Chegaram os smartphones com tela Quad HD: mais pixels importam?

Com a chegada do LG G3 para testes temos na redação o primeiro smartphone com resolução superior à Full HD, pronto para por em prova a dúvida: vale a pena tanta resolução em uma tela tão pequena?

Enquanto os concorrentes estabilizaram seus modelos topo de linha na resolução Full HD nesta geração, como nos casos do Galaxy S5 e o Xperia Z2, a LG equipou seu novo "rei da montanha" com uma tela Quad HD, com resolução de 2560 x 1440, versus os apenas 1920 x 1080 do tradicional Full HD, e mantendo a corrida das especificações à todo vapor. Mais do que uma questão de apenas "minha resolução é maior que o seu" - erro de concordância proposital - tantos pixels na tela trazem implicações, algumas interessantes, outras nem tanto.

Visão além do alcance

Com mais e mais pixels em tão pouco espaço, estamos chegando a uma densidade cada vez mais absurda de pontos na tela. O primeiro efeito que chama a atenção na tela Quad HD não é o que você vê, mas o que você não vê: os pixels. Mesmo elementos menores, como a porcentagem de bateria espremida no topo da tela, aparecem com muita clareza e sem serrilhados.

Apesar de impressionante, o impacto desta resolução não é o mesmo que a Full HD causou, que é menor que a evolução na aparência que o HD trouxe. Fica mais fÁcil se eu explicar isso com um grÁfico:

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Com cada vez mais pixels em menos espaço, estÁ ficando mais difícil perceber as nuances de alguns pontos a mais por centímetro quadrado. No uso cotidiano, quando você só quer abrir seus e-mails ou ver updates nas redes sociais, a diferença entre em Full HD e Quad HD são imperceptíveis. Porém hÁ situações que a diferença é mais notÁvel, e o Olho de Tandera mostra seu valor: multimídias.

A tela mostra a que veio quando batemos uma foto, ou gravamos um vídeo: todos os detalhes ficam evidentes jÁ no celular, sem necessidade de colocar no computador ou em um display maior. Vídeos também ganham outro grau de definição e nitidez, principalmente com adições como o suporte ao 1440p no YouTube. Curiosamente, a resolução de tela é tão alta que este celular sofre de um mal que só afligia aparelhos como televisores 4K: não hÁ muito conteúdo capaz de aproveitar toda a resolução da tela.

DÁ para perceber um pouco disso nesta foto abaixo: abrindo uma imagem de alta resolução, dÁ para ver que o G3 mostra mais claramente os detalhes, como as estrelas no céu ou a vegetação. 


Xperia Z2 (esquerda) e LG G3 (direita)

E os apps? Pouca diferença. A mesma quantidade de informações fica evidente na tela do Galaxy S4 e sua tela Full HD. O Moto X e sua tela apenas HD nos custou apenas o título de uma notícia, enquanto no Twitter a perda foi maior, e lÁ se foi um dos tweets. Outra coisa que fica evidente é que é possível ler a pÁgina toda sem dar zoom com a tela Quad HD, algo que também é viÁvel - porém bem mais desconfortÁvel - no Moto X. Ainda assim, o melhor não é lÁ "muito melhor", e a grande maioria ainda vai preferi dar duas batidas e aproximar o texto para uma leitura mais confortÁvel.


Na ordem: LG G3, Galaxy S4 e Moto X

Consumo do sistema

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Um aparelho com mais pixels para serem exibidos não passa impune: ele traz na carona uma tela que consome mais recursos do sistema, como processamento e energia. Mas o quanto isto impacta?

Na parte de performance, o G3 tem nada menos que um Snapdragon 801, um dos chips de mais alta performance disponíveis para "segurar" a tela, e o resultado é um aparelho que sofre pouco o impacto da alta resolução do display. Porém, ainda assim é perceptível alguns lags e pequenas travadas em algumas transições, algo que não é comum em um smartphone desta categoria. Apesar de outros fatores potencialmente influenciarem na performance, como as próprias modificações da LG no sistema Android, naturalmente não deixamos de suspeitar que a tela Quad HD tenha sua parcela de culpa.

Nos benchmarks sintéticos, temos um certo padrão: o LG G3 costuma ser 10% menos eficiente que o Z2, apesar do processador e GPU idênticos. HÁ duas diferenças que também podem influenciar neste resultado, como a menor quantidade de memória (2GB no G3, e 3GB no Z2) ou as modificações feitas no sistema por LG e Sony. Mas, novamente, não é de se descartar que a diferença entre os dois aparelhos, tão próximos em especificações, seja resultado do trabalho extra do G3 em manter uma tela com maior resolução.

Mas o que preocupa mesmo é algo jÁ bem comprometido em smartphones, em geral: a duração de bateria. Se é demandada mais performance do sistema para lidar com a resolução maior, é natural que o consumo de energia também aumente. No uso cotidiano, a duração do G3 ficou mais ou menos com a experiência que estamos acostumados, com uma autonomia de dois dias se for moderado, mesmo com o 3G ativo constantemente, e o carregamento diÁrio como forma segura de não ficar sem telefone. Mas um aspecto me chamou a atenção: o consumo de bateria com a tela acesa. Antes que o Capitão Óbvio quebre uma parede aqui ao meu lado e me alerte, eu sei: é claro que a tela acesa consome mais bateria, logo ficar olhando o tempo todo para o celular vai descarregÁ-lo na metade do primeiro dia. Porém, um aspecto me chamou a atenção: parece ser ainda mais cruel este processo de "descarga" do aparelho, com o G3. É como se você conseguisse ver "os porcentos" indo embora, na medida que você zera sua timeline do Twitter.

Veredito

A evolução é sempre bem-vinda.  Não sou eu aqui que vou ficar bancando o chato e dizendo que é bobagem a LG e seu aparelho que traz um novo limiar para a tecnologia disponível para o público. Sou fã de eletrônicos, e sempre gosto de ver o progresso. Porém, agora, é preciso pesar bem se este recurso vale a pena. E para a esmagadora maioria do público, a resposta é um categórico não.

A vantagem da tela Quad HD é sutil sobre a Full HD, mas traz consequências no consumo de bateria, algo que jÁ estÁ no ponto crítico e, em minha opinião e a de nosso público, deveria ser a principal questão a ser solucionada pelos fabricantes em seus futuros modelos. Se o impacto fosse em algo menos importante, como aumentar em algumas poucas gramas o peso do aparelho, apenas, eu veria com outros olhos essa questão toda.

A tendência é que os processadores, que vem chegando com cada vez mais performance, tornem mais irrelevante a diferença do consumo e performance entre o Full HD e o Quad HD. Por hora, a diferença ainda é perceptível. E como prezo muito pela (pouca) autonomia que temos com os smartphones, ainda daria preferência a um modelo com resolução Full HD ou, dependendo do tamanho da tela, até HD, que jÁ atende bem muita gente. Pois, lÁ pelas seis da tarde, não importa que seu celular tenha uma resolução que faz o mundo real parecer serrilhado, se estiver descarregado.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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