Enfiando a conexão de internet pela tomada com o Powerline: uma boa solução para seu problema com o WiFi

Espalhar a sua conexão de internet pela casa é um desafio e tanto se você mora em um lugar com muitos cômodos. Enquanto o "jogar para o ar" do wireless é a forma mais fácil, muitas obstruções no caminho podem criar pontos-cego para a rede sem fio ou locais com péssima recepção e, consequentemente, uma performance bastante abaixo do desejável.


Sinal WiFi e o efeito das obstruções

A melhor solução, quando o assunto é performance, continua sendo o imbatível cabo de rede, que garante perdas mínimas em desempenho e latência mas, em compensação, pode dar uma bela dor de cabeça para "passar a fiação" por paredes ou pelo chão até onde você precisa. Vamos mostrar uma alternativa muito interessante: usar a tecnologia Powerline.

O Powerline explora as frequências da corrente elétrica na fiação de sua casa, e através dela envia os dados. Para operar, ela precisa de um transmissor e um receptor, cada um ligado em uma tomada, e através de protocolos de segurança se comunicam.

No modelo que usamos para esse artigo, o TP-Link TL-WPA42220KIT, temos um kit com dois aparelhos, um capaz de enviar a conexão de dados através da rede elétrica e outro mais robusto, com uma antena 2.4GHz, capaz de receber os dados e distribuí-los novamente clonando a rede wireless local ou criando uma nova.


Configuração 

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Muito da instalação do kit da TP-Link é no melhor estilo "plug-and-play", dispensando interfaces de configuração ou ajustes avançados. Basta ligar cada aparelho em uma tomada, apertar o botão de pareamento e esperar os dois dispositivos "se encontrarem". Para o WiFi, basta apertar o botão de clonar WiFi e pressionar o botão WPS de seu roteador para que um novo ponto de internet do seu wireless seja criado. Se prefere que a ponta traga uma nova rede, não é preciso fazer nada: o roteador já vem por padrão com uma rede e senha definidos.

Para quem faz questão de customizar a wireless de uma das pontas, existe o único software de 7MB presente no disco, e que tem como função apenas encontrar o IP do roteador Powerline e encaminhar o usuário para a configuração via navegador, em uma interface bastante comum nesse tipo de dispositivo. 

 A TP-Link não foi "muito a fundo" nas possibilidades de ajustes, mas cumpre bem o básico: dá para mudar o nome da rede, criar nova senha e algumas modificações na forma de operação do roteador, bem como interface de update de firmware. O mais interessante da instalação do Powerline é mesmo a possibilidade de não fazer nada disso, e mesmo um usuário sem experiência consegue instalar a rede de forma prática e rápida.

Testes

Na primeira etapa de nossos testes, utilizamos o sofware Speed LAN Test para verificar a velocidade da conexão através da rede elétrica, utilizando um cabo convencional de rede Gigabit ligado direto no roteador e uma conexão WiFi operando em 2.4GHz com sinal excelente, com nenhuma obstrução entre o roteador wireless e o notebook. O resultado vocês conferem abaixo:

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O desempenho do Powerline fica longe de ser impressionante, mostrando que nada é mais seguro que um bom e velho cabo de rede. Porém já dá para observar uma vantagem do Powerline sobre o WiFi, mesmo mantendo nossa conexão sem fio em sua "condição ideal". Nosso segundo teste é mais prático: colocamos uma transferência de 3.77 GB para ser realizada através da rede.

 

O segundo testes nos trouxe um resultado bem interessante. A diferença entre o Powerline e o Wifi aumentou, e podemos dizer que ele se situa como intermediário entre uma conexão via cabo e uma rede sem fio, mesmo em uma situação ideal de conexão para o wireless.

Também testamos uma distância maior para conexão, movendo o receptor do Powerline para dois cômodos a mais de distância. O resultado foi uma ligeira redução da performance. Em algumas tomadas, inclusive, encontramos dificuldades em conectar os dois aparelhos. A TP-Link estima a distância máxima entre receptores em 300 metros através da rede elétrica, porém fatores como a qualidade das instalações ou a presença de eletrônicos de alto consumo podem interferir na transmissão.

Considerando uma experiência de navegação ou mesmo streaming de vídeos, quando o WiFi possui uma boa conectividade temos ainda uma performance suficiente para garantir uma boa experiência. Para ir além, decidimos testar algo mais exigente quando o assunto é largura de banda e latência: fizemos o streaming através da rede local do game Portal 2, rodando em um PC e sendo executado em outro. O servidor estava ligado no roteador via cabo, enquanto o cliente foi ligado via cabo, via Powerline e por fim via WiFi. As estatísticas são geradas pelo próprio software da Steam.

Cabo

Powerline

WiFi

Se avaliarmos apenas a largura de banda disponível estimada pelo software, temos os 96Mbps da rede por cabo, os 27Mbps do Powerline e, curiosamente, 28Mbps para o WiFi, deixando a rede sem fio em vantagem. Nas latências, que é o que realmente importa nesse teste, a coisa muda um pouco: o cabo, no momento do print, trazia 25ms, o Powerline 47ms e o WiFi entregou 53ms, lembrando que quando falamos de latência, quanto menos, melhor.

Mas o elemento mais importante está ali no gráfico. Enquanto o cabo oscilou para no máximo 40ms, o Powerline chegou a entregar uma latência de 60ms, começando a ficar alta mas ainda aceitável. O WiFi foi muito inconstante, ultrapassando os 100ms frequentemente e, dessa forma, comprometendo toda a experiência de gameplay. Pacotes também se perderam com muita frequência, e não raro chegamos a ver 25% de perda dos dados enviados do computador que renderiza o jogo e o que exibe, quando na rede wireless, enquanto tanto o Powerline quanto a ligação direta via cabo essa perda ficou praticamente em 0% todo o tempo.

Conclusão

O Powerline é um meio-termo interessante entre o pouco eficiente "lançar o sinal via WiFi" e o trabalhoso "puxar cabo de rede pela parede". Apesar de não alcançar a velocidade e estabilidade da tradicional conexão cabeada, nossos testes com o TP-Link TL-WPA42220KIT mostraram que essa é uma alternativa mais "consistente" que o wireless, e ainda temos a possibilidade de clonar o sinal WiFi em uma das pontas e criar assim mais um ponto de acesso, resolvendo eventuais pontos da casa sem conexão ou com baixa performance.

O kit de nossa análise é encontrado na casa dos R$ 300, o que coloca esse conjunto em um preço capaz de rivalizar com roteadores mais simples. Logo, só compensa para quem realmente não possui um jeito de passar o cabo de rede para onde deseja levar a conexão. Para quem não precisa de uma ponta com repetidor WiFi, e quer apenas uma conexão com cabo sendo transmitida, é possível encontrar kits com um receptor e um transmissor com custo entre 120 a 200 reais.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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