Entrevista: Mark Stanley, presidente da Playstation para a América Latina

O presidente da marca Playstation para a América Latina, Mark Stanley, nos recebeu na sede da empresa em Redwood para falar sobre o futuro do console da Sony no Brasil.

Adrenaline: Porque a Sony demorou tanto para lançar o Playstation oficialmente no Brasil?

Mark Stanley: Em nossa visão nunca houve produto suficiente para abastecer a região, Nunca houve produto suficiente nem mesmo para os EUA ou CanadÁ. Por isso a corporação como um todo decidiu que não iria investir em uma nova região se não houvesse produto suficiente para isso.

E eu acho que essa foi a razão de porque hÁ 15 anos quando o Playstation foi lançado (no ocidente), seu foco principal foram os Estados Unidos, depois o CanadÁ e depois uma parte da Europa... Mas sempre houve o interesse de lançar o aparelho em todos os mercados.

HÁ alguns anos, quando a capacidade de produção começou a aumentar foi que pudemos pensar em outros mercados. E no caso do Brasil especificamente tivemos que planejar um pouco mais porque existe um problema com impostos que faz um lançamento como este tornar-se mais complexo. Nem todo mundo pode pagar por um Playstation 3 custando dois mil reais. Isso é muito, mas muito caro. E assim tivemos que fazer uma pesquisa muito maior para descobrir uma maneira de entrar no Brasil. É por isso que demoramos um pouco mais para nos estabelecermos oficialmente por lÁ.

A: E a partir de agora, com o lançamento oficial, quais serão os próximos passos?

MS: Nós continuaremos avançando. Vamos construir o mercado pouco a pouco colocando mais produtos para vender na região. E um dos nossos maiores objetivos é diminuir o custo dos games e aparelhos. E para isso não trabalharemos apenas com a revenda (as lojas de games), mas também com o governo para saber o que podemos fazer com os impostos de importação porque para nós, a chave para investir no país é que um produto como este torne-se acessível.

Vocês continuarão a ver uma linha grande de games chegando ao país, além de muito mais publicidade e marketing dos produtos.

Nós lançaremos uma linha grande de produtos este ano, e vocês jÁ devem ter visto alguns deles em seu tour. E todos são muito interessantes. Teremos novas plataformas e jogos, e nosso objetivo é sempre inovar. O foco é o Playstation 3, mas estaremos sempre inovando, inovando e acrescentando novidades ao mercado.


A:
E quando teremos a PS Network no Brasil? Atualmente os gamers brasileiros estão comprando seus games através de outros canais. Existe alguma previsão? E porque ainda não a temos?

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MS: Por enquanto, eu não posso lhe dar uma data certa sobre quando teremos a PSN brasileira, mas posso lhe dizer que estamos trabalhando muito duro nisso ultimamente.

Lançar uma Playstation Network não é apenas colocar no ar um novo website. Existem muitas implicações para que este possa entrar no ar, pois todo o conteúdo sejam eles filmes ou jogos possuem direitos autorais que precisam ser negociados, hÁ o problema dos impostos que tem que ser pagos, além de tudo isso hÁ um outro plano por trÁs que é a segurança do usuÁrio. Como vocês devem saber, quando se compra alguma coisa na PSN é preciso garantir que o site e o cartão usados são seguros.

Apesar de todos estes fatores eu quero deixar claro que o Brasil é muito, muito importante para nós e posso dizer que estamos trabalhando arduamente para que possamos colocar a PSN no ar ainda este ano.


A:
Então, os gamers brasileiros podem esperar por notícias da Sony?

MS: Sim, teremos boas notícias para eles.


A:
Conversando com representantes de outras empresas de games neste rally, nós percebemos que o ano de 2011 estÁ sendo importante para muitas delas. Todos pretendem investir pesado nesta Área é por isso que perguntamos: o que hÁ de interessante este ano?
Sabemos que o Brasil terÁ a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas investir desde jÁ em 2011 manterÁ o mercado dos games ativo para o futuro que virÁ?

MS: Eu acho que o que você verÁ este ano serÁ o resultados do que fizemos ano passado. A marca Playstation estÁ sendo muito comentada no país atualmente. Muito se fala sobre os nossos produtos. Começamos com o Playstation 2, depois o PSP e agora temos o Playstation 3.

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Nós trabalhamos muito próximos a nossas Third Parties (outras empresas que produzem games para os console) e percebemos que elas estão olhando para o Brasil mais seriamente porque a Sony e o Playstation estão lÁ.

Posso citar como exemplo a Electronic Arts que criou um processo de distribuição, a Warner Games e a Ubisoft.

E isso é o resultado de todos nós apostando em um mercado que sabemos estar cheio de gamers. Nós sabemos disso e entendemos, por isso você certamente verÁ mais iniciativas com jogos eletrônicos aparecerem por aí.

Esse é só o começo do que essa indústria pode ser. E é por isso que nós queremos trabalhar próximos aos revendedores e ao governo porque sabemos que se não tivermos apoio, nós não atingiremos todo o potencial.


A:
E quais foram os resultados até agora? Desde que começaram a trabalhar com a marca Playstation?

MS: Bem, eu posso dizer que mesmo antes de lançarmos a marca oficialmente sabíamos que os gamers possuíam uma grande paixão pela marca no Brasil. Sabemos que a marca esteve por lÁ desde o começo porque os consoles foram até lÁ. O Playstation tem muitos fãs no Brasil entre jogadores hardcore e casuais, por isso a resposta ao lançamento oficial foi fantÁstica.

Tanto que a comunidade de gamers daqui (dos EUA) também ficou maravilhada ao saber do amor que os brasileiros tem pela marca.

E estamos muito felizes. É por isso que não vemos a hora deste mercado se abrir ainda mais para que outras empresas que nunca tiveram essa experiência por lÁ também possam tê-la.

A: Uma coisa que o brasileiro gosta muito é de saber que se preocupam com ele. E nesta visita que fizemos aos estúdios da Sony aqui em Foster City (no Vale do Silício) pudemos falar com vÁrias pessoas da empresa em suas mesas e em seus devidos departamentos. Uma coisa que ouvimos pelos corredores era que vocês pretendem lançar os games em português do Brasil. Um deles serÁ o Infamous 2 inteiramente dublado em português, e depois teremos Killzone 3 com trailer também em nosso idioma. E como isso vai funcionar? Teremos mais iniciativas como esta?

MS: Absolutamente! Esse sempre foi o nosso objetivo.Atualmente não podemos fazer todos os games em língua portuguesa porque para isso teríamos que fazer um grande investimento, mas como você mesmo citou, nós teremos alguns de nossos jogos principais completamente traduzidos. E eu não estou falando apenas em legendas, quero dizer jogos totalmente traduzidos. Nós temos atores brasileiros que falam o idioma que farão as vozes e atuações nos games, mas também teremos menus e textos. É um tipo de produção que nunca fizemos antes.

E isso é algo em que continuaremos investindo, conforme avançarmos no mercado mais e mais games serão produzidos com esta opção até que todos sejam traduzidos.

Nós queremos que a experiência do consumidor seja completa. Você sabe que os games que sairão até agora em português foram versões européias. E quando o brasileiro resolve jogar com esta opção de idioma não chega nem perto da experiência que deveriam ter. É quase que preferível jogar em inglês mesmo. Soa engraçado. É a mesma experiência que um latino tem ao jogar um game traduzido para o espanhol da Espanha. E nós percebemos isso.

O mundo do Playstation é quase que completamente focado no conteúdo, e por isso se você acha que determinada cena que deveria ter outro tom "soa engraçada" isso o afasta da verdadeira experiência que deveria ter. É por esta razão que continuaremos a investir nisso procurando parceiros dentro e fora do Brasil que possamos nos ajudar a chegar ao nível de qualidade que esperamos.


A:
O que a Sony pretende fazer para manter os preços caindo, mesmo com o problema dos impostos?

MS: O nosso objetivo é continuar a empurrar os preços para baixo. Sabe, quando lançamos o Playstation 3, um game custava R$299, mas hoje os grandes lançamentos estão custando R$199. Para fazer com que os preços caiam ainda mais vamos trabalhar em alianças futuras até mesmo entre gamers e lojistas que possam nos ajudar a fazer com que os produtos fiquem acessíveis a todos.


A:
O Brasil é enorme. Apesar de São Paulo e Rio de Janeiro serem os grandes pólos comerciais do país, como fazer para que os games cheguem a outras regiões custando menos?

MS: Fazer a distribuição em um país tão grande quanto este é um desafio. Um país enorme que tem uma floresta como a amazônica que é quase impenetrÁvel. Obviamente que a nossa estratégia inclui distribuir o produto em outras regiões do país com acordos com revendedores que vivam em outros lugares, como Minas Gerais continuando ao Sul ou suba até Recife e todas as outras Áreas. Com a ajuda da Sony Brasil que tem mais de 15 anos de experiência, nós seremos capazes de atingir todas essas regiões. É interessante porque estamos produzindo no meio da região amazônica e de lÁ nós distribuímos para as outras cidades. Diferentemente de termos os games produzidos em São Paulo, nós podemos fazer uso da zona franca de Manaus que ajuda bastante na parte logística.

Faremos contatos com pequenos revendedores em diferentes Áreas para que nossos produtos cheguem a todos, porque entretenimento atravessa barreiras e cruza estados. Diversão é algo global. E uma pessoa que vive em Manaus tem tanta sede de entretenimento quanto uma que vive em São Paulo.

E o objetivo é aumentar a cada mês o número de pontos de distribuição. Vamos precisar de tempo, mas chegaremos lÁ.


A:
E o que vocês produzem na zona franca de Manaus?

MS: Atualmente, produzimos os nossos games.  Na parte de manufatura dos jogos, o Playstation tem sua produção feita pela Sony DADC (núcleo de produção de DVD e Blu-Ray) em Manaus. Trabalhamos com eles para a produção de games de Playstation 2 inicialmente e agora Playstation 3. É assim que conseguimos manter o preço de produção baixo, fazendo tudo localmente e cortando uma grande parte dos impostos. Assim, continuamos a empurrar o preço para baixo para tornar os games acessíveis a todos.

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  • Redator: Equipe On the Road

    Equipe On the Road

    O Adrenaline on the Road é uma grande cobertura que ocorre entre 05 e 24 de janeiro, e percorre duas grandes cidades dos Estados Unidos: Las Vegas e Los Angeles, além da região do Vale do Silício, um conjunto de cidades ao sul de São Francisco que respira tecnologia e onde estão localizados alguns dos maiores players desse mercado. A equipe do Adrenaline on the Road é formada por 03 jornalistas: Jacson Boeing, Diego Kerber e Renato Siqueira, que juntos planejam mostrar de forma descontraída e diferente

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