Entenda o que é o #GamerGate e o que você tem a ver com isso: Anita Sarkeesian vs. GamerGate

Anita Sarkeesian é uma canadense-americana de 30 anos, descendente de armênios e crítica de mídia. Ela é formada em estudos de comunicação pela Universidade Estadual da Califórnia e tem mestrado em pensamento político e social pela Universidade de York. E ela é feminista.

Autora do blog Feminist Frequency (Frequência Feminista), criado em 2009, Sarkeesian começou uma campanha no Kickstarter em maio de 2012 para arrecadar fundos a fim de produzir uma web-série que se chamaria "Tropes vs. Women in Video Games" (Tropos vs. Mulheres nos Vídeo Games). Como descrito no projeto, a ideia da criação da série era explorar e comentar sobre 5 dos mais comuns e recorrentes estereótipos de personagens femininas dentro de vídeo games. O objetivo de US$6.000 foi atingido em 24h.

A primeira parte da série de vídeos de Sarkeesian, mostrada acima, aborda o tropo da "donzela em perigo", algo explorado exaustivamente e de diversas formas em diferentes games. No vídeo, a moça fala de vÁrios jogos, dentre eles, clÁssicos que marcaram a infância dos jogadores e que são lembrados com carinho por eles. Como era de se esperar, muitos interpretaram as anÁlises de Sarkeesian como ofensas pessoais e partiram para o ataque. 

Tudo isso se deu antes da hashtag #GamerGate passar a ser usada. Enquanto é difícil apontar o momento exato do surgimento de uma hashtag, muitos sites apontam para o ator Adam Baldwin como o primeiro a usÁ-la com um alcance mais relevante, no dia 27 de agosto deste ano.

Sarkeesian jÁ enfrentava, então, todo tipo de assédio e ameaça muito antes do #GamerGate. Em março deste ano, a estudiosa foi premiada pelo GDC Awards, para receber o "Prêmio Embaixador", destinado a pessoas que pensam nos aspectos menos mercadológicos dos games, como em suas características culturais ou sua arte. A indicação dela resultou numa ameaça de bomba, como chegamos a noticiar antes. Em outro momento, ela teve de cancelar uma palestra na Universidade Estadual de Utah, como reportou o The Guardian, porque recebeu ameaças anônimas de uma pessoa que alegou que realizaria um tiroteio na escola, caso ela fosse falar. É importante salientar que nesses dois casos, nenhuma das ameaças fazia alusão ou assinava como #GamerGate.

Mas quando duas polêmicas tão grandes dentro dos games envolvendo mulheres acontecem, é claro que em algum momento elas se entrelaçariam. Sempre enrustidos no manto da luta pela ética no jornalismo de games, alguns partidÁrios do #GamerGate voltaram-se contra Sarkeesian por considerar que os estudos da pesquisadora buscavam censurar os jogos, buscando impedir ou mesmo proibi-los de usarem certas temÁticas, como a sexualização excessiva de mulheres ou o tropo da donzela em perigo. É empregado aqui também o termo Social Justice Warrior (SJW) que se traduz como "guerreiro da justiça social", o que parece algo bom, mas é usado de maneira sarcÁstica, pejorativamente. Quem quiser entender melhor o quanto essa mulher consegue ser polêmica, pode dar uma lida em seu artigo publicado ontem na NY Times. (Aviso aos mais esquentadinhos: quando ela diz "game over para os gamers", ela não estÁ necessariamente te xingando, ela se refere ao nome, à palavra, ao termo "gamer" em si.)

Como toda feminista, entretanto, a vida de Sarkeesian é enfrentar assédios, críticas e ameaças. Ela o fazia antes do #GamerGate e vai continuar fazendo depois. A mudança foi que muitos dos seus odiadores passaram a adicionar a hashtag em suas ameaças e seus insultos. A participação de Sarkeesian aqui é fundamental porque explicita um dos problemas mais sérios e mais centrais do #GamerGate: ele é só uma hashtag. Qualquer um pode usÁ-la em seus tweets e comentÁrios e isso desorganiza e descentraliza o movimento. A variedade de pessoas que participam do #GamerGate, as intenções de seus membros mais nobres, contra os excessos de seus mais violentos, e até mesmo uma conquista bastante positiva dessa história toda serão debatidos na última parte desse artigo, que sai amanhã. Ah! E finalmente serÁ dito o que você tem a ver com isso. ;)

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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