E3 2013: Hands-on com Diablo III para consoles e entrevista com produtor

O game "Diablo III" estÁ se preparando para desembarcar nos consoles. A franquia muito tradicional de PCs chega ao Xbox 360 e Playstation 3 em 17 de setembro, e também irÁ receber uma versão para Playstation 4, ainda sem data para o lançamento. Tivemos a oportunidade de conversar Josh Mosqueira, diretor do jogo e produtor responsÁvel pelo port do game para videogames, além de jogar um pouco do game em um PS3.

JÁ ao pegar o controle e olhar para a tela, acontece um estranhamento inicial. A Blizzard repensou o jogo para a "lógica do console", partindo para um gameplay no sofÁ da sala. O jogo ficou mais dinâmico, com direito a esquivas e uma visão mais próxima do personagem. "No PC, o jogador não olha para seu herói, e sim para onde estÁ o mouse, normalmente no canto da tela. No console a visão é mais focada no centro da tela, então aproximamos mais para tornar os detalhes mais evidente", explica Josh. Esta mudança também traz seu preço: o campo de visão é mais curto, mas ainda estÁ longe de comprometer a jogabilidade. Arcanistas ainda terão um bom espaço para ver os inimigos, e disparar os golpes a uma distância segura.

O menu do jogo também foi alterado, para ser mais compatível com os controles. Em alguns momentos, como na seleção dos itens, são tantas opções que fica um pouco difícil acertar o que você deseja selecionar (pode ser também a minha grosseria de jogador de PC, mal acostumado ao uso preciso do analógico). O importante é que o producer garantiu que todos os recursos da versão para computadores estarão presentes no videgame: "os itens são algo indispensÁvel para a experiência em Diablo, então mantivemos todos os vÁrios elementos, como capacetes e ombreiras, para não prejudicar isto nos consoles".

Apesar da lógica dos itens serem semelhantes, hÁ algumas mudanças no seu surgimento, o tradicional "loot". A versão para consoles terÁ uma menor quantidade de objetos dropados mas, em compensação, os equipamentos que surgirão serão, em uma maior frequência, de uma qualidade mais alta que os que aparecem regularmente no computador. A lógica do acúmulo de experiência, porém, não foi tocada: os pontos de XP e o aumento de níveis dos personagens serão no mesmo ritmo visto nos computadores.

A "magia" aconteceu assim que outro controle foi entregue para nossa equipe. Ao apertar Start, foi possível adicionar mais um personagem ao game, em um modo cooperativo local. "SerÁ possível adicionar até quatro jogadores simultaneamente, e também é possível que ainda mais pessoas participem do jogo via internet". Naturalmente, o jogo passa a sofrer algumas limitações, para não cair no famigerado splitscreen: todos precisam ficar mais ou menos próximos, sendo que um jogador pode atrapalhar o avanço dos demais caso se afaste demais, e também temos a obrigatoriedade que todos se teleportem para a cidade juntos, por exemplo. Ainda assim, é uma adição e tanto ao game, que ganha uma experiência muito mais interativa e seria interessante, inclusive, para os próprios PCs, tão carentes de bons games para games com coop local.


Casa de Leilões 

Um elemento importante do game, na versão para PC, não estarÁ nos consoles: a Casa de Leilões. A compra e venda de itens através dos jogadores, com dinheiro do game ou real, não estarÁ presente nos jogos para Playstation 3 e Xbox 360. "Consideramos que não era interessante para a experiência dos consoles. Achamos importante que os jogadores sejam capazes de evoluir seus personagens dispensando completamente a compra de itens, pois pelo feedback que recebemos da Sony e da Microsoft, muitos usuÁrios ficam longos períodos sem conectar seus consoles, ou mesmo nem costumam ligÁ-los a internet". Com a mesma justificativa, não serÁ preciso o "always on", com conexão constante e personagens armazenados no servidor, algo que para Mosqueira não irÁ auxiliar os potenciais cheaters: "Diferente do computador, os consoles são ecossistemas muito mais fechados, onde as trapaças são muito mais difíceis".

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Para tentar acalmar a apreensão dos PC players, preocupados com que um próximo game (um "Diablo IV", quem sabe) perguntamos se futuros títulos da franquia não poderia ter um enfoque maior nos consoles e, por isto, o port no caminho oposto (do console para o computador), Josh desconversou de forma filosófica. "Não é assim que pensamos a criação de um game na Blizzard. Nós começamos imaginando a história e a experiência que queremos entregar, e depois disto definimos quais plataformas serão capazes de alcançar este objetivo de forma mais completa".

Nossa impressão geral é que "Diablo III" não é o mesmo game nos consoles. Recebeu modificações no gameplay e em seus elementos para entregar um produto mais adequado ao contexto do videogames, e que parece promissor especialmente para o jogo cooperativo local, e algumas simplificações. A mira dos personagens, por exemplo, é automÁtica, sendo que o direcional serve apenas para escolher qual seu alvo. "Alguns inimigos são bem pequenos, e apesar de ser possível direcionar as magias com o mouse, com o controle a experiência é frustrante".

Por fim, mandamos uma pergunta capciosa para o produtor do port e atual diretor do jogo: "qual Diablo você prefere, o dos PCs ou o dos consoles?". "São diferentes", pondera. "Se eu quero aquela experiência imersiva, jogando sozinho com meus headsets, eu acho que jogar no PC é uma opção melhor. Mas se estou na sala, ou quero jogar algo com meus amigos, ou meus filhos, definitivamente o console vai ser mais divertido".

A E3 2013 acontece de 11 a 13 de junho em Los Angeles (EUA). A cobertura do evento no local pelo Adrenaline é patrocínio do Boa Compra.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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