Entrevista: Ignacio Sbampato, chefe de vendas e marketing da ESET

O argentino IgnÁcio Sbampato é chefe de vendas e marketing da ESET, companhia eslovaca de segurança, desde o início do ano passado. Antes, atuou durante seis anos como CEO da empresa na América Latina e, agora, representa a ESET no mundo inteiro.

Passamos pelo estande da empresa na CeBIT 2011, que ocorre entre os dias 1 e 5 de março em Hannover, na Alemanha. Na ocasião, o executivo nos concedeu uma entrevista. Confira!

Adrenaline: Para começar, vamos conversar um pouco sobre seu trabalho na América Latina. Quais os desafios em um lugar com países que são fontes ricas de malware, como o Brasil por exemplo?
Ignacio Sbampato: A ESET estÁ na América Latina desde 2004. Começamos com o escritório em Buenos Aires, na Argentina, e tínhamos distribuidores na Argentina, no Brasil e no México. Em 2009, abrimos o escritório do Brasil e, agora, temos distribuidores em toda a América Latina. Temos um posicionamento muito bom em países de língua espanhola, mas ainda hÁ muito o que fazer no Brasil, onde nosso produto é mais conhecido pelos usuÁrios domésticos. Nossos softwares são leves e fÁceis de usar, além de não criarem problemas para o computador e as pessoas gostam disso. Quando entramos no Brasil, nosso foco foi o usuÁrio doméstico. Agora, nosso desafio é fazer com que o segmento corporativo também conheça bem as nossas soluções.

 
Estande da ESET na CeBIT 2011

A: Nos últimos meses, ouvimos falar muito no Stuxnet, o worm que chegou a danificar uma usina nuclear no Irã. Como estÁ a situação do malware agora? JÁ se sabe quem são as mentes por trÁs dele?
I.S.: A cada semana, nossa equipe analisa o código para tentar compreender as motivações do Stuxnet. Estamos observando algumas variantes do código. Algumas pessoas estão usando o código-fonte do malware para criar novas variantes, mas, de acordo com nossos sistemas de estatística, as taxas de infecção estão muito baixas. Não hÁ muitos sistemas infectados e a Siemens (desenvolvedora do software de controle das mÁquinas indústriais, como explicamos na nossa matéria especial) estÁ trabalhando em novas versões do seu software para tornÁ-lo mais seguro, inclusive contra futuras versões do Stuxnet. De qualquer forma, a história não mudou muito. Ainda não se sabe quem é o criador ou os criadores do worm.

A: Você acredita que o Stuxnet pode iniciar uma nova geração de malwares, na qual o objetivo passa a ser danificar infraestruturas críticas ao invés de roubar dinheiro de usuÁrios domésticos?
I.S.: Eu acredito que o Stuxnet não é o primeiro malware desse tipo. No passado, também existiram ameaças com objetivos políticos ou militares, mas não foram muito expostos publicamente. É uma ferramenta a mais que alguns grupos e governos podem vir a utilizar no futuro, mas seus criadores não querem tornar isso público. Como os computadores são parte fundamental da segurança de muitos países, é muito provÁvel que veremos ataques semelhantes no futuro, mas não creio que serÁ algo de grandes dimensões ou que existirão muitas ameaças como essa.

A: Nas últimas semanas, casos de ciberativismo têm surgido na mídia, quando certos grupos começaram a atacar sites de companhias que negaram apoio ao WikiLeaks. O que você acha desse tipo de atitude? Existe alguma situação em que ataques virtuais podem ser considerados legítimos?
I.S.: Não existem ataques legítimos por duas razões. Primeiro: é um problema de segurança. A ESET é uma companhia de segurança e, portanto, preocupa-se com a segurança dos sistemas. Qualquer tipo de ataque é um problema e não uma solução. Em segundo lugar, pessoalmente, eu sou um pacifista e considero que as investidas, mesmo no espaço virtual, não deixam de ser ataques e eu não gosto desse tipo de coisa. Tanto as empresas quanto os governos devem trabalhar para que a Internet seja um lugar seguro para que os usuÁrios possam usufruir dessa ferramenta maravilhosa sem sofrer com problemas.

A: A computação em nuvem é uma tendência tanto para serviços quanto armazenamento de arquivos. Ela pode ser considerada mais segura? Quais medidas de segurança bÁsicas um usuÁrio deve tomar ao optar por esse tipo de tecnologia?
I.S.: Não existe nenhum sistema 100% seguro, logo, não se pode dizer se os sistemas em nuvem são mais ou menos seguros que outros. Esse tipo de serviço, aliÁs, jÁ existe hÁ algum tempo, mas agora a "nuvem" virou a palavra da moda. A segurança, nesses casos, depende da implementação e da companhia por trÁs da administração desses serviços. Para se prevenir de incidentes, o usuÁrio deve usar apenas serviços recomendados e confiÁveis, usar senhas seguras sem repetí-las em nenhuma outra situação e não expor informações pessoais demais.

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A: E quanto à segurança móvel? Smartphones jÁ são um alvo amplamente visado por cibercriminosos?
I.S.: Esse tipo de ameaça estÁ começando a decolar. Mas nós não gostamos de exagerar as coisas, ainda não se trata de um grande perigo, nada comparado aos desktops. Com o crescente número de usuÁrios de smartphones, é claro que as plataformas móveis estão se tornando um alvo mais interessante para os cibercriminosos, especialmente o Android, que é muito aberto. JÁ estamos observando alguns cavalos-de-troia para o sistema, com o objetivo de obter dinheiro enviando torpedos SMS para certos números. Mas ainda não é algo muito comum.

A: O Brasil é um dos países que mais produz e dissemina cavalos-de-troia do tipo banker. Por quê?
I.S.: Desde os primórdios da Internet, os países têm seus grupos de criação de malwares, e não é diferente com o Brasil. Mas cada país se especializa em algum ramo. A Rússia, por exemplo, tem criado muitos malwares voltados para a distribuição de spam e também têm desenvolvido algumas ameaças móveis. O Brasil, por sua vez, acabou focando nos bankers, especialmente após a popularização dos serviços de Internet Banking, entre 2005 e 2006. O trojan-banker se tornou uma das formas mais fÁceis de se fazer dinheiro no país e os criminosos criam malwares específicos para os bancos brasileiros.

A: Agora, conte um pouco sobre as novidades da ESET para este ano.
I.S.: Estamos demonstrando o ESET Mobile Security para Android, ainda em versão beta, com antivírus, anti-spam e firewall. A quinta versão de nossa suíte de segurança para desktops, o ESET Smart Security, também estÁ em versão beta e tem lançamento previsto para agosto. Estamos focando nossos esforços no desenvolvimento de soluções móveis, inclusive para outras plataformas, como Windows Mobile e Symbian. Até o final do ano, devemos lançar versões para iOS e Blackberry

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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