Com final no Allianz Parque, CBLoL 2015 é a prova de como eSports cresceram nos últimos anos

A final do Campeonato Brasileiro de League of Legends 2015 (CBLoL) foi a grande prova do quanto o cenário de eSports cresceu no país nos últimos anos. Pela primeira vez na história, um estádio de futebol brasileiro abrigou uma competição do tipo. A disputa aconteceu no Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, onde paiN Gaming (campeã brasileira em 2013) e INTZ (campeã do primeiro split deste ano) disputaram numa melhor de cinco partidas o título de campeão brasleiro de LoL.

Em jogo também estava uma premiação de R$ 60 mil e uma vaga para o 2015 International Wild Card Tournament – que, por sua vez, vale um lugar no Mundial de LoL deste ano. Em comparação, a grande final do CBLoL do ano passado foi disputada na frente de 8 mil pessoas no ginásio do Maracanãzinho e premiou a campeã KaBuM e-Sports com R$ 55 mil.

No sábado, 12 mil pessoas lotaram a área do estádio que foi reservada para a competição – chamada de anfiteatro pela organização da arena (que nada mais é do que um dos cantos do gramado). Os ingressos esgotaram rápido: o primeiro lote, com 7 mil tickets, foi vendido em duas horas, enquanto o segundo, de 5 mil, não durou nem meia hora. Para dar uma dimensão do evento, tinha mais 283 mil pessoas assistindo pela internet e outras tantas espalhadas por 24 salas de cinema no país.

  

Cerca de uma hora antes da partida começar, o clima nos arredores do Allianz Parque era um misto de evento gamer com pré-jogo de futebol. Evento gamer por conta dos cosplayers, torcedores com camisas de jogos e das longas filas em torno do quarteirão, povoadas por pessoas que conversavam de maneira tranquila. Jogo de futebol não só pelo estádio, mas por tudo que vem junto com uma competição do tipo, desde o policiamento e os vendedores de churrasquinho de gato  até os tão tradicionais cambistas.

No estádio, compareceram em peso não só torcedores das duas equipes envolvidas, como também fãs do esporte em geral. Nas arquibancadas via-se camisas de outros times brasileiros de eSports, como CNB e KaBuM, de outros países, como Fnatic, e até de clubes de futebol, como Palmeiras e Flamengo. Mas quem realmente marcou presença foi a torcida da paiN, time mais tradicional e que disputa a competição desde a primeira edição. Eram constantes os gritos de "paiN, paiN!" durante as partidas e as efusivas comemorações a cada kill. Quando a terceira partida estava se encaminhando para o final, ecoaram pela arena os gritos de "ôôô, o campeão voltou!". E foi também a primeira vez na história do CBLoL em que um estrangeiro foi campeão no Brasil. Quem teve o prestígio de comemorar esse feito foi o francês Hugo Dioud Padioleau, suporte da paiN.


Show de abertura teve orquestra e a banda Pentakill

As partidas
No jogo, a disputa acabou 3 x 0 para a paiN. Mas não se engane: apesar de não ter vencido uma partida, o time da INTZ deu bastante trabalho, e exigiu o máximo de seus adversários. A começar pela primeira partida, que chegou ao ponto de, com 35 minutos de jogo, a paiN estar liderando por 8 x 1 em kills, mas mesmo assim ter uma desvantagem de só 1k de ouro entre as equipes. Mas como é característica da paiN,  a equipe foi paciente, garantiu o controle do mapa, trabalhou em equipe de maneira impecável e venceu a partida.


Já o segundo jogo foi definitivamente o auge das emoções. Disputadíssimo, ele durou mais de uma hora e foi palco de viradas incríveis. A última delas aconteceu com 50 minutos de jogo. Depois de derrotar o Barão, a INTZ foi para um push que deveria ser definitivo e chegou a resultar em dano no Nexus da paiN, que fez uma excelente team fight e conseguiu salvar sua base. 

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Sobre esse momento, o top da paiN, Mylon, foi bastante sincero: "Também concordo que a INTZ cometeu diversos erros. No final do segundo jogo, quando eles tinha três pessoas vivas e a gente tinha só o Kami, achei que o jogo tinha acabado. Até escrevi 'gg' no all chat". Só que isso não aconteceu e, a partir daí, a paiN orquestrou uma virada incrível, que vai ficar para a história do eSports brasileiro.

Para fechar, o terceiro jogo viu uma INTZ cautelosa contra uma paiN cheia de agressividade no early game. Com isso, a equipe que tem como capitão Kami ditou o ritmo do jogo, que se manteve bastante equilibrado em termos de ouro. Porém, aos 40 minutos, não teve jeito. A paiN levou todo o mid dos intrépidos, que então resolveram ir para o "tudo ou nada".

Enquanto pushavam mid em cinco, eles não perceberam o split push que Mylon fazia no bot. O top da paiN levou a torre de inibidor do bot e então aproveitou que o Nexus dos seus adversários estava exposto e foi direto a ele para garantir o título da competição, assim como a vaga no International Wild Card. O detalhe mais emocionante é que o campeão que ele utilizou para jogar aquela partida não tinha dano suficiente para garantir o objetivo mais rápido, e foram segundos que tiraram o fôlego de qualquer torcedor. A INTZ até conseguiu chegar à base para contestar, mas já era tarde demais e o time da paiN, em primeiro lugar, ganhou a vaga e mais uma recompensa de R$ 60 mil. Para a INTZ, sobrou o prêmio de R$ 30 mil de segundo colocado.

E agora, o que acontece?

Os jogadores da paiN já confirmaram que terão uma semana de férias para descansar após a conquista. Depois disso, eles terão duas semanas de treinamento intenso em sua gaming house, localizada no bairro Jardim Europa, em São Paulo. Lá, eles têm o apoio de cinco profissionais e até um telão para acompanhar os replays de partidas suas e de seus adversários e montar novas estratégias.

O foco então será no 2015 International Wild Card, que começa dia 5 de setembro no Chile. Lá, eles enfretarão a equipe russa Hard Random (campeã da região CIS) e o time chileno Kaos Latin Gamers (campeão da América Latina), que conta com dois argentinos em seu roster. Quem vencer o evento se classifica para o mundial de 2015, que vai acontecer na Europa. A disputa será dividida por quatro países: França, Inglaterra, Bélgica e Alemanha, onde será realizada a grande final.

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Porém, os torneios definitivamente não serão nem um pouco fáceis. Mylon, responsável pela jogada decisiva da última partida, reconhece que os times brasileiros ainda precisam melhorar para chegar no nível das principais equipes do planeta. "Eu acho que a diferença das outras regiões para o Brasil está na coordenação da equipe, pois eles trabalham muito bem em time. Quando eu fiz um bootcamp na Europa, não fiquei com a impressão de estarmos muito atrás em mecânicas de jogo", admite o jogador.

  

Enquanto isso, a Riot Brasil, responsável pela organização do evento, agora se divide entre dar suporte para a paiN nos eventos internacionais e ir pensando no próximo CBLoL. Â“A gente acompanha a equipe vencedora no Wild Card e [caso se classifiquem] também no mundial dando suporte e tudo mais", conta o gerente geral da Riot Brasil, Roberto Iervolino.

"Em paralelo, nós vamos planejando o ano de 2016, mas o nosso foco não é crescer por crescer. Nós aumentamos a dimensão do evento em relação ao ano passado, mas é porque sabíamos que havia demanda. Mas não quer dizer que ano que vem necessariamente nós queremos crescer, pois queremos é chegar a um bom formato com uma ótima experiência”, completa.

A clara tendência é de que não apenas o evento da final do CBLoL mas também o cenário de eSports como um todo continuem crescendo nos próximos anos. Grande parte desse mérito é da Riot, que lucrou quase US$ 1 bilhão (R$ 3,4 bilhões) com as microtransações em League of Legends no ano passado. E esse lucro não dá sinais de diminuir tão cedo.

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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation 1. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia. Formado jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.