Qual o mais vantajoso: Galaxy S4 octa ou quad-core?

O Galaxy S4, quando lançado, trouxe uma característica um tanto incomum nos smartphones: a possibilidade de escolher entre dois modelos com processadores diferentes. Antes, uma preocupação restrita dos usuÁrios de PC, especialmente entusiastas, a escolha da CPU agora vai para o segmento móvel, despertando dúvidas de muita gente. Ainda mais neste caso, em que a diferença parece tão gritante – é um processador de quatro núcleos contra um de oito, ou seja, o dobro!

Mas serÁ que na prÁtica o desempenho também dobra?

E existe uma outra variÁvel: a conexão de dados. Só o modelo "mais fraco", o quad-core, possui conectividade 4G (que, por sinal, estÁ bem longe de existir em todo o Brasil). Quem quiser o octa-core, vai ter que se contentar com o 3G.

Parece complicado? Nem tanto. Não entre em pânico que o Adrenaline te ajuda!

{break::Destrinchando os números}Como nós jÁ atestamos em nossa anÁlise, o Galaxy S4 é um smartphone com um excelente desempenho. Praticamente imbatível. E nós testamos justamente a versão 4G, ou seja, com processador de "apenas" quatro núcleos.

Nos nossos testes, o aparelho cravou 25,4 mil pontos no AnTuTu benchmark, uma ferramenta que mede em números a performance do aparelho. O grÁfico em barras ilustra bem a diferença entre o Galaxy S4 e a concorrência, que comeu poeira. O único aparelho capaz de fazer frente a ele é o HTC One, com pontuação levemente menor, mas que sequer é vendido no Brasil – e não hÁ nem previsão.

 

A barrinha logo acima mostra outro Galaxy S4. Justamente o modelo octa-core e somente 3G. A diferença parece tão grande? Não. E porque não é mesmo.

Não tivemos acesso a uma unidade octa-core para testes, mas outros sites, como o Pocket Now e o GSMArena, sim. E os resultados revelados por eles lembram bastante o que aconteceu no nosso grÁfico.

Com o Pocket Now, a diferença entre os dois modelos, no mesmo benchmark, foi de 3,8 mil pontos. É considerÁvel, mas mostra que é totalmente enganosa a ideia de que o dobro de núcleos irÁ proporcionar o dobro de desempenho. Seria como ter um smartphone com astronômicos 50 mil pontos! Ao invés disso, o Galaxy S4 octa-core fez 28,3 mil pontos, enquanto a versão quad ficou com "apenas" 24,4 mil. 

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Imagem: Pocket Now

No Ice Storm do 3D Mark, mesmo benchmark usado em PCs, a diferença foi ainda menor. O S4 quad-core fez 10,4 mil pontos no benchmark normal e 6,4 mil no Extreme, enquanto o modelo octa-core conseguiu 11,2 mil e 6,6 mil, respectivamente.

O GSMArena foi ainda mais além e realizou uma série de benchmarks. Além do AnTuTu, no qual o S4 quad e o S4 octa fizeram, respectivamente, 24,7 mil e 26,2 mil, ainda hÁ uma série de testes. Todos mostram que o ganho de desempenho da versão com oito núcleos é mínimo.

No Quadrant, por exemplo, os dois praticamente empataram, com 12,4 mil (octa) e 12,3 mil (quad). A mesma coisa no GLBenchmark Egypt, com 43 e 41, respectivamente. Segundo o GSMArena, essa mínima diferença pode ter sido proposital. A Samsung teria, de certa forma, "limitado" o processador Exynos 5 Octa para assegurar que desenvolvedores encontrariam uma performance semelhante nas duas versões do smartphone, evitando uma fragmentação desnecessÁria. E é algo que realmente faz muito sentido.

 
Imagens: GSMArena

Agora, uma anÁlise mais pessoal. Processadores dual-core reinventaram a indústria dos dispositivos móveis e, de fato, representaram uma evolução significativa em termos de performance, especialmente após as atualizações do Android para a versão Jelly Bean, que fizeram o sistema aproveitar melhor os recursos de hardware. Porém, uma CPU quad-core em um telefone móvel ainda é um exagero – imagine então uma octa-core!

A maior parte dos dispositivos dual-core se vira muito bem com os dois núcleos, especialmente agora que o Android estÁ mais leve e estÁvel. E ainda mais em sistemas operacionais fechados e otimizados, como o iOS e o Windows Phone. Os smartphones da linha Lumia, da Nokia, estão aí para provar isso. A diferença de performance entre o modelo de entrada e o top de linha é pequena, o que torna todos os aparelhos excelentes opções de compra, para diferentes perfis de usuÁrio.

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{break::Outros aspectos importantes}O desempenho – especialmente o expresso em números, que nem sempre determina uma real diferença no uso cotidiano – não é o único fator que deve ser levado em conta na hora de comprar um novo smartphone. E as duas variantes do Galaxy S4 exigem um outro cuidado na hora de optar pelo preferido: a duração da bateria.

A bateria de qualquer smartphone estÁ longe de ser o sonho de consumo de todos, capaz de durar vÁrios dias mesmo realizando tarefas pesadas. Mas alguns fatores podem impactar positiva ou negativamente a duração da bateria, e o processador, ao menos no caso do S4, é um deles.

O GSMarena conferiu isso na prÁtica. E o Galaxy S4 quad-core, ou seja, com 4G, levou a melhor. Especialmente no quesito "tempo de conversa". O modelo com quatro núcleos aguentou 18 horas, simplesmente sete horas a mais que a versão octa-core, que não resistiu mais de 11 horas. Em termos de autonomia, é uma diferença gritante, praticamente um quarto de um dia inteiro!


Imagem: GSMArena

Felizmente, a diferença diminui um bocado nos outros critérios: navegação na web e reprodução de vídeos. No primeiro, o S4 quad-core durou sete horas e 24 minutos, enquanto o octa-core suportou seis horas e 58 minutos. No segundo, foram 12 horas e 30 minutos contra 11 horas e 29.

No total, sem nenhuma tarefa específica sendo realizada, o Galaxy S4 quad-core aguentou 69 horas, enquanto o modelo octa-core permaneceu ligado por 65 horas. São quatro horas de diferença, o que é significativo quando o assunto é bateria. É o tempo, por exemplo, de uma viagem de carro, de uma aula, ou de meio-expediente. 


Imagens: GSMArena

Outro detalhe é a conectividade. O 4G não interferiu no desempenho da bateria, pelo contrÁrio: o modelo equipado com a tecnologia aguentou cerca de meia hora a mais em navegação web, e vÁrias horas em conversação. No entanto, a banda larga de quarta geração só estÁ presente em pontos bem selecionados do território brasileiro.

Atualmente, o estado brasileiro com a maior cobertura é São Paulo, onde o 4G estÁ presente nas cidades de Campinas, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Sorocaba, Mogi das Cruzes, Barueri, Campos do Jordão e Águas de Lindóia. Os outros municípios do país com a tecnologia são Manaus (AM), CuiabÁ (MT), Natal (RN), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belém (PA), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA). 


Imagem: Teleco


Se você mora fora desses locais, adquirir um celular 4G não faz muito sentido agora, a não ser que você pretenda ficar com ele durante MUITO tempo, o suficiente para que as operadoras levem a tecnologia para a sua cidade. O problema é que não existe previsão para isso acontecer, a não ser nas cidades-sede da Copa do Mundo, que jÁ estão recebendo o 4G pouco a pouco.

HÁ, no entanto, outro fator importante: o preço. É essencial esclarecer que a versão quad-core e, portanto, com 4G é mais cara que a versão octa-core. 

{break::Quem ganha?}Ainda estÁ confuso? Nós vamos facilitar as coisas. Fizemos uma tabelinha simples que mostra no que cada modelo leva vantagem. E visivelmente dÁ empate.

Optar entre o S4 quad ou octa-core, depois disso, se resume a uma questão meramente pessoal. O desempenho da versão com oito núcleos é praticamente a mesma do modelo com quatro, mas o aparelho é mais barato. O problema é que você terÁ menos autonomia e ficarÁ apenas com a conexão 3G - que possui uma cobertura bem maior e mais "democrÁtica" que a 4G.

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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