Inteligência Artificial: estamos longe de sermos mortos pelas máquinas?

Se você já assistiu filmes como Exterminador do Futuro, Vingadores: Era de Ultron, Ex_Machina e o recente Alien: Covenant, já deve ter se perguntado como seria um mundo onde a Inteligência Artificial é tão avançada que acaba escravizando os seres humanos. Os devaneios que dão ótimos filmes de ficção científica se tornaram um debate real recentemente, quando Elon Musk, o CEO da Tesla, requisitou aos governantes dos Estados Unidos uma regulamentação para a Inteligência Artificial, pois a tecnologia pode ser uma ameaça aos seres humanos.

As críticas de Musk repercutiram no Vale do Silício e na comunidade científica, gerando alfinetadas de Mark Zuckerberg e de um professor do MIT, que questionou o dono da Tesla sobre a regulação de seus carros, equipados com IA em seu sistema de direção autônoma.

Neste mar de declarações de seres humanos, o poder e utilização da Inteligência Artificial ficam perdidos no meio da treta. Afinal, a IA já é capaz de dizimar a raça humana? Conversamos com alguns especialistas na área para explicar em que pé está a tecnologia atualmente.

O que é Inteligência Artificial?

De uma forma bem básica e resumida, a Inteligência Artificial pode ser definida como "uma inteligência similar à humana exibida por mecanismos ou software". A IA é tema de pesquisas científicas desde os anos 50 e constantemente é tema de discussões filosóficas sobre máquinas superarem os seres humanos e terem sentimentos. O sonho de consumo dos cientistas é alcançar uma máquina capaz de reproduzir totalmente o comportamento de uma pessoa, mas isso ainda é apenas tema para filmes e séries.


O ápice da Inteligência Artificial seria um robô capaz de simular uma vida humana. Para o cineasta Ridley Scott, um Michael Fassbender

Na nossa realidade, a tecnologia está bastante desenvolvida, com algoritmos capazes de entenderem e conversarem com seres humanos, mas que não possuem consciência. Basicamente, a Inteligência Artificial nos obedece e aprende com o que é dado a ela. Podemos comparar a IA com um mascote: ele só vai fazer o que você ensiná-la a fazer. Um exemplo terrível disso é o bot racista da Microsoft, que passou algumas horas no Twitter e aprendeu com os usuários a odiar a humanidade.

Enquanto a autoconsciência dos robôs não foi atingida, a tecnologia atual já é capaz de deixar uma pessoa no chinelo na hora de fazer diversas tarefas, mas nada que ameace a nossa existência no planeta Terra, constata Marcio Aguiar, gerente de desenvolvimento na Nvidia. "As máquinas até conseguem superar os seres-humanos em alguns aspectos, entretanto ainda temos muito a evoluir para considerar que um super computador realmente seja capaz de substituir por completo os seres humanos".

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Deep Learning e Machine Learning: a inteligência artificial que realmente interessa

Enquanto entusiastas sonham com robôs capazes de sentir e ser como uma pessoa de carne e osso, vivemos em um mundo onde a IA ainda é limitada e só consegue reproduzir alguns aspectos automáticos da inteligência humana. Além de ser tema de filmes e o sonho de cientistas, a Inteligência Artificial é uma grande área da tecnologia cada vez mais presente na vida de quem utiliza a internet e produtos conectados. Isso acontece graças a duas sub-áreas, principalmente: o Machine Learning e sua evolução, o Deep Learning. 

O Machine Learning é uma das áreas mais desenvolvidas da Inteligência Artificial atualmente, e que mais desperta interessa na indústria pelos seus usos em redes sociais, programas de computador e gerenciamento de dados. Conhecido também como aprendizado de máquina, é um algotirmo ou conjunto de regras programadas capaz de processar grandes volumes de dados e aprender com essas informações. É como uma pessoa fazendo uma operação matemática ou interpretando informações, mas de forma mais eficiente, automatizada e milhões de vezes mais rápido.

 O Deep Learning, ou aprendizagem profunda, é um processo ainda mais complexo e específico de cálculos, onde a máquina aprende sobre determinado assunto ou área e é capaz de associar e tomar decisões baseadas nos dados que lhe são oferecidos. Formando as chamadas redes neurais, esta tecnologia permite que carros se dirijam sozinhos e programas de computador reconheçam pessoas e objetos baseados em imagens e voz, dentre outras aplicações.

Atualmente, graças ao uso dessas tecnologias, não precisamos de imensas equipes para processar grandes quantidades de dados, por exemplo. Um exemplo dos primórdios da tecnologia pode ser visto no filme "Estrelas Além do Tempo": nos anos 60, a NASA tinha centenas de trabalhadores exclusivamente para fazer cálculos e testar probabilidades. Mas graças a chegada de um computador da IBM, todo o trabalho foi automatizado. No ano passado, a Associated Press chegou a adotar algoritmos para cobrir uma liga de Baseball: o computador coletava dados e produzia textos, que eram apenas revisados por jornalistas.

As aplicações para a tecnologia vão desde redes sociais, entretenimento, pesquisa e medicina. "Imagine um sistema de IA aplicado na busca constante por combinações de elementos para criação de um medicamento para a cura do câncer. Determinadas atividades matemáticas que levariam 10 anos agora levam meses, semanas ou horas para serem concluídas", explica Thiago Rotta, líder da plataforma Watson na IBM Brasil.

Nos videogames, a inteligência artificial sempre esteve presente, e está cada vez mais avançada, como explica Alexandre Ziebert, do marketing técnico da Nvidia. “Pense em jogos de mundo aberto onde os NPCs tem suas rotinas que não dependem da interação direta do jogador, mas recebem influência das ações tomadas por ele ao longo do jogo; esse é um aspecto que vem evoluindo silenciosamente, mas que acrescenta bastante à imersão e é uma área onde se pode usar Deep Learning para tornar o mundo mais vivo.”

Placas de vídeo e IA

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Nada de games: Radeon Vega Frontier Edition, a primeira placa de vídeo com arquitetura Vega, tem como foco Inteligência Artificial

Um dos principais motivos para o crescimento da inteligência artificial são as placas de vídeo, o que tornou a área uma mina de ouro para as fabricantes de GPUs. As unidades de processamento gráfico são o principal hardware necessário para "rodar" os algoritmos de IA. As CPUs se destacam quando o assunto é processar diferentes processos de forma eficiente, já que possuem poucos núcleos com grande poder computacional. As GPUs, por outro lado, possuem centenas de núcleos capazes de fazer cálculos simples, o que torna este hardware essencial para o processamento de inteligência artificial.

"Unidades de processamento gráficas funcionam quase que da mesma forma que uma unidade de processamento central (CPU), porém GPUs foram feitas para processamentos onde há uma maior necessidade por execução de instruções matemática, cenário perfeito para métodos de deep learning", explica Thiago Rotta.

Graças a ao poder de processamento das GPUs e grandes quantidades de dados produzidas diariamente na internet, o setor de IA teve um ambiente favorável para se expandir e ganhar apoio de empresas e pesquisadores. A Nvidia, uma das companhia que mais investe na tecnologia, também possui uma série de programas de apoio para que novos profissionais ingressem nessa área.

"Nosso compromisso com a comunidade cientifica e parceiros é muito grande. Hoje estamos focados em capacitar mais profissionais para desenvolverem novos algoritmos, através do nosso programa voltado para os novos desenvolvedores e ajudando várias Startups que estão trazendo inovações para o mercado com o nosso programa Inception"
- Marcio Aguiar,  Gerente de desenvolvimento para área Enterprise para America Latina

"Nosso compromisso com a comunidade cientifica e parceiros é muito grande. Hoje estamos focados em capacitar mais profissionais para desenvolverem novos algoritmos, através do nosso programa voltado para os novos desenvolvedores e ajudando várias Startups que estão trazendo inovações para o mercado com o nosso programa Inception"
- Marcio Aguiar,  Gerente de desenvolvimento para área Enterprise para America Latina

O futuro da Inteligência artificial

No final das contas, a Inteligência Artificial está longe de fazer mal ao ser humano e traz uma série de benefícios e facilidades para a vida de quem passa horas conectado, além de grandes avanços para áreas como engenharia, medicina e tecnologia. Mas como a IA é feita por humanos, não podemos descartar a possibilidade de um super-vilão iniciar uma crise ômnica no futuro, o que torna a ética no desenvolvimento um assunto importante.

E, antes de enfrentarmos um possível apocalipse das máquinas, existem outras questões envolvendo a tecnologia que merecem atenção. Como apontado pelo pesquisador Andrew Ng, da Baidu, antes de se tornar consciente, a IA vai acabar com diversos empregos que conhecemos atualmente. Como já foi citado, o Machine Learning permite fazer diversas operações mecânicas melhor e mais rápido que os seres humanos. A ascensão do Deep Learning também permite que as novas tecnologias alcancem funções que fazem parte da vida de bilhões de pessoas, como mobilidade e saúde.

Segundo o cientista da Baidu, as discussões sobre o fim da humanidade pelas mãos da Inteligência Artificial acaba tirando o foco do real problema, que é implementar a nova tecnologia e lidar com uma grande onda de desemprego.

“Como uma pessoa de dentro do desenvolvimento da inteligência artificial, tendo construído e finalizado muitos produtos de IA, não vejo um caminho claro para que a IA ultrapasse o nível de inteligência humano. Acho que a remoção de trabalhos é um grande problema, e é aquele que gostaria que pudéssemos focar, em vez de ficarmos distraídos com esses elementos distópicos de ficção científica” 
Andrew Ng, cientista-chefe na divisão de IA da Baidu

“Como uma pessoa de dentro do desenvolvimento da inteligência artificial, tendo construído e finalizado muitos produtos de IA, não vejo um caminho claro para que a IA ultrapasse o nível de inteligência humano. Acho que a remoção de trabalhos é um grande problema, e é aquele que gostaria que pudéssemos focar, em vez de ficarmos distraídos com esses elementos distópicos de ficção científica” 
Andrew Ng, cientista-chefe na divisão de IA da Baidu


Carros autônomos são uma das tecnologias que devem causar uma onda de desemprego num futuro não tão distante

Já vivemos em um mundo onde pessoas acabam perdendo empregos para linhas de montagem automatizadas, e o cenário deve ser ainda mais amplo nos próximos anos. Em janeiro de 2017, um grupo de motoristas de Nova York solicitou que o governo proibisse carros autônomos na cidade por 50 anos, para que os carros inteligentes não causem o desemprego de taxistas.

"Alcançamos um ponto onde precisamos reconstruir nosso sistema educacional"

De acordo com Andrew Ng, uma possível solução para diminuir casos como esse seria uma reestruturação no sistema educacional, visando preparar as pessoas para trabalhar com novas tecnologias. "Acho que alcançamos um ponto onde precisamos reconstruir nosso sistema educacional, ou, pelo menos, adicionar novos componentes na grade de ensino, para que pessoas com empregos atingidos possam obter o treinamento necessário e encontrar um trabalho significativo".

Parece que temos muita coisa para viver antes que as teorias de Elon Musk se tornem realidade e robôs inteligentes matem seres humanos. O que você acha sobre isso? Deixe sua opinião nos comentários!

  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.