A difícil missão de comprar um smartphone em 2016 - veja como achar o seu depois do aumento dos preços

Quem comprou seu smartphone antes do final de 2015 fez bem: esse ano não está sendo nada legal com quem quer um aparelho novo. O salto no valor do dólar e o fim de incentivos fiscais do governo fizeram que os preços dos aparelhos escalassem rapidamente entre o final do ano passado e este ano. Basta dar uma olhada nos preços dos últimos três meses do Motorola Moto X Play e Samsung Galaxy J7 para ter uma ideia:




Apesar de tomarmos esses dois modelos como exemplo, praticamente todos os modelos de smartphones e inclusive eletrônicos em geral passaram por um processo semelhante, e difícil que alguém não se arrependa de ter adiado sua aquisição. 

Dólar subindo e leis de incentivo fiscal caindo resultaram nesses gráficos terríveis de aumento de preços

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Como achar um aparelho que se encaixa no seu perfil, nesse salto de preços? Vamos dar algumas referências para ajudar você a escolher seu próximo smartphone e, principalmente, se preparando para a pancada que isso vai ser na carteira. 

Antes de avançar na caça do smartphone, é importante definir se você vai de Android, Windows Phone ou iPhone, pois cada sistema tem um contexto diferente. Vamos começar pelos aparelhos da Apple:


Comprando um iPhone

Antes de se aventurar na decisão de pegar um aparelho da Apple, é bom estar pronto para gastar bastante. Está querendo um iPhone e não quer gastar muito? Olha esse vídeo aqui:


Traduzindo: Oh... você está falando sério. Deixe-me rir ainda mais forte 

A Apple tem altas margens de lucro. Se quer um iPhone, prepare-se para pagá-las

 

Não tem jeito. O modelo atual em sua versão mais básica está saindo na casas dos 3.5 mil reais (e o preço oficial é de 3.999!). Pegar o modelo anterior baixa o custo para pouco acima dos 2.9 mil reais. Pegar um modelo ainda mais antigo, como o iPhone 5S, traz o preço para o mundo real, com custo na casa dos 1.8  mil reais, mas agora já falamos de um hardware com mais de dois anos de mercado. Um vantagem dos aparelhos da Apple é que eles costumam ter maior longevidade, ou seja, levam mais tempo para ficarem defasados comparado a modelos Android, mas é preciso tomar cuidado na compra de um aparelho muito antigo.

Se a progressão continuar como tem sido os últimos modelos, agora o cara que anda "sofrendo um tanto" para rodar é o iPhone 4S, que inclusive ficou bem "zoado" na época que chegou o iOS 8 e que melhorou com futuras atualizações. Se o ciclo for mantido, é do terceiro para o quarto ano do aparelho que o hardware "faz sua idade ser sentida" de forma mais notável.

Recomendações iPhone

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O que evitar: iPhones anteriores ao 5
O barato: não existe
Dica: se possível evite os modelos com só 8GB. Ao menos 16GB é uma melhor pedida
O ideal custo x benefício: na realidade da Apple, vai surgir a partir dos 1.5 mil, com o iPhone 5c e o iPhone 5
Como os preços variaram: o iPhone 5c podia ser encontrado por R$ 1.1 mil, hoje está na casa dos R$ 1,3 mil. O iPhone 6 subiu de 2.500 para quase 2.900 (com preço oficial de 3.199 reais). O iPhone 6S já "nasceu caro" e não variou tanto.
A ponto forte: ecossistema Apple é bem completo e o sistema operacional é eficiente
O ponto fraco: Margens de lucro alta sobem o preço; Bateria não é o forte da Apple; iOS não dá muita margem para modificações;



Comprando um Android

Com um ecossistema aberto e uma variedade maior de hardwares, o Android apresenta mais chances de encontrar um bom balanço entre preço e qualidade do aparelho. O porém é que o sistema é menos otimizado, e algumas configs presentes no iPhone 5c, como 1GB de RAM e processador dual-core de 1.3GHz, não trariam o mesmo nível de desempenho que o alcançado no sistema da Apple.

Ter mais opções é sempre ótimo. Mas não torna escolher uma em algo fácil

Como a variedade de hardware é muito grande, descobrir qual é o melhor modelo para você é bem mais difícil que definir o modelo de iPhone. Mas para uma boa experiência com o sistema da Google, existem algumas diretrizes gerais que costuma funcionar. Em termos de processamento, é bom ao menos um processador quad-core. Apesar do KitKat ter prometido suporte a 512MB de RAM, o mínimo para uma boa experiência é um 1GB de RAM. O ideal é a partir de 2GB, pois é com essa capacidade que você poderá alternar rapidamente entre vários apps.

No armazenamento, menos de 8GB é roubada, mesmo com a possibilidade de expandir com um cartão microSD. Nem todas as funções e arquivos podem ser movidos para o cartão, e dependendo da versão do Android e alterações no sistema pela fabricante, precisar mover muita coisa para o microSD acaba se tornando uma dor de cabeça. Considerando o porte que alguns apps como games vem atingindo, fotos e vídeos e mais músicas armazenadas, a partir de 16GB pode ser uma melhor pedida.

Em geral, ficaria assim:

- CPU: ao menos um quad-core;
- RAM: ao menos 1GB, e 2GB  ou mais para conseguir fluidez entre vários apps;
- Tela: ao menos HD (720 x 1280) e de preferência IPS ou outra tecnologia com boas cores e contrastes. Aparelhos de 5.5 ou maiores é bom pensar em uma tela FullHD (1080 x 1920)
- Armazenamento: pelo menos 8GB, mas a partir de 16GB é mais indicado


O Android tem outra característica importante em seus modelos topo de linha: os preços caem em queda livre depois do lançamento. Esse processo acontece principalmente nos aparelhos com altas margens de lucro (G4, Galaxy S6, Moto X Force), enquanto outros modelos com orçamento mais apertado são mais estáveis (como Quantum GO, Moto G e Moto E) e não costumam trazer uma variação notável.


E os de cima descem, os de baixo sobem

Por conta dessa característica, é bom prestar atenção em uma coisa: os topo de linhas mais antigos podem ser um ótimo negócio. Usando a Mega Mamute como exemplo, você pelos mesmos R$ 1.1 mil pode levar um Moto G com tela HD, 8GB de espaço e processador quad-core de 1.4GHz ou um LG G2, topo de linha de 2013 que conta com tela FullHD, 16GB de armazenamento e um processador quad-core de 2.3GHz. Só fique atento se a fabricante já não "largou de mão" desse aparelho, e ele não está preso em uma versão muito antiga do Android. Enquanto o Moto G de 3ª Geração está no Android 6.0, o LG G2 só ganhou o update para o Lollipop no ano passado, e não tem nenhuma perspectiva de ir além disso.

Topo de linha antigo com preço baixo é bem interessante se a fabricante já não o largou esquecido em uma versão muito antiga do Android

Recomendações de Androids:

O que evitar: menos de 1GB de RAM, menos de 8GB de armazenamento, resolução de tela menor que HD
O barato: infelizmente bons aparelhos mais baratos não tem ajudado muito, e só aparecem a partir dos 800 reais. Caras como o Moto G 3ª Geração, o Quantum GO
O ideal custo x benefício: Está na janela entre os 900 e os 1,5 mil reais, com aparelhos de ótimo desempenho e boa qualidade como o Quantum GO, MMoto X Play,  Zenfone 2 e Lenovo Vibe. Outro cara muito interessante é o LG G4 Beat, com excelente configuração por R$ 899.
Dica: topos de linha antigos podem aparecer com ótimos preços, como o LG G3, o Galaxy S5 ou Motorola Moto X 2014.
Como os preços variaram:  os bons aparelhos baratos foram dos 700 para os mil reais, enquanto os custo x benefício potentes foram de 1,2 mil para quase 1,5 mil reais.
O ponto forte: maior variedade de aparelhos; sistema muito customizável; 
O ponto fraco: sistema menos otimizado; aparelhos recebem menos atualizações



Comprando um Windows Phone

O ecossistema da Microsoft está em uma fase de transição. Estamos no período em que estão chegando os novos aparelhos com o Windows 10, mas infelizmente no Brasil eles ainda não "deram as caras". O update de modelos anteriores para a nova versão do sistema também vai acontecer, mas sem uma data específica. Com uma participação de mercado muito inferior, e uma quantidade de apps muito menos expressiva, os smartphones com Windows são uma aposta menos segura que os iPhones e Androids.

Antes de pegar um smartphone Windows, é importante estar ciente que os apps indispensáveis já estão lá, mas a quantidade é bem menor que a presente no Android e iOS

Os aplicativos mais indispensáveis já estão presentes ou ao menos tem algum "equivalente" feito por outra desenvolvedora. Porém, qualquer novidade ou app um pouco diferente, porém, fica de fora. Por isso é preciso avaliar seu uso: se usa um smartphone para Whatsapp, Facebook, ler e-mails e navegar na internet, não vai ter problema algum com essa menor variedade de aplicativos.

Se você só faz o básico no smartphone, não vai ter problemas em usar um aparelho Windows

O interessante dos smartphones Windows é que eles juntam características do Android e iOS. O Windows Phone traz uma menor variedade de hardwares e o sistema é mais otimizado, assim como acontece no sistema da Apple, porém os telefones da Microsoft trazem uma gama mais variada de opções, dos modelos de entrada até topos de linha, como acontece no Android.

Isso traz um ponto forte ao sistema da Microsoft: ele lida melhor com modelos de entrada. Enquanto o Android vira "uma carroça" em modelos com apenas 512MB, ele é mais aceitável nos aparelhos Windows Phone. Porém, 1GB ainda é uma melhor pedida, pois torna mais ágil o multitarefa e evita longos períodos no famigerado "retomando..." na transição entre apps.

Como estamos em uma transição, pode ser uma boa ideia esperar para ver o que vai acontecer com os modelos Lumia, e como vão chegar os novos modelos ao país.

Recomendações de Windows Phone:

O que evitar: menos de 1GB de RAM, menos de 8GB de armazenamento, resolução de tela menor que HD
O barato: com um sistema mais leve, dá para arriscar mais em aparelhos de entrada, e até caras como o Lumia 435 podem ser uma opção se você não vê problema em telas de pouca resolução.
O ideal custo x benefício: já conseguimos achar bons WP na faixa dos 500 a 600 reais, como o Lumia 640
Dica: assim como acontece nos Androids, topos de linha antigos podem aparecer com ótimos preços. Pode ser uma boa opção aguardar a chegada da nova geração Windows 10 Mobile e ver "qual é".
Como os preços variaram: pouco comparado com Androis e iOS, resultado de uma redução progressiva dos preços enquanto não chega a nova geração com Windows 10 mobile
O ponto forte: variedade de segmentos como no Android, mas mantendo boa otimização como iOS
O ponto fraco: menos aplicativos disponíveis

E se eu não resolvi a questão com esse artigo?

Não entre em pânico, afinal cada consumidor tem suas necessidades. Digamos que você precisa muito de um celular resistente à água? Aí o Xperia M4 Aqua que nem havia sido mencionado no artigo vira uma opção. TV Digital? É bom olhar o Quantum mas, se faz questão mesmo, o Asus Live DTV tem mais qualidade na hora de conferir o que tá rolando na televisão nacional. 

Um truque que não costumam recomendar em outros artigos: saiba quando parar. A vida é muito curta pra você ficar destrinchando cada minúcia dos aparelhos e confabulando sobre cada GB a mais ou a menos. Informação demais não ajuda na escolha, e informação demais pode ser tão ruim quanto "informação de menos".

O truque é definir o que você busca, quanto está disposto a pagar (seja realista, mais qualidade sai mais caro) e, principalmente, não ser impulsivo. Assim que definir quais são seus aparelhos de seu interesse, vai acompanhando os preços e buscando promoções, e na hora certa pegar algo por um bom valor. Os preços já subiram tanto que fica difícil acreditar que vá piorar muito no curto prazo.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube