Os 10 acontecimentos mais importantes do mundo da tecnologia em 2016

2016 não foi um ano fácil, mas certamente não será esquecido. Agora, faltando apenas algumas horas para virarmos o "7" no calendário, vale a pena relembrar quais foram os grandes acontecimentos do mundo da tecnologia neste ano, com uma ênfase especial naqueles que terão impacto no ano seguinte, moldando quais serão as políticas das empresas e países para o futuro da área. Foram escolhidos 10 momentos, confira abaixo!


1 - AMD finalmente lança novas GPUs

1 - AMD finalmente lança novas GPUs


O que aconteceu?

Nos últimos anos a AMD vinha decepcionando alguns de seus fãs, com lançamentos de novas placas de vídeo que não eram exatamente novas, mas versões revisadas de GPUs já lançadas. 2016, no entanto, marcou o ano em que a AMD voltou para o jogo, com a chegada de sua novíssima arquitetura Polaris. Ela estreou um novo processo de 14nm FinFET e ofereceu placas bem mais eficientes, com ótima performance. O anúncio foi feito na forma da RX 480, seguida pelas mais acessíveis RX 470 e RX 460, com a promessa de oferecer opções focadas no custo x benefício mesmo para quem quer jogar em Realidade Virtual.

Por que isso é importante?

A Nvidia lança novas GPUs todo ano, por que o destaque para a volta da AMD? O lançamento das Polaris marca uma nova política da empresa, que vai aquecer o mercado de placas de vídeo e finalmente oferecer uma competição interessante que pode resultar em vantagens para o consumidor. Para 2017 já temos prometidas as GPUs Vega e novas gerações para os anos seguintes, uma enorme revolução se comparado com políticas da empresa nos anos anteriores.

- Continua após a publicidade -

A mudança vai se refletir também na área de processadores da empresa, já que em 2017 também teremos a estreia da geração Ryzen de CPUs AMD.


2 - Os headsets para VR chegam ao mercado

2 - Os headsets para VR chegam ao mercado


O que aconteceu?

Depois de anos de desenvolvimento e teaser, não apenas uma, mas três grandes opções para se jogar na realidade virtual apareceram no mercado. O Oculus Rift, que foi basicamente o headset que representou a primeira brasa no incêndio que virou VR este ano, finalmente começou a ser vendido. Em seguida tivemos o HTC Vive, uma opção que não pode ser ignorada, especialmente por causa da parceria com a Valve, que aliás lançou também o Steam VR para promover o conteúdo. Por fim, chegou também o Playstation VR, menos potente por rodar no console, mas que tem se provado um lançamento de sucesso por ser mais financeiramente acessível.

Por que isso é importante?

A indústria não tem escondido suas apostas em VR, que deve ser uma das próximas grandes coisas não só em games, mas na área de tecnologia como um todo. A tecnologia é acompanhada por sua "prima", a Realidade Ampliada (AR), que também teve seus momentos de brilho com o anúncio da Microsoft que ia trabalhar com parceiros para trazer mais headsets como o HoloLens, por exemplo. Com tanto investimento em gerar hype, a tendência é vermos cada vez mais novidades em realidade virtual, conforme isso vai gradativamente entrando em nosso cotidiano.


3 - A tentativa de estabelecer franquias em internet fixa

3 - A tentativa de estabelecer franquias em internet fixa


O que aconteceu?

No início do ano as principais operadoras de internet e telefonia do país tentaram estabelecer uma franquia, ou seja, um limite no uso de dados, para a internet de banda larga fixa, como já é feito com a conexão mobile 3G ou 4G, por exemplo. A Vivo acabou sendo "a cara" do movimento, tendo sido uma das primeiras a falar sobre o assunto e mostrar os planos que seriam oferecidos, mas as outras não ficaram atrás e seguiram o exemplo. Apesar da informação não ser oficialmente confirmada, é consenso que o crescimento das plataformas de streaming foi um dos principais motivos pra isso.

- Continua após a publicidade -

A Netflix teve uma conferência relativamente "morna" na CES 2016, mas conseguiu um grande momento ao anunciar que estaria disponibilizando seu serviço em mais 130 países, alcançando praticamente o mundo todo com seu conteúdo. O feito por si só não é tão importante quanto o que ele representa: a popularização do consumo de filmes e séries por streaming. A Amazon seguiu o exemplo e também trouxe o Amazon Prime Instant Video para o resto do globo, no fim deste ano. Netflix e Amazon são apenas os maiores exemplos em abrangência, mas a HBO e até a Disney já contam com serviços próprios para oferecer filmes e série por streaming em troca de uma mensalidade.

Por que isso é importante?

Felizmente, os planos das operadoras para estabelecer franquias de internet no Brasil não foram adiante. As operadoras estão, inclusive no momento, proibidas de fazer isso. Mas o impacto que as medidas teriam se tivessem sido realizadas é evidente para qualquer pessoa que usa a internet, mesmo que não seja tanto. Fizemos testes aqui no Adrenaline para mostrar o que isso poderia representar para os seus hábitos de navegação. 

Mesmo com a situação "normalizada", é importante que essa tentativa seja sempre lembrada e que o internauta brasileiro se mantenha alerta para cobrar seu direito de acesso à informação sempre que ele for ameaçado.


4 - A febre do Pokémon GO

4 - A febre do Pokémon GO


O que aconteceu?

Pokémon, uma propriedade de imenso sucesso para a Nintendo, mostrou o seu poder para o público mainstream chegando aos smartphones. A desenvolvedora Niantic Labs lançou o app Pokémon GO para Android e iOS em julho e o sucesso foi instantâneo. US$ 14 milhões foram gerados pelo jogo apenas na primeira semana. Era só sair na rua pra ver pessoas caçando pokémon por aí, algumas até vestidas à caráter e até gente acampando no Parque do Ibirapuera para aproveitar as PokéStops. E, como não poderia deixar de ser, acidentes aconteceram, propriedades privadas foram invadidas e memórias desrespeitadas. No fim, Pokémon GO acabou sendo ainda o termo mais buscado no Google para o ano de 2016.

Por que isso é importante?

Um app parou o mundo. Independentemente de opiniões pessoais a respeito do jogo e sua temática, não dá pra discutir o impacto que ele teve na vida das pessoas. O interessante aqui não é focar em Pokémon em si, mas perceber o tamanho do alcance que um pequeno aplicativo para smartphones pode ter, mudando realmente o cotidiano de seus usuários e até seus hábitos. Teve gente que até começou a sair pra passear mais com o cachorro. Além disso, Pokémon GO também foi o primeiro app realmente popular a ter a Realidade Aumentada como um de seus principais destaques.


5 - Super Mario Run: Nintendo fez um jogo para smartphones

5 - Super Mario Run: Nintendo fez um jogo para smartphones


O que aconteceu?

Uma das políticas mais icônicas da Nintendo é que os jogos da empresa você joga nos consoles da empresa, e pronto. Isso mudou este ano, com o primeiro jogo propriamente dito da desenvolvedora chegando aos smartphones, para a surpresa de muitos. Não bastasse isso, Super Mario Run é um jogo protagonizado pelo mascote da companhia, além de tudo. Como seria de se esperar, o jogo quebrou recordes de download em seu lançamento. Ele também alavancou as ações da Nintendo, mas em seguida o valor delas começou a cair, conforme usuários começaram a fazer análises negativas do aplicativo porque não tinham percebido que o jogo era pago na hora de baixar, ou por achar ele muito caro mesmo.

Por que isso é importante?

A chegada do Super Mario Run ao iOS e, em breve, ao Android, marca uma guinada na política de uma das maiores companhias de games do mundo e uma das pioneiras da área. Ainda resta saber se teremos outros jogos da nipônica para smartphones e, caso sim, se eles também vão trazer IPs consagradas, como Metroid ou Zelda.

Por hora, fica claro o poder dos smartphones que fez com que acionistas pressionassem a Nintendo a sair de sua zona de conforto e procurar novas alternativas para aproveitar um dos mercados mais rentáveis do mundo.


6 - O fiasco do Galaxy Note 7

6 - O fiasco do Galaxy Note 7


O que aconteceu?

A Samsung é considerada a principal concorrente da Apple e uma das maiores fabricantes de smartphones do mundo. A empresa tem diversos modelos em todos os segmentos, mas seus Android topo de linha estão entre os lançamentos mais aguardados todos os anos. Principalmente a linha Note, que sempre chega depois dos "S", oferecendo ainda mais recursos. E foi justamente o Galaxy Note 7, com toda essa "responsabilidade", um dos piores smartphones que a companhia já fez. E não por ter uma performance ou tela ou autonomia ruins, mas simplesmente porque ele explodia. Pessoas chegaram a se ferir e a Samsung alegou que tratava-se de um defeito nas baterias dos aparelhos, que superaqueciam. Assim, foi feito um recall

O problema, no entanto, era ainda maior que o previsto. Vários reports de novas versões do Galaxy Note 7 também pegando fogo começaram a surgir e ficou claro que se tratava de um problema de design do aparelho mesmo, não apenas das baterias. A Samsung fez um novo recall e depois teve que encerrar de vez a produção e venda do Galaxy Note 7.

Por que isso é importante?

Uma das maiores fabricantes do mundo encerrando a produção de um dos seus principais modelos porque ele tinha um defeito tão grave que algumas pessoas chegaram a se machucar. Isso não é o tipo de coisa que vemos sempre e vai ter consequências importantes para a Samsung que agora precisa recuperar a confiança do mercado e de seus investidores. É possível que veremos o reflexo disso nas inovações que o Galaxy S8 pode trazer.


7 - O início do USB Type-C e o fim do P2

7 - O início do USB Type-C e o fim do P2


O que aconteceu?

O USB 3.1, além de incrementos na velocidade e estabilidade da transferência de arquivos, trouxe também um novo padrão de conexão reversível chamada Type-C. Anunciado primeiro no ano passado, foi só em 2016 que esse tipo de USB começou a aparecer em aparelhos como smartphones ou em novos painéis para o seu gabinete. A novidade estava sendo bem recebida por todos até ela indicar uma outra mudança que ninguém pediu: o fim da conexão de áudio analógica de 3,5mm, também conhecida como P2.

É possível aproveitar o novo padrão USB para passar áudio para os fones de ouvido, então algumas fabricantes de smartphone querem usar o recurso especialmente para poderem diminuir ainda mais a espessura de seus aparelhos. A Lenovo foi a primeira a sacrificar o P2 no Moto Z, mas foi quando a Apple anunciou o iPhone 7 e o iPhone 7 Plus sem a conexão que a decisão realmente deu o que falar.

Por que isso é importante?

Goste ou não da Apple, não dá pra ignorar como a empresa dita tendências no mercado de dispositivos móveis desde o lançamento do primeiro iPhone, em 2007. A decisão da companhia de abrir mão da conexão para áudio de 3,5mm em seus smartphones certamente vai encorajar outras fabricantes a fazerem o mesmo. Isso vai gerar um forte impacto num mundo onde a esmagadora maioria dos fones de ouvido usam o padrão P2 ainda. Tanto o Moto Z como o iPhone 7, inclusive, acompanham o adaptador de P2 para USB Type-C. 


8 - Surge o Pixel, um smartphone da Google

8 - Surge o Pixel, um smartphone da Google


O que aconteceu?

Depois de anos marcando presença no mercado mobile apenas com software, a Google decidiu assinar seus próprios smartphones pela primeira vez neste ano. Foram anunciados dois aparelhos, o Pixel e o Pixel XL, voltados para o segmento high-end, trazendo configurações de alta performance e novos recursos, alguns deles exclusivos.

Um desses recursos é o Google Assistant, que mais tarde pode acabar indo para outros aparelhos, mas fez sua estreia nos smartphones da empresa. Trata-se de uma espécie de evolução do Google Now, feita pra ajudar o usuário em todos os momentos, inclusive no uso de aplicativos de terceiros.

Por que isso é importante?

Nem os analistas mais ousados poderiam prever, há alguns anos, que a Google iria lançar um smartphone próprio. Com o Android presente em quase qualquer aparelho que não seja Apple, o lançamento dos Pixels parece uma iniciativa da empresa de concorrer com seus próprios parceiros.

Até o momento, no entanto, a nova política parece indicar que a Google vai lançar smartphone para mostrar e promover novas tecnologias ou recursos, mantendo seu foco em software, como sempre foi. Mas mesmo que se torne um produto de nicho, o Pixel marca uma mudança importante na política da empresa responsável pelo sistema operacional mobile mais utilizado do mundo.


9 - Os vazamentos do Yahoo

9 - Os vazamentos do Yahoo


O que aconteceu?

Todo ano temos o vazamento de senhas e dados pessoais de usuários de grandes empresas atuando na internet, já virou comum. Mas o Yahoo passou de todos os limites quando anunciou que os dados de 500 milhões de seus usuários estavam comprometidos para depois quebrar o próprio recorde de maneira absurda, divulgando que 1 bilhão de pessoas tiveram suas informações expostas

Entre as informações que foram invadidas estavam os endereços de e-mail, as senhas, números de telefone, nomes completos e datas de nascimento dos usuários. O hacker responsável por pelo menos um dos vazamentos apareceu vendendo 200 milhões de contas na dark web.

Por que isso é importante?

A situação teve um impacto profundo no futuro do Yahoo como empresa. A maioria das informações não é oficialmente confirmada, mas as conversas de bastidores da indústria afirmam que os hacks podem muito bem ter "azedado" o acordo do Yahoo com a Verizon.

A operadora estava em vias de comprar o Yahoo por nada modestos US$ 5 bilhões. Mas os rumores do momento dizem que a Verizon já estaria buscando um desconto no acordo e pode acabar até mesmo desistindo de vez da compra. A falta de novidades mais atuais sobre o assunto não é um bom sinal para o Yahoo.


10 - O piloto automático da Tesla e os carros autônomos

10 - O piloto automático da Tesla e os carros autônomos


O que aconteceu?

A tecnologia para os carros se dirigirem sozinhos está sendo desenvolvida há anos, mas foi em 2016 que ela deu o seu passo mais importante: chegar ao público. Os carros da Tesla com sua função "Piloto Automático" já estão sendo comercializados e dando o que falar, tanto de maneira positiva como negativa. Neste ano tivemos o primeiro acidente fatal num desses modelos, ao mesmo tempo em que, mais recentemente, um outro conseguiu prever um acidente antes mesmo dele acontecer.

Mas a Tesla é apenas o exemplo mais agressivo. A Uber já está testando veículos autônomos para oferecer caronas, a Google criou uma empresa independente só pra isso, chamada Waymo, e praticamente todas as empresas do Vale do Silício ou de automóveis estão testando modelos próprios ou tecnologias para a direção autônoma.

Por que isso é importante?

Carros autônomos são o futuro. Eles chegaram depois e já mostram mais promessa que a tão amada Internet das Coisas. A tecnologia ainda está no início, mas quando menos percebermos já estaremos convivendo com esse tipo de veículo no trânsito. A realidade é tão inevitável que agências regulatórias de países como os EUA ou a China já começaram a se movimentar para estabelecer padrões de comunicação entre veículos (V2V) e dos veículos com a infraestrutura (V2I).

Tags
AMD
  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.