Enfim os notebooks alcançaram os desktops? Os resultados impressionantes da serie 10 da Nvidia

Notebooks fazem o que podem, mas sempre teve muito chão separando o desempenho de um aparelho portátil e de um computador de mesa, especialmente quando o assunto é jogos. Os dois grandes limitadores são o problema do aquecimento, já que laptops não tem espaço para sistemas muito robustos de resfriamento, e questões de energia, afinal a fonte também não entrega o mesmo desempenho de uma fonte em um gabinete.

Artigo: Jogar em notebook ou computador de mesa? As diferenças de desempenho nos dois formatos

Mas os novos chips gráficos, tanto por parte de Nvidia quanto AMD, chegam com uma mudança que faz toda a diferença: uma litografia menor. Depois de muito tempo nos 28 nanômetros, as placas Polaris e Pascal incorporam os transistores em 14 e 16 nanômetros FinFET, respectivamente. E as principais vantagens dessa nova tecnologia é o menor consumo de energia e, consequentemente, menor aquecimento. Se essas duas características são bem-vindas no PC, imagine em um notebook!

A Nvidia lançou sua nova geração de GPUs para notebooks dando um indicativo interessante da evolução: largou a letra "M" ao final do nome do chip gráfico.No passado, uma GeForce em notebook tinha essa letra adicional no final do nome, diferenciando uma GTX 970 (desktop) de uma GTX 970M (notebook). E a diferenciação era necessária, como dá pra ver nos testes abaixo:

Como ficou evidente, uma GTX 680M, modelo topo de linha de notebook, quando confrontado com uma placa de desktop, entregava o desempenho de uma mais modesta GeForce GTX 660 dos computadores de mesa. A geração Maxwell (serie 900) reduziu um pouco essa lacuna, mas mesmo assim uma GTX 980M está pouco acima de uma GTX 960, ficando "dois degraus abaixo" (GTX 980 e 970) dos patamares dos desktops.

Com a nova litografia, a Nvidia prometeu acabar com a diferenciação, e nós colocamos essa afirmação à prova testando o Avell FullRange G1746 Iron, modelo da integradora brasileira equipado com um chip GeForce GTX 1070 (sim, sem o M). Em termos de especificações, já temos algumas características interessantes. O modelo de notebook possui mais núcleos CUDA que a versão de desktop (2048 vs 1920) e apesar de operar em uma frequência base um pouco mais baixa (notebook em 1446MHz e modelo referência de mesa em 1506MHz), seus clocks de 1446MHz e 1645MHz em modo boost são notavelmente acima dos 1100MHz de base presentes na geração 900.

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Análise: Avell Fullrange G1746 Iron - Enfim notebooks se aproximaram do desempenho de um desktop

Melhor do que ficar nos baseando no que o marketing da Nvidia tem para contar, que tal deixar os benchmarks falarem por si?

A GTX 1070 no notebook não perdeu tanta performance quanto vimos em gerações anteriores. Colocando o Avell na disputa com os modelos tradicionais de mesa, ele não faz feio: apesar das eventuais oscilações ao longo dos testes, ele se segura entre o desempenho de uma GTX 1070 e 1060 de mesa, sendo que apenas no GTA v ele caiu um pouco mas ainda mantém um desempenho interessante: mais de 90FPS em qualidade Ultra e em FullHD.

Se compararmos com a geração anterior, como a GeForce GTX 970M que equipa o modelo da Alienware que testamos recentemente, o ganho é de 100%. Não, não é forma de dizer, É O DOBRO, em muitos dos testes. Em termos práticos, a diferença também é gritante. Com uma GTX 970M você joga em qualidade média e 1080p com os FPS girando na casa dos 45FPS, enquanto a GTX 1070 salta para 75FPS+ em Ultra e 1080p. Fazendo o paralelo com os desktops, uma GTX 970M era equivalente a jogar com uma GTX 950, enquanto uma GTX 1070 em notebook é como... ter uma GTX 1070 um pouco lenta ou uma GTX 1060 meio rápida.

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Uma GeForce GTX 1070 de notebook ainda não é igual a uma GeForce GTX 1070 de desktop. Mas também não é muito diferente

Dizer que uma GTX 1070 em um notebook é a mesma coisa que uma GTX 1070 de desktop ainda é um exagero, mas a diferença não é tão relevante. Em termos de configurações gráficas e ajustes, a versão de notebook não vai ficar tão atrás da versão de computador de mesa, mais. E lembrando que diferentes notebooks entregarão diferentes desempenhos, baseados nas margens que o chip gráfico conseguirá em diferentes projetos térmicos e de alimentação. Já estamos na expectativa para testar mais notebooks com esses chips, como os novos Alienware. Será que chegarão ainda mais perto do desempenho de um computador de mesa?

Um aspecto, porém, segue separando bem as duas plataformas: o preço. Enquanto o modelo da Avell utilizado nesse comparativo custa em torno de 8 mil reais, com pouco mais que a metade dessa valor dá para montar um desktop equipado com uma GeForce GTX 1070 para rivalizar ou superar a performance do FullRange. Algumas coisas como essas ainda vão diferenciar bem as duas opções de computadores para jogos.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube