Overclock em plataforma Intel Ivy Bridge

A ideia deste artigo não é fazer uma abordagem técnica repleta de termos em "informatiquês", ou descer a um nível de detalhamento profundo. O objetivo é usar uma linguagem mais simples e direta, de forma que os usuÁrios menos experientes, ou mesmo os que estejam dando os "primeiros passos" no mundo da informÁtica, possam ter uma compreensão mais nítida.

É necessÁrio que se faça outro esclarecimento: qual o objeto de estudo. Iremos focar este artigo nos chipsets da série 7 para a terceira geração dos processadores Intel (Ivy Bridge), visto que se tratam de CPUs que terão uma longa vida útil pela frente.

Antes de abordarmos os diferentes tipos de chipsets para a linha Core i3/5/7 3000 da Intel, é preciso saber o que é exatamente um chipset.

Muito bem, chipset é um termo "genérico" para designar um conjunto de circuitos integrados responsÁveis por fazer com que todos os componentes do computador trabalhem de forma global e em conjunto. Em outras palavras, serve de elo de ligação entre os diversos componentes do PC. Apesar dos processadores modernos (CPUs que possuem vídeo integrado) terem agregado algumas funções do chipset, tal componente continua sendo vital para os PCs.

É bastante comum o lançamento de uma nova geração de processador estar associado à chegada de um novo chipset. Isto ocorre uma vez que as novas tecnologias presentes nestas novas CPUs necessitam de um novo conjunto de instruções para lidarem com tais novidades. Algumas vezes as mudanças são tamanhas, que faz-se necessÁria a introdução de um novo padrão de pinagem (os famosos pinos presentes na parte posterior dos processadores) para atender os requisitos lógicos e energéticos dos novos processadores.

Assim, com a chegada dos Core i3, Core i5 e Core i7 da geração Ivy Bridge, a Intel lançou os chipsets da série 7, de forma a suportar algumas de suas novidades, como foi caso do PCI Express 3.0, do USB 3.0 e da tecnologia Smart Response Technology.

A linha é composta por seis modelos: Z77, Z75, H77, Q77, Q75 e B75. De forma simples, enquanto os três primeiros são voltados para os usuÁrios domésticos, os demais são especialmente desenhados para o mercado corporativo.

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Em relação às opções domésticas – foco deste artigo – se até então a linha H se diferenciava da Z por trazer saída para o vídeo integrado, o mesmo jÁ não vale para a atual série 7, uma vez que ambas contam com o suporte aos IGPs Intel Core Graphics HD 4000/2500. Assim, a principal diferença estÁ no suporte ao overclock (ato de turbinar a frequência de operação de um processador).

Voltada para o público entusiasta/hard gamers, o chipset da linha Z foi projetado para tirar todo o potencial de overclock (OC) dos novos processadores – em especial as CPUs com sufixo K (que são totalmente destravados). JÁ nas Hs, o OC não é permitido. Daí tal chipset ser voltado para o público de entrada/iniciante. A propósito: overclock é o ato de aumentar a frequência de operação de um circuito integrado, no caso deste artigo, o processador. Em outras palavras, se uma CPU vem de fÁbrica a 3.0Ghz, e o usuÁrio altera esta velocidade para 3.3Ghz (por exemplo), diz-que o processador sofreu um OC de 10%, ou 300Mhz.

HÁ ainda outra diferenciação entre os chipsets. São os numerais 75 e 77. Assim, todas as placas equipadas com um chipset com número 77 trazem suporte para o recurso Smart Response Technology (SRT), que em outras palavras, utiliza um SSD como caching para acelerar o desempenho do sistema.

A nova linha Intel série 7 possui um total de 14 portas USB, sendo quatro do padrão 3.0 controladas pelo chipset (de alta velocidade), apesar de existir a possibilidade de mais portas nesse padrão adicionando um chip exclusivo para essa funcionalidade. Outra vantagem é a compatibilidade com uma vasta combinação para o PCI Express 3.0 de 16 linhas (x16), possibilitando o suporte completo às novas Radeons HD 7000 e GeForces GTX 600 em combinações em paralelo (CrossFire/SLI). Eis aqui outra diferença entre as linhas H e Z. Enquanto a primeira suporta apenas uma VGA em modo 1x16, as placas mães equipadas com o chipset Z suportam múltiplas placas 3D em vÁrias configurações distintas.

Em relação às memórias, os chipsets da série 7 – assim como o próprio Ivy Bridge - são do tipo dual-channel, ou seja, suportam DDR3 aos pares, com módulos trabalhando oficialmente a até 2800Mhz. 

{break::Overclockando o sistema}

Para os testes, utilizamos dois processadores: um Core i5 3570K e um Core i5 3570. Esse último, sem o "K", não tem o multiplicador desbloqueado e isso limita e dificulta consideravelmente o overclock.

Outra grande diferença entre o 3570K e o 3570 é que o modelo com "K" possui vídeo Intel Graphics 4000, enquanto o modelo sem "K" possui vídeo Intel Graphics 2500.

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Na prÁtica, veremos que em aplicações que utilizem o CPU ambos terão resultados semelhantes, mas em aplicações que façam uso do GPU, o modelo 3570K com Intel Graphics 4000 se sairÁ bem melhor.

Abaixo temos um vídeo demonstrando o processo de overclock com o Core i5 3570K em uma mainboard Intel DZ77SL-50K. Reparem como é simples e rÁpido overclockar o sistema:


Diferente do Core i5 3570K, o processador Core i5 3570 normal, sem o "K", perde a funcionalidade do multiplicador desbloqueado. Na prÁtica, para usuÁrios que não pretendem overclockar o sistema, isso não vai mudar quase nada. Ele vem também com vídeo integrado inferior, como jÁ explicamos. Mas quando o assunto é OC, a mudança é bem grande.

Para overclockar o sistema com um processador que não seja da linha "K", temos que mexer na frequência para mudar, automaticamente, o clock da GPU e das memórias, ou seja, uma mudança que implica em alterar o comportamento de mais de um "componente" do sistema. No caso do OC via multiplicador da CPU, a mudança é feita apenas no processador, o que garante maior controle do sistema e evita-se que se overclocke um componente que não esteja "preparado", garantindo na prÁtica maior controle e, consequentemente, melhorando o quesito estabilidade. Ponto crucial para qualquer OC. Abaixo temos uma explicação bÁsica de overclock via multiplicador e frequência.

Overclock via mudança no multiplicador: Em um processador Core i5 3570K com clock de 3.4GHz padrão, seu multiplicador estÁ definido em 34x e a frequência em 100MHz. Alterando o multiplicador para 40x, o processador ficarÁ com clock de 4.0GHz.

Overclock via mudança na frequência: O Core i5 3570 tem a mesma frequência e multiplicador do 3570K, mas o multiplicador não estÁ desbloqueado, ou seja, não podemos alterÁ-lo. Dessa forma, para overclockar, temos que mudar a frequência, ex.: 120MHz, multiplicando por 34x, teremos clock de 4.08GHz. O problema é que existe um multiplicador também nas memórias e na GPU integrada. Dessa forma ambas também sofrem OC. Existe a possibilidade de alterar esses multiplicadores, mas como destacamos, entramos em um processo de overclock consideravelmente mais complicado para usuÁrios leigos.

No vídeo abaixo fizemos uma única mudança no sistema trocando o Core i5 3570K pelo Core i5 3570 normal. Como pode ser visto, a BIOS da placa-mãe passa a "esconder" algumas funcionalidades de overclock, justamente por esse processador não ter o multiplicador desbloqueado.

A principal mudança serÁ em cima das funcionalidades de ajuda com OC. Citamos como exemplo as barrinhas disponíveis para facilitar o overclock, onde bastava arrastar para o lado e escolher o clock desejado. Com um processador sem "K" elas não estão mais disponíveis. Se o usuÁrio quiser overclockar o sistema, serÁ necessÁrio alterar a frequência do processador e, consequentemente, o processo se torna mais complicado.

{break::Fotos, CPU-Z, GPU-Z, Temp}

Fizemos diversos testes comprando o desempenho do processador Core i5 3570 com o Core i5 3570K usando seu clock padrão e também overclockado. Abaixo, fotos do kit utilizado:

Vale destacar um ponto importante que poderÁ ser visto abaixo nas imagens do CPU-Z. Mantivemos a configuração original de BIOS, dessa forma os processadores são overclockados automaticamente pelo sistema quando alguma aplicação exige mais dos mesmos. Isso se deve à tecnologia Turbo Boost, da Intel, que no caso do Core i5 3570K e dessa mainboard em questão, coloca os processadores a 3.8GHz. 

CPU-Z e GPU-Z
Antes de começarmos com os testes, nas imagens abaixo, que são screens do CPU-Z e GPU-Z, vemos alguns detalhes dos processadores e demais características do sistema utilizado.


Core i5 3570 | Core i5 3570K | Core i5 3570K @ 4.5GHz

Temperatura
Iniciando os testes pela temperatura dos processadores, tanto em modo ocioso como em uso contínuo.

IDLE
Em modo IDLE, leia-se com o sistema operacional ocioso, o processador sem o K no nome teve a menor temperatura. Ele ficou dois graus celsius abaixo do i5 3570K não overclockado e nove graus abaixo do mesmo processador com overclock.

wPrime
Rodando o wPrime, que é uma ferramenta que usa o mÁximo do processador e seus cores, o i5 3570K overclockado atingiu a maior temperatura, 82ºC, jÁ esperado pelo clock de 4.5GHz com um cooler BOX. O mesmo processador sem overclock chegou a 65ºC e o i5 3570 vem logo em seguida, com o melhor resultado, 64ºC.

Com esses testes fica claro que praticamente não existe diferença entre o 3570K e o 3570 quando ambos trabalhando em mesmo clock, a pequena mudança pode ser devido o modelo com K tem vídeo integrado de melhor desempenho e consequentemente acaba consumindo e esquentando um pouco mais. 

{break::Testes CPU: CineBENCH, x264 FHD, wPrime, MediaEspresso}

CineBENCH 11.5
No CineBENCH, o processador com "K" empatou tecnicamente com o processador sem "K" quando ambos usando seu clock normal. Overclockado para 4.5GHz o 3570K fez 7.36 pontos, que representou ganho de quase 20% no desempenho.

x264 Full HD Benchmark
Os dois processadores, sem overclock, empataram em 17.70 FPS. JÁ o i5 3570K overclockado chegou a 21.20 FPS, ganho de 18,8% sobre o clock padrão.

wPrime
No teste 1024M do wPrime, o processador i5 3570K empatou tecnicamente com o 3570 quando usando clock padrão e melhorou o desempenho em 25% quando overclockado para 4.5GHz.

CyberLink MediaExpresso
Convertendo um vídeo, o i5 3570 demorou 21 para finalizar o processo. Quatro segundos a mais que o i5 3570K overclockado. Apesar da boa diferença sobre o 3570, ela foi pequena sobre o 3570K quando usando clock padrão, isso acontece porque esse aplicativo estÁ usando o GPU para ajudar na renderização, mais do que o CPU.

{break::Testes GPU: 3DMark11, AvsP, Crysis 2, Far Cry 2}

3DMark11
Iniciando os testes de processamento grÁfico com o 3DMark11, o desempenho do i5 3570K ficou bem acima do processador sem a letra K no nome, como jÁ destacamos, isso acontece pelo 3570K tem vídeo integrado Intel Graphics 4000 e o 3570 normal ter o Intel Graphics 2500. Com overclock, a diferença foi de quase 100% para o resultado do 3570.


Aliens vs Predator
Começando os testes em games com o "Aliens vs Predator", a diferença entre o processador i5 3570K overclockado e o i5 3570 é de quase 20 FPS, mais uma amostra da diferença entre o Graphics 4000 e 2500.

Crysis 2
Rodando o game Crysis 2, a diferença se mantém. A média de FPS entre o mesmo processador overclockado e não overclockado também se mantém menor que 5 FPS.

Far Cry 2
No teste com o Far Cry 2, a mesma história, vantagem arrasadora para o 3570K e seu Intel Graphics 4000.

{break::Conclusão}

Como demonstramos no artigo, o processador Core i5 3570K é a opção recomendada para quem pretende overclockar o sistema, ou mesmo deseja um vídeo integrado de melhor desempenho, sendo essas as duas grandes diferentes entre o modelo com e sem "K".

Depois de todas as demonstrações e testes que fizemos, para a grande maioria dos consumidores o que pesa no final das contas é a diferença de preço entre um produto e outro, sendo este o ponto crucial para tomar uma decisão. No caso dos processadores Intel Core i5 3570 e 3570K, a diferença é de apenas R$ 60,00 (pesquisa feita no site da Kabum no dia 14/02/2013), dessa forma fica claro que a melhor opção é o modelo com "K" no nome, como destacamos, pelo seu potencial e facilidade de overclock, associado a uma placa mãe com chipset Z77 como destacamos, e também pelo fato desse modelo vir com vídeo integrado Intel Graphics 4000, em alguns casos dobrando o desempenho do vídeo integrado do modelo 3570 sem "K".

O mesmo conceito de funcionalidade vale para outras séries de processadores da Intel, como o Core i7 2600 e 2600K, assim como para os novos Core i7 3770 e 3770K, ou seja, quer fazer overclock de uma forma mais simples e com melhores resultados? Opte sempre por processadores com "K" e placa mãe com chipset usando "Z" no nome, ex.: processador Intel Core i7 3770K e placa-mãe Intel DZ77GA-75K. 

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  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

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