PC Baratinho encara o Just Cause 3 em um duelo de explosões e quedas de frames

Quando muitos pensavam que Batman Arkhan Knight já estava com a "mão na taça" do prêmio "Game Bugado do Ano", eis que o lançamento de Just Cause nos 45 do segundo tempo chega gabaritanto e entregando problemas de desempenho em todas as plataformas em que foi lançado, sendo acusado de derrubar frames no Playstation 4, Xbox One e o PC.

Consertaram o Batman? Testamos o novo patch de Arkham Knight em nosso PC Baratinho para Jogar!
Pra download: o wallpaper do vídeo :)

Com a polêmica no ar, tiramos nossa principal carta da manga na hora de testar a otimização dos games: é hora do PC Baratinho para Jogar Adrenaline e seu hardware cheio de restrições tentar rodar o jogo!

Já começamos com problemas só de olhar as especificações técnicas MÍNIMAS recomendadas:

Processador: Intel Core i5-2500k, 3.3GHz / AMD Phenom II X6 1075T 3GHz
Memória: 6 GB de RAM
Placa gráfica: NVIDIA GeForce GTX 670 (2GB) / AMD Radeon HD 7870 (2GB) Espaço no disco: Requer 54 GB de espaço livre 

Yep. 6GB de RAM não chegam a ser um grande problema, e não seria o primeiro jogo a pedir mais RAM. Mas a placa de vídeo está bem exigente: uma GTX 670 é consideravelmente acima da GTX 750ti que temos usado ao longo da série e até mesmo bate a R7 370 que utilizamos em alguns momentos para ganhar um pouco mais de performance. Para dar uma perspectiva, Assassin's Creed Syndicate já aceitava uma GTX 660 (placa levemente mais potente que a GTX 750Ti) e Black Ops III já considerava suficiente a GTX 480!

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Sem mais delongas, vamos deixar o hardware decidir por ele mesmo:

Pela primeira vez a combinação GTX750Ti e 4GB de RAM "quebrou" com tanta força, antes mesmo de abrirmos uma partida, resultado de Just Cause na realidade carregar todo o game "por baixo" do menu inicial. Nem conseguimos iniciar o gameplay, pois o sistema simplesmente se tornou instável demais.

Subir para os 6GB também não foi o bastante para resolver totalmente os problemas. O game abriu, mas continuava instável e com sérios problemas de fluidez. A partir dos 8GB foi possível perceber melhoras notáveis e aos 12GB de RAM (!) ele ficou totalmente fluído. Então precisa de tudo isso de memória para rodar o jogo? Temos um novo game para o hall da fama dos famintos por RAM, junto com o Chrome e o Back Ops III? Não.

PC Baratinho e seus apenas 4GB vs Call of Duty: Black Ops III

Outro games passaram perto dos 2GB, mas essa é a primeira vez que a memória da GTX750ti "estourou" de forma tão impactante em um game

Observando as estatísticas do Riva Tunner durante o gameplay, é possível notar que a GTX 750Ti estava consumindo 2.6GB de memória, sendo que a placa possui apenas 2GB! O que entrou em ação aqui foi um recurso do sistema chamado "Shared System Memory" no adaptador gráfico, o que nosso caso é a GTX 750ti. Esse recurso possibilita que o sistema "empreste" parte da RAM para a placa de vídeo, nos momentos em que ela não possui memória de vídeo dedicada o bastante. Essa memória RAM "emprestada", porém, é menos eficiente que a memória própria da placa, por conta do acesso indireto da GPU a ela (ela precisa passar pelo chipset para isso).

Parece pouco, mas os 500MB ineficientes emprestados são a diferença entre o jogar e o não jogar, em nosso experimento. Quando temos um sistema com apenas 6GB, não há RAM suficiente para esse "empréstimo", enquanto 8GB há traz uma margem suficiente, mas não o bastante para garantir o gameplay fluindo. 12GB foi o momento em que o gerenciamento automatizado do sistema operacional conseguiu encontrar a margem para garantir fluidez total, mesmo com a necessidade de deslocar parte da memória RAM para uso da GPU.

Tirando a prova dos nove, fizemos um comparativo: colocamos um sistema apertado em 6GB, situação sem condição de acontecer o compartilhamento de memória de forma eficiente, e jogamos com duas versões da GTX 960: uma placa da MSI com 2GB, a MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G, e a Gigabyte GTX 960 G1 Gaming 4GB, modelo da Gigabyte com 4GB disponível. Mesmo se tratando de placas com o mesmo chip gráfico e tecnologias semelhantes, os 2GB de memória a mais fizeram uma diferença enorme na fluidez. Em nossa análise da GTX 960 da Gigabyte, havíamos apontado que eram raros os games em que a memória a mais fazia diferença. Em Just Cause 3 temos o primeiro exemplo mais "gritante" de um gargalo nas placas com apenas 2GB.

Just Cause 3 em FullHD é bastante dependente de uma placa com ao menos 3GB, ou muita RAM disponível para compensar em modelos com apenas 2GB

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Identificado nosso maior problema de desempenho, existem três caminhos para então solucionar a questão:

1 - Partimos para placas com mais memória, com ao menos 3GB
2 - Colocamos RAM à rodo e garantimos que o sistema operacional seja capaz de ir ao resgate dos "apenas" 2GB da GTX 750Ti
3- Aceitar a derrota, diminuir a qualidade gráfica em elementos como textura para conseguir a fluidez e torcer para dias de otimizações melhores


Para o plano 1, a primeira placa com 3GB por parte da AMD é a Radeon R9 280/280X, que custa pouco mais de R$ 1.100. Por parte da Nvidia existem versões da GTX 750Ti com 4GB, como esse modelo da Asus, mas são muito raras de serem encontradas no Brasil. O primeiro da linha verde a ser encontrado facilmente com 4GB é a GTX 960, também na casas dos R$ 1.2 mil com essa configuração. Além de encarecer bastante a placa, com um aumento de custo que supera os 300 reais, é preciso de uma fonte mais potente, pois é recomendável uma fonte de 500W para a R9 280X e uma de 400W para a GTX 960.

O plano 2 é direto: saem as duas memórias de 2GB, entram 3 (!) memórias de 4GB. Cada uma custa em torno de R$ 150, o que representa um gasto de 450 reais (uns 200 a mais que colocar apenas 4GB). 

Take real da quantidade de RAM usada em nossos testes 

O sinal vermelho para as placas de 2GB acendeu nesse game, e é preciso torrar dinheiro em RAM para fazer isso dar certo em qualidade média. Parte de nossa teimosia em não trocar a placa de vídeo é acreditar que o consumo de memória é culpa de otimizações ruins, pois o excelente Mad Max (tanto em qualidade gráfica quanto em otimização) foi desenvolvido em um motor gráfico da Avalanche Studios semelhante.

PC Baratinho para Jogar vs Mad Max e Metal Gear Solid V: The Phantom Pain

Com um motor gráfico semelhante ao Mad Max, é estranho ver o quanto o game ficou atrás em termos de otimização de recursos do sistema

O nosso plano vai ser mesmo o 3. Não vamos gastar dinheiro em um hardware muito mais potente por possíveis problemas de otimização, nem torrar grana em uma quantidade absurda de RAM. Vamos mesmo aceitar o game rodando em uma qualidade menor, afinal em muitos momentos a diferença entre o Low e o Medium não é tão evidente, e rodar o game com a GTX 750Ti e a memória em 8GB, pois assim temos a garantia de fluidez. Graficamente, por termos mantido a resolução FullHD e alguns filtros antisserlihado, o game não ficou "feio".

Mesmo que por algum motivo ainda "estore" a  memória da placa de vídeo, ainda teremos um pouco de RAM disponível para o resgate. Se você tiver paciência para eventuais engasgos, dá até para por tudo no Medium e jogar.

O resultado é a seguinte especificação no PC Baratinho para Jogar Just Causer 3 (pesquisa feita em 05/12):

- Pentium - A8-5600 - AMD FX-6300 - R$ 485
- Asus M5A78L-M LX/BR - R$ 249
- Nvidia GTX 750Ti 2GB - R$ 699 - Análise da placa
- HD de 1TB Seagate Barracuda 1TB - R$ 325
- 2GB 4GB 8GB de memória RAM - 2x R$ 139
- Fonte 350W -  R$ 126
- Tela, mouse e teclado reaproveitados de PCs velhos - R$ 0 

Custo total estimado: R$ 2.162

 

Apesar do orçamento não ter estourado, não estamos felizes com o resultado do game. Ainda será preciso mais tempo para saber se isso é uma tendência, ou Just Cause 3 é realmente um "ponto fora da curva" no consumo de memória de vídeo.O jeito é esperar por otimizações, talvez através de eventuais updates, e ver se no futuro vamos ter o game com o mesmo grau de eficiência e fluidez que temos com Mad Max.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube