Entrevista com Steven Lee, presidente da MSI Brasil

Durante a cobertura da Computex 2012, tivemos a oportunidade de conversas com Steven Lee, presidente da MSI Brasil. Steven fez MBA na Universidade de Leicester na Inglaterra, e foi diretor de diversas empresas multinacionais na Área de TV, LCD e semicondutor. Ele estÁ na MSI hÁ oito anos, sendo que os seis primeiros ele foi AVP na unidade de negócios de bens de consumo (eletrônicos) e os dois últimos no Brasil como Presidente. Ele estÁ no Brasil desde novembro de 2010 e jÁ veio de Taiwan para ser o novo Presidente da MSI.

Adrenaline: Pode nos dar uma visão geral sobre a presença da MSI no Brasil?

Steven: A MSI possui 26 escritórios pelo mundo, e o escritório brasileiro é considerado um dos mais promissores, resultado do potencial de crescimento do mercado brasileiro. Por isso, reconhecemos esse escritório como um dos mais importantes do mundo por conta do mercado local, e ele tem recebido os principais investimentos por conta disso. Hoje, nossa participação no Brasil inclui placas-mãe, placas de vídeo, notebooks, all-in-one e desktops. Nestes três últimos, estamos focados mais em nichos de mercado, como sistemas embarcados ou aparelhos voltados a empresas e indústrias.

Temos 23 funcionÁrios atuando na empresa neste momento, mas teremos que expandir em breve, por conta do crescimento da venda de nossos produtos, especialmente VGAs e placas-mãe. Precisaremos de muitas pessoas de marketing, logística e engenheiros, além de um pessoal para novas Áreas que pretendemos desenvolver.

No mercado brasileiro de notebooks, não iremos mais focar nos aparelhos mainstream, porque a competição tornou a margem de lucro muito baixa, e nos próximos meses iremos introduzir mais notebooks para gamers. A MSI foi fundada hÁ 26 anos, inicialmente focada em placas-mãe e placas de vídeo, e hoje estamos entre as três melhores empresas nestes mercados, o que nós dÁ muita qualidade para entregar aparelhos de alto desempenho para o Brasil, usando nossa experiência na Área.

Estande da MSI na Computex 2012


A:
Como é o posicionamento da MSI no mercado de notebooks gamers, mundialmente, e como serÁ o investimento no Brasil?

S: Hoje a MSI é o segunda maior empresa neste segmento de notebooks para jogos, e no Brasil iremos entrar neste mercado este ano. JÁ temos muito sucesso nesta Área, fora do país, mas nele os investimentos irão começar este ano, pois o núcleo de nossos negócios são, por hora, placas-mãe e placas de vídeo.

Eu cheguei ao Brasil 19 meses atrÁs, e antes disso nossa estratégia era baseada no trabalho com integradores, os OEM, com empresas como a Positivo. Desde a minha chegada, temos outra missão: queremos desenvolver a nossa própria marca por aqui. Graças a nossos parceiros, temos alcançado um cresimento muito expressivo neste período com placas de vídeo e placas-mãe. No último ano, saimos praticamente do zero para disputar o mercado muito próximo da GIGABYTE e da ASUS. Com VGA, estamos entre as melhores do país, com vendas muito expressivas e com um sistema de logística muito bem desenvolvido.

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Veja os novos modelos de notebooks gamers da MSI lançados na Computex 2012

A: Quais as dificuldades e as adaptações necessÁrias para entrar no mercado brasileiro?

S: Um dos grandes desafios de entrar no mercado brasileiro, e ser bem sucedido nele, é compreender as características do mercado. A primeira delas é o imposto. É preciso compreender as complexas regras das taxas, qual o valor correto a ser pago, e também quais os parceiros que podem usufruir de benefícios fiscais. Isso é muito complexo, pois muda em cada estado e até mesmo em cada cidade, então é preciso um estudo para definir a melhor opção de parcerias para se trabalhar.

A segunda é o consumidor, pois nem todos possuem uma renda alta para adquirir estes produtos tecnológicos. A terceira é o tipo de distribuidores. Escolhemos aqui no país parceiros bastante focados em componentes para computador e informÁtica, com estrutura financeira e logística para tornar possível o crescimento da venda de placas de vídeo e placas-mãe.

A quarta característica é que é preciso ter as pessoas certas na MSI para trabalhar conosco, e por isto temos contratado muitas pessoas talentosas, para que o relacionamento entre nossa empresa e os parceiros aconteça de forma correta, com um entendimento. E a quinta foi a instalação de um centro de RMA [centro logístico onde o cliente pode devolver produtos com defeito], aumentando a qualidade de nossos serviços no país, algo que tem nos trazido um resultado muito positivo.

A: Quais produtos chegam ao país, este ano?

S: Este ano iremos trazer modelos de notebooks gamers e all-in-ones com enfoque no uso industrial e empresarial. Estamos pensando em outros produtos, mas não posso revelar agora.

MSI Slider S20, apresentado durante a Computex 2012

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A:
Além desses que listou, mais algum produto para consumidores finais que a MSI estuda em trazer ao país?

S: Estudamos Áreas com a empresarial, que precisa de produtos como servidores, por exemplo. Outro campo novo é o de tablets, que ainda não estÁ bem definido. Estamos estudando esse segmento no Brasil, quais os custos, qual a popularidade desse tipo de aparelho e para que tipos de aplicações o mercado brasileiro necessita desse produto. Não iremos lançar um produto no mercado que não irÁ vender. É preciso primeiro verificar para quais usos os clientes necessitam de algo novo, e também necessitamos ver qual o produto ideal para atender esta demana e o preço correto. HÁ também outro fator: temos que verificar quais produtos estão ajudando a MSI, e quais podem estar tendo uma influência negativa na reputação da empresa.

A: Os impostos constumam ser a principal dificuldade para empresas estrangeiras quando desejam entrar em nosso mercado. Mais alguma diferença, além desta, que acha importante?

S: Todo mercado tem suas diferenças. O povo brasileiro é muito alegre e festivo, e tem uma lógica diferente. Em Taiwan, eu preciso fazer negócios por um longo período com uma pessoa, e com o tempo nos tornamos amigos. No Brasil funciona diferente: você se torna primeiro amigo, e então começa a fazer negócios. Isto é muito diferente de outros povos.

Eu vivi vÁrios anos em países europeus e também nos Estados Unidos, e a primeira coisa que aprendi ao chegar aqui é que devia esquecer tudo que aprendi em outros lugares, e reaprender tudo, para entender como as pessoa agem por aqui. Este é um ponto onde muitos falham, pois não compreendem e nem se adaptam aos costumes brasileiros, e tentam aplicar a mesma forma como fazem negócios na Europa e na China.

Fico feliz em ver a MSI investindo muito no país, e aprendendo a fazer as coisas do modo brasileiro. Isto tem nos trazido um retorno bastante positivo.

A: Qual serÁ a estratégia principal no mercado brasileiro?

S: Nós temos focado bastante no relacionamento com os parceiros, fazendo o melhor possível para que eles possam crescer, e assim fazer com que nós também tenhamos um crescimento no mercado brasileiro. Outra estratégia é o estudo do mercado, para entregar produtos eficientes e que atendam as necessidades dos consumidores.

A: Estamos acostumados a ver componentes com a marca MSI. Com o plano de expandir a marca, a empresa pretende também entregar produtos completos?

S: A MSI tem muita qualidade na Área de placas-mãe e placas de vídeo, mas não fabricamos alguns componentes, como memórias RAM. Estamos estudando parcerias com outros fabricantes, no Brasil e ao redor do mundo, para em cooperação entregar produtos finalizados. Devemos fazer isto em nichos de mercado, pois jÁ temos ótimos integradores (OEMs) e não queremos nos tornar competidores deles.

Nova linha de mainboard de alto desempenho MPower, apresentada durante a Computex 2012


A:
Como a MSI disputa espaço no mercado de alto desempenho, temos uma briga acirrada. Qual a estratégia para se diferenciar?

S: Isso é algo bastante difícil, pois muitos fabricantes trabalham com componentes semelhantes, como mesmo chipsets e processadores, e então o desempenho é muito próximo entre produtos high-end. Nós da MSI temos investido na Área de software, para buscar um diferencial. Fazemos isto de duas formas: uma é otimizando os programas e sistemas, para que funcionem perfeitamente em nossos componentes, algo que nos dÁ um ganho de até 10% em relação a concorrentes. A outra é verificar falhas nos programas, como bugs, e tentar fazer as correções para que em nossos produtos esta falha não aconteça, o que torna nosso produto mais confiÁvel. Na Área de BIOS, por exemplo, possuímos muitos funcionÁrios capacitados para extrair o mÁximo de desempenho de nossos componentes.

A: Alguma mensagem para os brasileiros, e para o público do Adrenaline?

S: A parte principal das tecnologias da MSI estÁ em dois elementos. O primeiro é o processamento, pois investimos muito em tecnologias para entregar o mÁximo de desempenho em produtos como placas de vídeo. Tudo relacionado a isto, a MSI estarÁ entre as empresas com produtos mais potentes. Temos esta reputação pelo mundo, mas ainda não somos vistos assim no Brasil.

JÁ melhoramos muito neste último ano, neste aspecto, e esta é a mensagem que quero deixar aos brasileiros: temos ótimos componentes, e temos feito muitos investimentos no país, para nos aproximar mais do mercado local e trazer mais produtos. Criamos uma pÁgina da MSI Brasil (http://br.msi.com/), melhoramos nossa comunicação com público, com a criação de linhas 0800 para ligação, e temos nos aproximado cada vez mais de revendedores, para melhorar mais e mais no país.

Queremos nos aproximar cada vez mais do mercado, dos consumidores, dos revendedores e dos parceiros, para entregar o produto certo, pelo preço adequado. Tudo isto só é possível com o trabalho em equide de vÁrias pessoas e empresas, para então conseguirmos o nosso maior objetivo: a preferência do cliente. Queremos que você recomende nossos produtos aos seus parentes, e que deseje adquirir mais produtos da MSI no futuro. Tudo que fizermos, serÁ para chegar a este objetivo.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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