Entenda o que é o #GamerGate e o que você tem a ver com isso: A Depression Quest de Zoe Quinn

Jogadores hardcore e casuais (ou até quem nem liga muito para jogos) jÁ devem ter ouvido falar sobre o tal do #GamerGate a essas alturas. Mas afinal de contas, o que é o GamerGate? Existe muita informação na rede sobre o assunto e a iniciativa não chega a ser um movimento organizado, o que aumenta ainda mais a enxurrada de notícias e debates sobre ele, dificultando um pouco mais o seu entendimento. É por isso que nós do Adrenaline tentamos fazer um panorama geral do que estÁ acontecendo, num artigo dividido em 3 partes. Assim você também vai poder propor falar da polêmica para uma discussão acalorada num churrasco de domingo.

Antes de mais nada, não se deixe enganar pelo tom mais leve e descontraído que esse artigo adota para falar de um assunto pesado. O GamerGate tornou-se algo mais sério do que discussões na Internet geralmente se tornam e rendeu ameaças contra a vida de alguns e chegou a ter algumas consequências bem negativas na vida real de outros. Ou melhor, "outras", jÁ que o alvo principal do GamerGate são mulheres envolvidas na indústria de games, como jogadoras e/ou desenvolvedoras.

Era uma vez...

Tudo começou com um jogo que você provavelmente não conhece, chamado Depression Quest (Busca da Depressão). O pequeno título indie foi desenvolvido por Zoe Quinn e simula a vida no cotidiano de uma pessoa que sofreria com este mal, na intenção de conscientizar melhor o público de como seria conviver com uma doença assim. 

O lançamento do título, por si só, teve sua dose relevante de polêmica. Enquanto o público geral não acho o jogo grande coisa, muitos sites grandes de games o aclamaram pelo tema que aborda e atribuíram a ele um status de "jogo artístico". São exemplo disso o Polygon, o Ars Technica e o Kotaku (com esse último sendo um dos pivôs do GamerGate, mas logo voltaremos a isso). 

A principal crítica do público ao jogo e, principalmente, à mídia jornalística que faz a cobertura de games, é que como jogo em si, o título não é bom e que sites de games teriam se tornado muito "queridinhos" de desenvolvedores indies e jogos com temÁticas de conscientização. Começava a se organizar na internet um movimento com um "estilo saudosista", que buscava uma volta dos games à sua antiga simplicidade. Ou pelo menos se dizia assim. A principal ideia dessa nova ideologia é que jogos não seriam lugar de debater temas sociais difíceis, mas sim de entretenimento, e apenas entretenimento. Essa pequena vela que tinha acabado de se acender tornou-se um incêndio quando recebeu um balde de gasolina de Eron Gjoni, ex-namorado de Quinn.

E se acaba o conto de fadas

Você jÁ teve um término de namoro ruim? Mas realmente ruim? O fim do relacionamento entre Gjoni e Quinn foi péssimo. E, como muita gente magoada, Gjoni se sentiu vingativo e decidiu criar um blog a fim de mostrar para o mundo a péssima namorada e pessoa mau carÁter que ele considerava ser Zoe Quinn. Segundo ele, a desenvolvedora o traiu repetidas vezes e, apesar do fato de que a vida pessoal de desenvolvedores de games não deveria ser de grande importância para nós, jogadores e jornalistas, uma das informações chamou a atenção. Um dos homens com quem Quinn teria traído Gjoni seria, segundo ele, Nathan Grayson, jornalista do Kotaku.

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A informação de que Quinn teria tido um caso com um dos jornalistas do Kotaku foi usada imediatamente como argumento para engrossar muito as críticas de que o jornalismo de games estava "vendido" para desenvolvedores indies. Isso mesmo levando em conta o fato de que Grayson nunca assinou nenhuma matéria sobre Depression Quest. O barulho foi tanto que Stephen Totilo, editor chefe do Kotaku, publicou um post posicionando o site quanto ao assunto. Em resumo, Totilo confirma que, de fato, Grayson e Quinn tiveram um envolvimento romântico, mas que Grayson nunca publicou nenhuma informação sobre o game nem sobre a desenvolvedora a partir da data em que o relacionamento entre eles havia começado.

Nessa altura, Zoe Quinn jÁ vinha sofrendo todo tipo de crítica e assédio em suas redes sociais e no 4chan (sempre o 4chan...), indo de xingamentos como "anti-ética" a ameaças de violência e estupro, por exemplo. Com o vazamento da informação acima, os "haters" de Quinn ganharam muita força e novos adeptos, e com a questão sexual envolvida, os comentÁrios passaram a ser gradativamente mais misóginos e ligados ao gênero. É mais ou menos nessa altura que eles se juntaram a outra "bolha polêmica" dos games: os odiadores de Anita Sarkeesian e sua série de vídeos "Tropes vs. Women in Video Games". Vamos falar de Sarkeesian na segunda parte deste artigo, aguardem!

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

Qual vai ser o melhor game de outubro de 2020?

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