O mercado de DIY vai "muito bem, obrigado": nossa entrevista com Henry Kao, VP de placas-mãe da Gigabyte

Durante a Computex 2014, tivemos a oportunidade de falar com Henry Kao, vice-presidente de placas-mãe da Gigabyte. Feita logo após o lançamento das placas Z97 da empresa, conversamos para saber um pouco mais das novidades para o mercado de computadores montados pelos usuÁrios domésticos, conhecido como DIY (Do it yourself, o "faça você mesmo" em português"). 

Adrenaline: Quais as novidades para Computex de 2014 da Gigabyte?

H: Este ano, todos estão falando de games, seja placas-mãe, mouses, teclados, componentes... tudo! E isto é uma ótima notícia! Finalmente, as pessoas estão percebendo melhor a importância deste mercado, e isto ajudarÁ o segmento de DIY a continuar a crescer e, é claro, é boa notícia para Gigabyte. Neste ano, temos primeiro: uma ótima linha gamer, não apenas nos segmentos mais caros, mas também com boas opções de entrada, para todos os tipos de consumidores. Em segundo lugar, temos também uma nova linha de produtos que chamamos de "Black Edition". Ela é uma família de componentes da Gigabyte que passarÁ por 168 horas de testes sem parar, o que nós dÁ a certeza que estes produtos, em quesitos como performance e durabilidade, serão os melhores dos melhores. E terceiro: nossa linha de placas para overclockers. Normalmente apresentamos uma placa na Computex, mas este anos temos três. Uma destas e a SOC Force LN2, uma mainboard que traz outro nível de overlock em memórias.

A: Então o mercado de PCs para games ainda tem muito a crescer?

H: Nós estamos no mercado de PCs gamers hÁ muitos anos, e uma importante diferença é que este ano as placas gamers não estão limitadas ao segmento de alto custo. Temos também a presença de modelos de entrada, com muito de nossas tecnologias presentes em todos estes produtos, como soluções de Áudio, conectividade e controle de temperatura. O mercado gamer estÁ muito mais maduro e popular.

A: Como vai a Gigabyte em relação à concorrência, fatia de mercado, crescimento, neste último ano?

H: No mercado de DIY somos o líder, e nos tornamos a principal empresa no mercado de placas-mãe, em nossos 28 anos de existência. Nossos produtos representam 35% da fatia de mercado em todo mundo, com em torno de 75 milhões de unidades comercializadas anualmente. Desde 2006, nosso foco estÁ nestes três elementos: durabilidade, qualidade e performance. Cada ano nos esforçamos para que cada um destes aspectos melhore mais e mais.

A: Temos ouvido muito falar de vendas ruins de componentes para computadores, e inclusive de vendas abaixo a de anos anteriores. A Gigabyte tem percebido o impacto disto?

H: Eu penso da seguinte forma: hÁ oito anos atrÁs, todos nesta indústria só se preocupavam com o preço. Tudo era sobre componentes mais baratos para reduzir o custo. Mas o mercado percebeu o erro, pois ninguém ganha com isto. A Gigabyte considera que se queremos esta indústria mais saudÁvel, isto precisa ser mudado. Precisamos de componentes melhores, para garantir que qualidade e durabilidade, não só nos modelos mais caros, mas sim em toda a linha de produtos. Este é o melhor marketing, e assim que conseguimos continuar crescendo ano após ano. Comparado com o que tínhamos em 2006, o volume de vendas da Gigabyte dobrou, um salto bastante significativo neste período. Ainda mais se considerarmos que nos últimos 10 anos se falou muito no fim do mercado DIY, e que tudo que importa é o preço. Nós mudamos esta mentalidade, e temos muito orgulho disto. A própria presidente da Intel afirmou, aqui na Computex, que continuarÁ investindo em desktops no futuro. Esta é uma mensagem muito importante, porque nos últimos 5 anos, muitas pessoas estavam procurando apenas por notebooks e computação portÁtil, e muito do foco estava direcionado apenas para aqueles mercados.

- Continua após a publicidade -

A: Então ainda hÁ muito espaço para os computadores tradicionais?

H: Eu acredito que sim. Inclusive, este ano, as vendas de desktops vão superar as dos notebooks. Desde 2009, os notebooks vendem mais que os computadores de mesa, e este ano isto deve ser revertido. No mercado brasileiro também vemos este processo, e ano após ano os volumes de vendas somente aumentam.

Placas Z97, apresentadas na Computex 2014 

A: E como vê a tendência de conexões como a BGA, onde não é possível substituir o processador? Este tipo de hardware tomarÁ mais espaço das tradicionais placas-mãe onde é possível fazer o upgrade?

H: Eu entendo da seguinte forma: as conexões onde dÁ para atualizar o processador continuarão como a maioria do mercado DIY. Soluções como BGA devem ficar mais localizado no mercado de entrada., e para aplicações específicas.

A: Qual você acredita ser o próximo grande avanço na computação?

H: Para o futuro, especialmente para o desktop e para o público DIY, serÁ o crescimento da performance, ficando cada vez melhor e melhor. As velocidades de conexão irão evoluir, como novos padrões de conexão PCIExpress e USB. A tecnologia PCIExpress tem muito potencial, porém os dispositivos que usam ela ainda não são populares, assim que tivermos mais deles, consigo ver grandes avanços.

- Continua após a publicidade -

A: Com este novo contexto, com tablets, smartphones e computadores, como serÁ o equilíbrio entre estes dispositivos no uso?

H: Mobilidade, como smartphones e tablets, continuarão a crescer, e muito. Mas isto não atrapalharÁ o ramo dos desktops, que também seguirão se desenvolvendo. Os celulares estarão disponíveis para todos, fazendo parte do dia-a-dia, enquanto os computadores continuarão expandindo, se tornando a central multimídia da casa. Quando as pessoas buscam um local para seus conteúdos, elas pensam no desktop, inclusive para criar sua própria rede pessoal de armazenamento. Houve muito entusiasmo com os serviços da nuvem, mas agora as pessoas entenderam que hÁ problemas, como a questão da segurança e performance. Por isto que o usuÁrio doméstico, e especialmente as empresas, confiam nos computadores pessoais, e não conseguirão fazer isto em seus smartphones, tablets ou mesmo notebooks.

E também hÁ outras aplicações que os computadores de mesa tradicionais são imprescindíveis, como nos jogos. Os computadores continuam muito populares, e pessoas jogam em seus desktops ou notebooks, e não conseguem fazer isto com a mesma eficiência em um smartphone. Por isto que notebooks para jogos estão despontando no mercado, porque unem a boa performance com games e a portabilidade. Mas na hora que chegam em casa, é o desktop que eles usam para games.

Por isto, não tenho nenhuma preocupação com o futuro dos desktops, que continuarão fortes como hoje. Os computadores, especialmente no ramo de DIY, seguem com seu espaço, mas é importante perceber que o mercado de entrada deixa de ter tanto sentido, e passa a ter destaque os segmentos intermediÁrio e de alta performance. Se você for buscar apenas pelo preço, comprarÁ um notebook. Para acessar e responder e-mails, o celular serÁ ainda mais barato.

A: Muito se atribui aos smartphones e tablets a que nas vendas de PCs. Você tem alguma teoria para o desaquecimento do mercado?

G: Para o mercado de notebooks, pode ser, para o DIY, não. O crescimento deste segmento é indiferente ao da mobilidade, e medimos um crescimento de 5% cada ano. Se o DIY estivesse passando dificuldades, a Intel não teria anunciado que irÁ investir mais na Área. Finalmente, até a Intel se deu conta da importância deste mercado.

A: Para fechar, uma chance para convencer o nosso público: por que Gigabyte, na hora de comprar uma placa-mãe? 

H: Porque o mercado percebeu a qualidade acima da média da Gigabyte em qualidade e performance. Isto não é algo que você consegue de um dia para o outro. Nós continuamente nos dedicamos para chegar a este estÁgio, e entregar a nossos consumidores produtos com este nível de qualidade.

Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.