaming 9 com a BIOS F4a, última disponível para essa placa.

Abaixo telas da BIOS da mainboard AMD AM4 mostrando o sistema com as memórias em 2133MHz e 3200MHz:

Sistema Utilizado


Abaixo, detalhes sobre o sistema que utilizamos, além de drivers e aplicações utilizadas nos testes.

- Continua após a publicidade -

De 4 kits que testamos, apenas um deles conseguiu usar a frequência máxima disponível na plataforma AM4

IMPORTANTE: Destacamos que tentamos utilizar 4 kits diferentes, apenas o da Geil, conseguiu ficar com as memórias em seu clock máximo, 3200MHz. Já um HyperX Predator de segunda geração de 3200MHz ficou em 2666MHz no máximo, um Predator de primeira geração com clock de 3000MHz ficou também em 2666MHz e outro Corsair Vengeance de 3200MHz ficou em 2933MHz, mostrando que ainda existe muitos problemas por parte do suporte as memórias nas novas plataformas AMD AM4. Curiosamente o kit da Corsair é o que foi enviado pela própria AMD junto com o kit do Ryzen 7 1800X.

É evidente que a plataforma ainda precisa de otimizações, sendo bastante justo, bem mais do que foi necessário em qualquer lançamento Intel. A AMD já fez uma série de indicações para melhorias, desde mudança de perfil de energia até liberar arquivos com perfis para otimizar o sistema.

A principal critica por conta dessa incompatibilidade de memórias, sendo que pelos nossos testes não será incomum um usuário comprar um kit de memória com alta frequência e dependendo da mainboard ter problema com o uso de sua frequência máxima. A tendência é que esse tipo de problema vá diminuindo com o passar do tempo através de novas atualizações de BIOS, então fica a dica para manter sempre a BIOS atualizada.

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes:

- Processador: AMD Ryzen 5 1600X + Gigabyte AX370-Gaming 5 (BIOS F5j)
- Processador: Intel Core i7-7700K + Gigabyte Z270X-Gaming 9 (BIOS F4a)

- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 (referência)
- Memórias: 16 GB Geil 2133MHZ @ 3200MHz (2x8GB)
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s
- Cooler: Noctua NH-U12S
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD PSU

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits Redstone2
- GeForce 381.65

Aplicativos/Games:
- CPU-Z Bench
- CineBench R15
- x264 Full HD Benchmark
- HWBot x265 1080p/4K Benchmark
- wPrime 2.10
- WinRAR 5.40

- Continua após a publicidade -

- 3DMark (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- Hitman (DX11 e DX12)
- The Division (DX11)

CPU-Z/AIDA64
Abaixo, telas do CPU-Z e AIDA64 mostrando detalhes dos sistemas utilizados nos testes:

Memórias em 2133MHz

Memórias em 3200MHz

AIDA64 
Iniciamos os testes de desempenho em aplicações com o AIDA64 e seu teste de memórias, mostrando o resultado de leitura, escrita, cópia e de latência, confiram:

Um dos maiores problemas da plataforma AM4 está relacionado a latência das memórias

Abaixo as telas do AIDA64 mostrando detalhes dos sistemas e resultados apresentados:

CPU-Z Bench
Abaixo resultados dos modo "Single" e "Multi Thread" do aplicativo CPU-Z.

CineBENCH R15
Iniciamos os testes de desempenho em aplicações com o CineBench, que testa o processador convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBOT x265 Benchmark 2.0
Outro teste de conversão de vídeo, agora além de conversão em FullHD (1920x1080), também um teste de conversão em 4K.

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.

Hitman (CPU)
O benchmark do Hitman da resultados em FPS referente ao CPU, sendo assim também estamos informando os resultados desse game em se tratando do CPU, confiram abaixo:

Primeiro os testes rodando em DirectX 11:

Agora os testes rodando em DirectX 12:

Teste em games com foco na placa de vídeo


Nos testes em games o mais interessante é ver quanto o processador pode estar segurando o desempenho da placa de vídeo, por isso utilizamos um modelo TOP de placa, no caso uma GeForce GTX 1080. Abaixo alguns games rodando em mesma configuração utilizada para as análises de VGA, tanto em FullHD como em 4K:

Grand Theft Auto V
O game GTA V para PC está entre os mais exigentes da atualidade, trazendo ótima qualidade gráfica e bastante consumo do processador. Confiram abaixo o comportamento dos processadores rodando o game:

Hitman (Resultados dos FPS da VGA)
O novo Hitman foi lançado esse ano e é um bom teste para mostrar o comportamento do sistema em DirectX 12:

The Division
Para finalizar os games, mais testes com o Tom Clancy´s The Division, novamente em Full HD e 4K.


Conclusão


Sim, as memórias são relevantes para o desempenho ao longo dos testes, com picos de até 20% de ganho nos momentos em que mudar dos 2133MHz para 3200MHz se mostrou mais relevante. Porém há várias considerações a serem feitas:

1) Memórias mais rápidas influenciam principalmente nos testes em que a CPU era o limitador de performance. Isso fica evidente em games: em 1080p, situação em que "sobra GPU e falta CPU", memórias mais rápidas trouxeram ganhos de desempenho. Em 4K, com a placa de vídeo como o limitador do desempenho, dar memórias melhores trouxe diferenças irrelevantes.

2) Tanto AMD quanto Intel se beneficiam na mesma proporção de memórias mais rápidas. Praticamente todo o tempo o ganho de desempenho do Core i7 e do Ryzen 5 seguiram proporções próximas, mostrando que investir mais em memórias trará benefícios para consumidores das duas empresas. E também derruba por terra uma das teorias conspiratórias do nosso uso de 2133MHz em reviews: de que estaríamos prejudicando alguma das duas marcas na disputa ao não usar memórias mais rápidas. Isso é tão lógico quanto o mostrado nos resultados práticos.

O ganho de desempenho com memórias de frequências mais altas
quando acontece é em qualquer plataforma, AMD ou Intel

3) Altas frequências dão trabalho. Algumas combinações de kits de memórias e placas-mãe não funcionam, e muitas vezes você é dependente de updates de BIOS para ganhar compatibilidade com frequências mais altas. Se você adicionar o estado ainda incipiente que está a plataforma AM4, lançada recentemente no mercado, vemos como pode dar muita dor de cabeça conseguir fazer seu sistema operar com RAM em 3200MHz. Não é à toa que a AMD enviou, junto com os processadores e as placas-mãe, um kit de memória que já tem compatibilidade. Isso não é exclusividade do lado vermelho da força, e quem estiver pensando em montar um PC baseado em Intel também vai ter que ficar atento a compatibilidade entre a placa-mãe e memórias de frequências superiores, porém na nova plataforma AMD as incompatibilidades ainda são bem superiores. Para um exemplo clássico, o kit que recebemos do Ryzen 7 1800X acompanha um kit de 16GB(2x8GB) de 3200MHz da Corsair, porém em nenhuma das mainboards que testamos esse kit trabalha com clock superior a 2933MHz, e olha que ele foi enviado pela própria AMD. Como destacamos, de 4 kits testados apenas um deles funcionou com seu perfil máximo em plataformas AM4, já em Intel apenas um deles deu problema, e exclusivo na mainboard utilizada, sendo que em outras funcionou.

Para nossas análises, mesmo com o ganho de desempenho, não é interessante testar com memórias mais rápidas por conta da instabilidade que elas criam, pois em nossos testes quanto menos variantes e problemas de compatibilidade, melhor e mais seguras são as comparações. A própria AMD foi específica em seu post de otimização dos Ryzen ao indicar que encontram os melhores resultados em "memórias com chips B-die Samsung", o que nos mostra como entramos em um campo bem menos estável e consolidado do que realizar todos os testes em 2133MHz. Nos testes comparativos, nenhum CPU está sendo prejudicado já que todos se beneficiariam de forma semelhante de memórias mais rápidas, e são punidos por memórias mais lentas. Para o consumidor que vê nossa análise é melhor ter essa "linha base" com o sistema operando nos seguros 2133MHz, sendo que entusiastas que decidirem investir mais e dedicar tempo para garantir a compatibilidade, podem extrair seus 5 a 20% a mais de performance nas atividades mais "CPU bound" (limitadas pela performance da CPU), em vários casos não há nenhuma diferença, aliás, na grande maioria deles.

Memórias de mais alta frequência trazem mais performance em algumas situações, mas não devem ser a prioridade ao montar um PC

E por fim, fica a dica para quem está montando um sistema com memórias de mais alta frequência. RAM mais eficiente traz resultados melhores, mas não deve ser a prioridade. O processador, placa de vídeo e quantidade de RAM são limitadores mais determinantes da performance do sistema. Mas, se surgir a oportunidade de conseguir memórias mais rápidas sem muito mais investimento, é uma oportunidade de conseguir ganhos de performance interessantes dependendo da aplicação em uso, especialmente nas situações que seu processador é o principal limitador do sistema.

Ainda em se tratando de memórias com frequências mais altas, é importante destacar que além delas custarem mais, ainda precisam de uma mainboard que tenha suporte a memórias mais altas. A AMD através da plataforma AM4 trouxe suporte a memórias mais altas em placas com chipset B350 além do X370, já a Intel nas plataformas "normais" traz suporte a memórias de altas frequências apenas nas mainboards com chipsets da série "Z", ou seja, comprando uma mainboard B250 ou mesmo H270 o limite deve ficar na casa de 2400MHz. Porém atualmente por se tratar de uma plataforma nova as mainboards AMD B350 estão custando valores próximos as mais baratas Z270, sempre modelos com perfil de qualidade um pouco superiores.

Recomendamos ficar de olho em nosso fórum FOR SALE! para aproveitar as principais promoções da Internet, especialmente as de hardwares.

Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube